Comunicação

Agências buscam jovens curiosos

Painel sobre comunicação e critividade, no Young Area, debateu o papel da tecnologia nas áreas de criação

i 28 de maio de 2012 - 7h28

Paralelamente às comissões do V Congresso Brasileiro da Indústria da Comunicação, acontece o Young Area, um espaço destinado aos jovens profissionais e estudantes que buscam entrar no mercado ou que estão no início de sua carreira. Com patrocínio do Google, o espaço mais jovem do evento, teve como painel de abertura uma discussão sobre Comunicação e Criatvidade com a participação dos líderes criativos das agências Africa, Ogilvy e Loducca, respectivamente, Sergio Gordilho Anselmo Ramos e Guga Ketzer.

Entre os assuntos apresentados para a plateia com pouco mais de 200 jovens está o papel da tecnologia nas agências. Segundo Ketzer, não há mais separação entre as áreas midiáticas, já que a tecnologia é a ferramenta que o ser humano utiliza para se relacionar com a vida. "É um novo modo de viver", explica. O que os profissionais esperam dos jovens aprendizes foi um dos temas que permeou por grande parte do painel. Ketzer disse que busca gente curiosa e não gloriosa; Ramos falou sobre a busca pelo ninja: "Um cara que você pede uma ideia e ele chega com o projeto pronto para demonstarção, só de olhar para ele fico com medo", brincou.

Gordilho contou que o balanceamento entre os dois profissionais existentes no mercado hoje (o jovem profissional e o mais experiente) é o que faz com que as agências brasileiras sejam mais criativas. "Isso se dá  também pelo aspecto de trazer pessoas de fora, como o programa Safari que Africa faz", conta.

"Temos que aprender a tirar o melhor de cada profissional e juntar esse melhor para a concepção e criação das campanhas", revela o criativo da Loducca. Para ele, o pensamento que ainda está muito presente nas redações e que deve mudar é a questão do criativo querer fazer tudo. E terminou com uma frase estratégica, "Temos que nos deixar ter prazer com a mão dos outros".

A crítica de Ketzer também foi direcionada ao que os profissionais adotam como diretrizes. "Não podemos perder o valor da nossa cultura, temos que aprender com os profissionais de fora sem perder a essência brasileira". E também às seprações funcionais das agências. Para ele a criação de agências digitais e de redes sociais é uma briga por um mercado que não existe. "O consumidor não vê o que é offline e o que é online. A ideia tem que partir da concepção, e a agência trabalhar naquilo de forma completa", desabafa.

Jovens em Cannes

A menos de um mês para o maior festival de publicidade do mundo, o painel sobre criatividade não deixou o assunto premiação e leões de fora. Determinado, Ketzer fala sobre a falsa profetização das agências brasileiras e o suposto surgimento do branded content. "O mundo não começou a partir do momento que nós nascemos, existe muita coisa que já foi feita e tem gente dizendo que está inventando o branded content", criticou.

A favor do evento, Gordilho conta que o criativo que é curioso é competitivo. "Cada vez mais os próprios anunciantes querem ganhar leões em Cannes. É uma questão de investimento e reconhecimento". No contraponto, Ketzer disse que competição acaba desvirtuando a publicidade. "Não quero ser melhor que ninguém, quero sempre ser a melhor Loducca", finalizou.

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