Marca oficial da Amazônia busca Leões em Cannes
Case brasileiro inscrito no festival pela FutureBrand usa imagens de satélite para criar a primeira identidade visual unificada da Amazônia Legal

Case da FutureBrand São Paulo está inscrito no Cannes Lions nas categorias Creative Strategy, Design, Digital Craft, Industry Craft, Innovation e Titanium (Crédito: Divulgação)
A FutureBrand leva ao Cannes Lions 2026 um dos cases brasileiros com chances de conquistar Leões para o País, segundo enquete do AdAge, feita com base nas opiniões de líderes criativos e divulgada nesta semana. Trata-se do projeto de branding para a Embratur e a Rotas Amazônicas Integradas (RAI), que resultou na primeira identidade visual unificada da Amazônia Legal.
Arnaldo Bastos, sócio, diretor e CDO da agência, conta que o trabalho se iniciou em julho de 2025 e que o lançamento oficial ocorreu durante a World Travel Market (WTM) Londres, em novembro. A iniciativa visa valorizar o potencial de negócios da região, além de fortalecê-la como destino turístico nacional e internacional.
No entanto, o que realmente tornou o projeto singular em relação a outros da mesma natureza foi a decisão de utilizar os rios, elemento característico da floresta amazônica, para “encontrar” as letras que formam a tipografia intitulada Igaratype, em um conceito de “marca viva”, no qual a própria natureza é creditada como autora do design.
Para isso, foram usadas coordenadas reais e imagens de satélite de 25 mil quilômetros de rios dos nove estados que compõem a Amazônia Legal (Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins). “Estudamos essas imagens para encontrar letras ao longo dos leitos dos rios. Por isso, dizemos que a autora da tipografia, na verdade, é a própria natureza”, salienta.

Tipografia foi construída a partir do mapeamento de 25 mil quilômetros de rios amazônicos (Crédito: Divulgação)
Para manter o protagonismo local, o projeto contou com a cocriação de uma rede de colaboradores regionais, incluindo fotógrafos, ilustradores e letristas amazônicos. A partir do resultado, a ideia é organizar as experiências, destinos, licenciamentos e selo de origem debaixo de uma marca reconhecida no mundo, com possibilidades de desdobramentos, parcerias e collabs.
O case, conforme Bastos, foi inscrito nas categorias Creative Strategy, Design, Digital Craft, Industry Craft, Innovation e Titanium. Estas duas últimas, no entanto, tiveram seus shortlists divulgados na quinta-feira, 11, sem nenhum trabalho brasileiro.
“Acreditamos que o Festival de Cannes é mais do que referência da criatividade, é uma oportunidade literal de apresentar essa marca ao mundo e, mais do que isso, gerar valor para ela”, acrescenta o CDO da FutureBrand.