Facebook: prejuízo com vazamento vai além da Bolsa

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Facebook: prejuízo com vazamento vai além da Bolsa

Ações da empresa caíram mais de 7% no primeiro dia útil após informações de que a Cambridge Analytica usou informações de perfis em campanhas políticas

Luiz Gustavo Pacete
20 de março de 2018 - 6h41

A divulgação do uso de dados do Facebook pela Cambridge Analytica, que vieram à tona em matérias dos jornais New York Times e Guardian no sábado passado, 17, já repercutiram nos negócios da plataforma. As ações da empresa na Bolsa de Nova York recuavam mais de 7% até o início da tarde desta segunda-feira, 19. A perda de valor de mercado do Facebook com a repercussão negativa pode chegar a até US$ 30 bilhões. Na sexta-feira 16, a empresa valia US$ 538 bilhões.

Análise do Wall Street Journal aponta que a reação do mercado se apega ao fato de que as informações divulgadas nos últimos dias expõem “problemas sistêmicos” relacionados ao modelo de negócios do Facebook e podem levar a “discussões regulatórias mais rigorosas”. Em nota emitida no sábado, a empresa informou que suspendeu a página da Cambridge Analytica”, logo, a consultoria não pode mais manter páginas nem comprar anúncios na rede social. Na tarde desta segunda-feira, 19, segundo o site Gizmodo, o Facebook contratou uma auditoria particular para investigar o vazamento.

“Este é um claro episódio sobre como é necessário um debate público sobre privacidade, big data e o que ocorre com nossos dados em plataformas de redes sociais. Essas plataformas possibilitam grandes empresas com acesso à informação estabelecer relações entre usuários e descobrir interesses em comum, além de criar e distribuir opiniões que apoiam seus objetivos”, diz Carlos Borges, especialista em cibersegurança do Arcon Labs, empresa especializada em cibersegurança com foco em serviços gerenciados de segurança.

Segundo Eric Messa, coordenador do Núcleo de Inovação em Mídia Digital da FAAP, o caso da Cambridge Analytica agrava a situação sensível que o Facebook e Google se encontram frente aos governos Europeus. “O caso deixou evidente técnicas antiéticas para coleta de dados dos usuários e influência da opinião nas redes. A evidência de casos assim pode ajudar a trazer certa maturidade e senso critico aos usuários das redes que provavelmente, passarão a ter mais critério antes de clicar no botão que autoriza a conexão com o Facebook”, afirma Messa.

Segundo o especialista, a crescente preocupação em relação à credibilidade da fonte é também uma consequência possível disso tudo. “Também ganha força o discurso de que empresas que alcançaram uma razoável hegemonia dentro das redes socais como o Facebook, não deveriam continuar a operar independentemente, conforme interesses exclusivos de seus gestores. Ganha força o discurso que pede por alguma regulamentação do uso de dados digitais dos usuários das plataformas de redes sociais”, ressalta Messa.

Marcelo Coutinho, professor da Fundação Getulio Vargas e Consultor de Estratégia Digital, afirma que o caso fará parte de uma série de outras tentativas de manipulações políticas da história. “O recente escândalo sobre a utilização de dados para campanhas eleitorais é apenas a combinação desta tendência com o uso deliberado de boatos para atacar ideais dos quais se discorda, outra prática bem antiga. Como pudemos ver nos lamentáveis episódios após a morte da vereadora Marielle Franco, o armamento (Big Data) e o terreno (as redes sociais digitais) mudaram, mas as táticas continuam as mesmas”, observa Coutinho.

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