COMPORTAMENTO

Quais são os perfis de consumidores de GLP-1 no Brasil?

Estudo da Publicis, com dados Epsilon, mapeou os grupos predominantes e a redistribuição do consumo

i 22 de junho de 2026 - 5h40

A queda das patentes e o início da produção local de medicamentos à base de GLP-1, as populares “canetas emagrecedoras”, inaugurou uma nova fase para esse mercado que deve remodelar os hábitos de consumo nos próximos anos.

canetas emagrecedoras

Pesquisa listou perfis predominantes de consumidores de canetas emagrecedoras (Crédito: Shutterstock)

O Publicis Groupe Brasil apresenta nessa semana a pesquisa inédita “A Revolução do Healthcare e Consumo após as Canetas GLP-1 e GIP”, desenvolvida pela Publicis Edge.

O estudo combinou os sinais comportamentais de mais de 132 milhões de brasileiros conectados a plataforma de dados Epsilon, com dados de social listening, intenção de busca, mercado e uma pesquisa com 2.400 criadores de conteúdo pela plataforma Mis, da BR Media.

Mais do que um medicamento, o estudo revela que as canetas teriam se tornado uma tecnologia social do corpo. Elas transformam a relação com o treino, o prazer, o consumo e a sociabilidade. Nesse movimento, o emagrecimento se tornaria também uma ponte para discussões sobre mérito, classe, beleza e autenticidade.

“Quando se fala sobre transformar o emagrecimento em debate sobre mérito, essa é uma das principais polêmicas que entram em discussão nas redes sociais. O uso das canetas, de certa maneira, permite o emagrecimento sem necessidade de dedicação à atividade física ou seguimento de uma dieta restrita. Esse é o conceito de ‘emagrecer sem mérito’ apontado principalmente por homens e pessoas pertencentes ao universo fitness e das academias”, aponta Thiago Cassemiro, VP de dados e tecnologia da Publicis Brasil, sobre os achados.

A discussão sobre o uso das canetas nos fóruns públicos também tangencia classe social e segregação, uma vez que o tratamento tem alto custo de manutenção.

“Além do medicamento em si, o emagrecimento envolve despesas terceiras, como uma dieta mais cara, baseada em alto consumo de proteínas, mais medicamentos, suplementos, além do investimento em novo guarda-roupa dada a mudança de manequim”, acrescenta Cassemiro.

Mas nem todos os consumidores buscam os medicamentos à base de GLP-1 pelos mesmos motivos. O estudo mapeou três perfis predominantes no consumo de canetas:

Saúde progressiva (40% dos usuários)

O público mais representativo é o que o estudo descreve como saúde progressiva. Com idade média entre 55 e 64 anos, esse grupo enxerga o emagrecimento como parte de um plano maior de cuidado contínuo com a saúde, prevenção de doenças e busca por longevidade.

O principal gatilho emocional para aderir às canetas seria o medo do adoecimento e de comorbidades ligadas ao envelhecimento. “São as pessoas que enfrentam problemas reais de saúde associados a obesidade, que procuram o tratamento justamente pelo medo das comorbidades com senso de urgência e preocupação com a saúde”, descreve o VP.

Capital estético (38% dos usuários)

Composto em 60% por mulheres e com uma média de idade de 35 a 54 anos, o segundo grupo mais representativo é o do capital estético. De acordo com a pesquisa, esse público busca as canetas, sobretudo, a partir da insatisfação com a aparência.

Frases como “Como emagrecer rápido com Ozempic para evento” e “Quantos kg dá para perder por semana com Mounjaro” aparecem entre as buscas desse grupo. Esses consumidores associam as canetas a rotinas de treinos, dietas e procedimentos estéticos.

Resultado imediato (22% dos usuários)

O último público é também o mais jovem, com uma média de 35 a 44 anos. Pragmáticos e imediatistas, eles seriam menos dispostos a mudanças severas na rotina e buscam um ciclo rápido de emagrecimento.

“É o indivíduo que quer calibrar seu peso, mantendo seu estilo de vida atual. Essas pessoas têm um comportamento específico de começar o tratamento de curto prazo logo antes de períodos do ano em que o corpo está em alta como verão, carnaval ou viagens de férias”, descreve Cassemiro.

Redistribuição de valor

Para as marcas, essas distinções são importantes porque geram diferentes jornadas de consumo e interesse. De acordo com a análise do Publicis, as canetas não eliminam setores, mas redistribuem valor de forma radical entre categorias, formatos e ocasiões de consumo do brasileiro.

Marcas e categorias que apoiem a performance física, o autocontrole e a otimização corporal exigida pela rotina de GLP-1 ganham relevância. A partir da Matriz Publicis de Marcas o estudo cita nomes, como as fabricantes Novo Nordisk e Eli Lilly, e marcas de suplementos e do universo fit, como Dux Nutrition, Smart Fit e Essential Nutrition.

Já entre os hábitos que passam a ser negociados pelo consumidor na rotina de tratamento aparecem alimentos indulgentes. O estudo cita marcas como Oreo, Lacta, Bis, Doritos e Ruffles. A maior tensão está em hábitos e produtos percebidos como incompatíveis ou sabotadores.

Na lista, estão marcas de bebidas alcoólicas como Heineken, Budweiser, Skol, Brahma e Jack Daniels e os aplicativos de delivery e iFood e Rappi.