Inteligência artificial

IA ganha estruturas próprias em agências e produtoras

Empresas criam plataformas e divisões para transformar uso experimental da tecnologia em processos estratégicos

i 28 de agosto de 2026 - 6h00

IA agências produtoras

(Crédito: Kornkanok/Stock.adobe.com)

Desde que o ChatGPT foi lançado, em 2022, a inteligência artificial generativa (GenAI) tornou-se parte do dia a dia das pessoas e, consequentemente, das empresas. Apesar disso, o principal desafio é ampliar a maturidade de uso da tecnologia e transformá-la em uma ferramenta capaz de gerar impacto real nos negócios, segundo o estudo AI Pulse Survey, realizado pelo Publicis Groupe.

Com o objetivo de apoiar as agências na conversão dessa tecnologia em valor tangível e inteligência de negócios, o Espaço de Articulação Coletiva do Ecossistema Publicitário (Abap), anunciou, na quinta-feira, 27, a criação de um comitê de inteligência artificial (IA).

Com caráter técnico e colaborativo, o comitê pretende reunir agências de diferentes portes e regiões do Brasil para trocar experiências, debater desafios e construir referências para o uso da inteligência artificial nos processos do setor.

Enquanto entidades do setor buscam criar referências comuns para o uso da IA, nos últimos meses, agências e produtoras vêm estruturando áreas, divisões ou plataformas próprias dedicadas à IA, em uma tentativa de transformar o uso experimental da tecnologia em processos mais estruturados.

O movimento mais recente nesse sentido aconteceu nesta semana, com a Global lançando a Global Studio, divisão dedicada à produção potencializada por inteligência artificial generativa (GenAI).

Também nesta semana, a GPeS, agência especializada em comunicação para o setor da saúde, comunicou a criação de núcleo de inovação para ajudar empresas a compreender como elas aparecem nas respostas produzidas por plataformas de inteligência artificial.

Por sua vez, a YouDare, agência do Grupo Dreamers, lançada há seis meses, construiu uma plataforma proprietária intitulada AIDare, que reúne ferramentas desenvolvidas com base em processos internos da agência.

IA na produção

A IA também avança no dia a dia das produtoras – inclusive na criação de algumas delas. É o caso do Estúdio Akkira, fundado por Marcelo Fernandes Ferreira, que chegou ao mercado de audiovisual em julho deste ano com o objetivo de transformar GenAI em linguagem criativa.

A Freitag, produtora dos diretores criativos Bruno Deos e Felipe Teixeira, também chegou ao mercado neste mês com foco no desenvolvimento de campanhas, filmes e projetos visuais que combinam inteligência artificial, direção criativa e tecnologia. Sua proposta é integrar a tecnologia aos processos de criação de maneira estratégica, em vez de tratá-la apenas como ferramenta de produção.

O movimento de agências abrindo áreas voltadas à IA, porém, não é recente. Em outubro do ano passado, a  iD\TBWA inaugurou o IA\LAB, espaço dedicado à formação contínua e colaborativa em IA. Em junho de 2025, a Cappuccino, agência criativa do Coletivo Weber Shandwick, também formalizou uma área dedicada ao tema e contratou de Mario Campello como especialista na área.