YouDare completa seis meses com modelo boutique e foco em IA
Agência do Grupo Dreamers já coleciona seis clientes, investindo em produção sob medida potencializada pela tecnologia
No início de agosto, a YouDare completou seis meses de operação. Inaugurada em janeiro pelas ex-lideranças da DM9, Cleber Paradela e Stephanie Campbell, dentro do Grupo Dreamers, a agência já conta com 170 colaboradores e está prestes a abrir um escritório na região de Pinheiros, em São Paulo.
À época do lançamento, Stepanhie assumiu o posto de CSO, enquanto Paradela respondia como head de conteúdo e operação, focado em conteúdo, influência e inovação. O executivo, contudo, deixou o cotidiano da operação para se dedicar à tecnologia e ao relacionamento mais próximos dos clientes como vice-presidente de inovação e inteligência sartificial (IA).

Stephanie Campbell e Cleber Parabela, lideranças à frente da YouDare (Crédito: Arthur Nobre)
Yuri Mussoly, ex-CCO da DM9, ingressou na YouDare no mesmo posto após a conclusão de questões contratuais junto ao Omnicom. A criativa também está à frente do escopo de conteúdo, antes sob o guarda-chuva de Paradela.
Os co-presidentes da aposentada agência da holding norte-americana, Pipo Calazans e Thomas Tagliaferro, atuam exclusivamente como consultores estratégicos da YouDare, focados no atendimento de projetos e clientes da agência. Eles estão à frente da empresa proprietária Blue.Print. O formato de trabalho partiu de um acordo comum entre as partes, por ser o modelo mais adequado no momento.
De acordo com Stephanie, atribuir uma nova função à Paradela foi uma forma de conduzir a empresa para o futuro que vislumbra: pautada pela disrupção e tecnologia, sobretudo a inteligência artificial (IA). A companhia conta um plataforma proprietária de IA, a AIDare, com ferramentas desenvolvidas com base em processos internos.
O desafio, assume o vice-presidente, é construir uma cultura em que os colaboradores sintam-se à vontade para testar a tecnologia sem o receio do erro ou da substituição. “Estamos enxergando como teremos os melhores talentos criativos e estratégicos dentro de casa, mas com o ferramental para fazer com que essa pessoa use melhor o tempo dela”, comenta.
Primeiros passos
A agência estreou com contas herdadas da DM9, extinta após a fusão com a Lew’Lara\TBWA, que deu origem à Lola\TBWA, e vem conquistando novas marcas para a carteira. Os primeiros clientes foram iFood, Decolar, MRV e Pizza Hut e, nos últimos meses, a YouDare ampliou o atendimento à plataforma de delivery, com iFood Benefícios, além de conquistar Kwai e RD Saúde.
Logo nos primeiros meses, entregou projetos como como a participação de iFood no Big Brother Brasil e no Carnaval, os reposicionamentos de marca de Pizza Hut e Decolar, bem como ações voltadas para a Copa do Mundo, com Kwai. Recentemente, colocou na rua, ao lado do grupo detentor das redes de farmácias Raia e Drogasil, a Raia Conceito.
A CSO atribui a tração do primeiro momento à estrutura e respaldo do grupo de Rodolfo Medina. “O diferencial é ser muito tailor made, de acordo com as necessidades dos clientes. É onde temos o poder da potência do Dreamers com nossa independência”, declara Stepanhie.
Questionados sobre o foco das prospecções e participação em concorrências, os executivos citam a cautela: menor foco em segmentos e mais atenção às oportunidades de conexão com o negócio.
Movimento pendular
A YouDare surgiu dos desdobramentos decorrentes da fusão entre o Omnicom e o IPG no Brasil. A reorganização extinguiu DDB, FCB e MullenLowe, redes históricas da indústria publicitária global. O movimento culminou na demissão de mais de 4 mil pessoas.
A relação das fusões e da atual situação dos grandes conglomerados abre um espaço de questionamento e crítica, diz Paradela. “Se por um lado temos um monte de marcas morrendo, por outro, temos nascendo o grupo Galeria; a Gut, que já virou uma outra holding; a Eyxo, no Rio Grande do Sul; agora a YouDare; a Suno”, exemplifica, citando operações independentes como uma resposta à tendência do mercado.
“Quem regula o mercado, no fim das contas, acaba sendo ele próprio, quando tudo começa a ficar meio parecido, pasteurizado”, afirma. “Na nossa indústria, é difícil colocar todo mundo em uma caixinha. Somos criativos”.
Stephanie corrobora, pontuando a demanda do mercado por eficiência: “Quando a eficiência engessa, o mercado também vai abrir portas para que surjam mais agências independentes onde o diferencial será uma empresa mais facilmente adaptável à situação de cada cliente”, diz.
