Débora Falabella: teatro, presença e (des)conexões
Com quase 30 anos de carreira, atriz participou do Women to Watch e traçou um paralelo entre o teatro e a arte de estar presente

Debora Falabella e Laura Vicente falam sobre a importância da desconexão (Crédito: Eduardo Lopes/Máquina da Foto)
Intérprete de personagens como Nina, de Avenida Brasil; Mel, de O Clone, e Sinhá Moça, no remake homônimo, e atualmente em cartaz no teatro com a peça Prima Facie, Débora Falabella subiu ao palco do Women to Watch, no Hotel Unique, em São Paulo, nessa quarta-feira, 5, dessa vez não para se apresentar, mas para falar sobre a importância de estar presente.
Junto com a apresentadora Laura Vicente, a atriz com quase 30 anos de carreira participou da conversa com o tema “Liderar o agora”, e traçou um paralelo sobre como as conexões genuínas e a desconexão do ambiente digital podem trazer experiências satisfatórias, como aquelas que acontece no teatro.
Para Débora, assistir a uma peça exige uma atenção concreta, assim como para os atores a exigência é parte fundamental da concentração. “Ele é uma forma muito concreta de exercer essa presença”, disse.
Essa dificuldade de se desconectar é reflexo da quantidade de demandas que são exigidas no dia a dia e o teatro exige uma desaceleração. “O teatro acontece só uma vez, por mais que eu repita as apresentações por meses, mas cada dia ela é diferente”, completou.
Por isso, sua rotina antes de entrar no palco é voltada à preparação. Para isso, Débora contou que chega duas horas antes para a montagem de figurino, maquiagem e aquecimento.
É nessa hora que a atriz vai se desconectando do mundo fora do teatro e de seu aparelho celular. Para ela, a passagem de um mundo com muitos estímulos, para a desconexão do teatro é um lugar sagrado.
“Você entra em um lugar onde parece que o tempo muda, é muito importante. Isso pode ser levado para outras esferas da nossa vida”, disse.
Desconexão em um mundo de respostas rápidas
O contexto do mundo atribulado também é exacerbado no ambiente corporativo. Hoje, com a ampliação da conexão, um profissional pode estar em uma reunião durante um almoço, ou mesmo no treino da academia.
A métrica da produtividade se transformou em uma resposta rápida às demandas do dia a dia. Mas para Débora, essa não deve ser a medida. A atriz aponta que isso afasta as pessoas de ouvir e tentar resolver o problema a partir de um pensamento crítico e não apenas rápido.
“No teatro, esse tempo de escuta faz com que você elabore aquilo. Você tem duas horas elaborando algo, você não tem que pensar rapidamente”, comentou.
Reflexos de uma geração ansiosa
Com tantos estímulos, o conteúdo também passou a ser mais rápido e consumido em maior volume. Na era dos vídeos curtos e novelas digitais, formatos mais ágeis estão mudando, inclusive, a lógica de produção das grandes emissoras.
De acordo com dados do Relatório Global de Estatísticas Digitais de julho de 2025, elaborado pela We Are Social, o consumo global de vídeos online é 14% maior que o de televisão. A empresa de pesquisa aponta que em média, são 11h39 semanais em plataformas digitais, contra 10h15 diante da TV.
Os vídeos curtos, como os que podem ser consumidos em Reels, no Instagram, ou no TikTok superaram os formatos longos no tempo de visualização, com 6h42 por semana contra 4h57.
Esses dados comprovam que até mesmo o consumo de entretenimento está mais acelerado. “O nosso cérebro não funciona como esse feed”, comentou. A atriz chamou atenção para a ansiedade que ficar desconectado gera.
“Somos uma geração ansiosa. Nunca se falou tanto de saúde mental, de transtornos. Quando você entra em um espetáculo você para e escuta uma pessoa por duas horas. Nesse tempo não vai acontecer nada, você não vai perder seu emprego”, completou.
