Cannes: menos delegados, mais peças
Top Right Group, dono do Festival de Cannes, prevê redução de 25% na presença brasileira nesse ano
A equipe que processa a quantidade de peças e delegados inscritos no Festival Internacional de Criatividade de Cannes, que ocorre entre os dias 15 e 21 de junho, ainda não encerrou seu trabalho, mas trabalha com a perspectiva de que o Brasil terá em torno de 25% menos delegados no evento deste ano na comparação com 2013, quando participaram aproximadamente 950 credenciados atuantes no País.
A Copa do Mundo é apontada como causadora da queda, que já era esperada pela organização do festival.
Duncan Painter, CEO do Top Right Group, diz que, por outro lado, o Brasil deve bater novamente o seu recorde de trabalhos concorrentes — como ocorreu nos dois últimos anos. Em 2013, o País enviou nada menos que 3.473 peças ao festival. “As agências brasileiras estão inscrevendo, mas não estarão lá para receber os prêmios”, brinca o executivo.
A razão para o bom humor é que, apesar da “fuga” dos delegados brasileiros, Cannes cresceu em outros mercados, especialmente na Ásia, Austrália, México e Alemanha. Em 2013, o festival contabilizou um total de 35.765 peças inscritas e mais de 11 mil profissionais participantes. Para este ano, Painter trabalha com um número total de peças próximo a 38 mil. O crescimento de inscrições em Cannes é estimado em 16%, bem superior à alta de apenas 4% no ano passado.
Vale lembrar que, em 2009, após a crise financeira internacional deflagrada no ano anterior, o total de inscrições foi de apenas 22 mil. Ou seja: nesse período de cinco anos, Cannes quase dobrou a quantidade de peças concorrentes. E, sem a “fuga” de 2014, o resultado financeiro final seria ainda melhor. “Se os delegados brasileiros mantivessem sua participação tradicional, o festival teria obtido uma alta recorde de 25% em suas receitas na comparação com 2013”, assegura Painter.
Leão saudável
Uma parte importante do crescimento previsto para o Festival de Cannes em 2014 virá do novo evento Lions Health, que ocorre na sexta-feira 13 e no sábado 14. A quantidade de peças inscritas deve ser superior a 1,7 mil, 25% mais do inicialmente projetado. “Temos sido bastante ambiciosos em relação ao Lions Health. Muitas categorias tradicionais levaram anos para chegar a esse patamar”, comemora Painter.
A razão para a criação de um evento específico sobre a comunicação da indústria de saúde e bem-estar, que se mostra bem-sucedida, é a de que esse mercado não tem condições de concorrer em condições de igualdade com outros setores da economia em um festival de criatividade. “A regulamentação é muito forte e varia de país para país. Boa parte de um comercial desse setor é ocupado por avisos de contraindicação, não havia uma forma justa de concorrer com outras indústrias”, ressalta.
Graças ao sucesso do Lions Health, Cannes irá anunciar durante a edição de 2014 a criação de um novo evento desse tipo, voltado para outro segmento. Ventila-se a possibilidade de que seja voltado para a indústria da tecnologia, mas Painter não confirma. Outra novidade, que finalmente deve sair do papel, é a criação de um evento Lions no Brasil. A ideia não é instituir uma nova premiação, mas sim um espaço que proporcione a experiência do Festival de Cannes para quem não tem a oportunidade de ir até lá.
A íntegra desta reportagem está publicada na edição 1.611, de 26 de maio de 2014, exclusivamente para assinantes, disponível nas versões impressa e para tablets de Meio & Mensagem. Nos tablets, para acessar a edição, basta baixar o aplicativo nos sistemas iOS ou Android.
Confira abaixo reportagem da TV Meio&Mensagem sobre a perspectiva dos jurados brasileiros sobre a participação do País em Cannes, mesmo em ano de Copa do Mundo.
