Paradoxo do SEO: importância é clara, mas execução ainda não
Pesquisa da i-Cherry, agência do WPP Media, indica a maturidade, os desafios e o futuro do segmento com a IA

Pesquisa da i-Cherry mostra que 53% das companhias não têm um plano de ação claro com relação ao SEO (Crédito: Dee Karen/Shutterstock)
Apesar de existir um consenso do mercado de marketing sobre a importância do SEO (Search Engine Optimization), ou seja, na “otimização para motores de busca”, ainda há um gap entre intenção e execução dessa disciplina. Isso é o que mostra a pesquisa “Overview do SEO no Brasil em 2025”, realizada pela i-Cherry, agência de performance digital do WPP Media.
O estudo indica que 74% das empresas consideram o SEO essencial ou muito importante para alcançar seus objetivos de marketing. No entanto, 53% das companhias não têm um plano de ação claro ou simplesmente fazem otimizações sem um objetivo definido. Além disso, a pesquisa mostra que empresas que possuem objetivos e planos definidos conseguem implementar otimizações com uma frequência três vezes maior (72%) do que aquelas que operam sem um mapa estratégico (22%).
Vinícius Nunes, diretor de mídia, SEO e novos negócios na i-Cherry, reforça que essa lacuna estratégica acontece, na maioria das vezes, porque as empresas ainda enxergam o SEO como uma disciplina isolada. “O resultado disso é, muitas vezes, um profissional de marketing sobrecarregado, tentando dar conta de várias frentes e resolvendo apenas tarefas operacionais e isoladas, em vez de conectar o canal orgânico com o resto da estratégia da empresa”, complementa.
Para superar esse cenário, o primeiro passo, segundo Sandi Wagner, coordenadora de SEO e responsável pela pesquisa, é a empresa definir claramente onde quer estar daqui a 6 ou 12 meses. “Quando temos esse mapa, o SEO deixa de ser apenas uma lista de tarefas técnicas chatas e passa a fazer sentido para todos.”

O novo SEO: como aparecer nas buscas da IA?
A partir daí, Sandi salienta que o profissional consegue atuar como um tradutor, conectando as otimizações aos objetivos reais da empresa, da diretoria, como aumento de receita, geração de leads e ganho de market share. “É essa clareza de planejamento que tira o SEO do isolamento e o transforma em um verdadeiro motor de crescimento para o negócio”, complementa.
A pesquisa revela ainda que, apesar de visto como essencial, o SEO ainda briga por recursos, de tempo e orçamento, e que 47% das empresas dedicam apenas atenção média à disciplina no dia a dia, o que acaba impactando nos resultados obtidos.
Além disso, atualmente, quem lidera a gestão de SEO nas empresas é um time interno (57%), seguida por uma agência parceira (34%). E, na maioria dos casos (47%) mais de um profissional é responsável pela disciplina.
O estudo também indica que 71% de toda implementação de SEO recai sobre os times de tecnologia ou produto interno. E quando a estratégia é da agência, 67% das implementações dependem do time interno do cliente. Por sua vez, quando a estratégia é do time de SEO interno, essa dependência atinge 77%.
A fluidez na comunicação entre os times de marketing e TI é apontada pelo levantamento como o fator que realmente pode “destravar” o potencial do canal. “Para que essa ponte entre marketing e TI realmente funcione e destrave o potencial do canal, o grande segredo é convidar o time de tecnologia para sentar à mesa desde o início”, enfatiza Sandi, reforçando que não podem ser vistos apenas como executores de tarefas, mas como parceiros estratégicos e corresponsáveis pelos resultados do canal orgânico.
Impacto da inteligência artificial
Entre os principais desafios de SEO apontados pelos profissionais no dia a dia estão mudança nos algoritmos (20%), competitividade do mercado (17%), falta de conhecimento técnico interno (15%) e a adaptação à IA (15%).
Inclusive, segundo Nunes, a maior surpresa da pesquisa foi notar que a mudança dos algoritmos do Google foi o principal obstáculo citado pelos entrevistados. “Isso nos chamou muita atenção porque mostra uma tendência do mercado em atribuir a falta de resultados a fatores externos, enquanto o ritmo interno de implementação de SEO ainda é muito abaixo do ideal”, opina.
Ele destaca que, na prática, o Google faz grandes atualizações de algoritmo poucas vezes ao ano, e elas costumam impactar mais os sites que não estão com a “lição de casa” em dia. “Quando a estratégia interna é sólida e as otimizações são feitas com frequência, as mudanças do Google deixam de ser uma ameaça e passam a ser uma grande oportunidade de se destacar da concorrência”, complementa.
O impacto da IA sob essa disciplina também tem sido uma preocupação imediata para 75% das empresas. No entanto, enquanto 43% já estão agindo proativamente para se adaptar, 32% estão preocupados, mas ainda avaliando as mudanças, 15% estão cientes, mas preocupados e 9% não estão cientes.
“Com as respostas geradas por IA, por exemplo, aparecendo direto na página de resultados do Google, é natural que muitos sites sintam uma redução da visibilidade e de cliques. Mas o primeiro passo é acalmar os ânimos e entender que esse é um impacto global”, comenta Nunes.
Na visão do diretor, o grande risco é ignorar essas transformações e ficar para trás na mudança de comportamento do consumidor que já está acontecendo. Outro problema que surge nesse cenário é a desinformação. “Vemos em muitas discussões um tom de pânico que assusta os clientes e não ajuda a criar planos de ações reais. Precisamos desmistificar isso”, diz.
Nunes destaca que as ferramentas de IA usam os resultados orgânicos do Google, por exemplo, como uma das bases para criar suas respostas. “Ou seja, fazer um bom GEO (Otimização para Motores Generativos) é, na essência, fazer um excelente SEO”, complementa, ressaltando que o caminho é incorporar novas estratégias à estratégia de SEO que já existe. “Elas são disciplinas complementares, nunca excludentes”, argumenta.
Metodologia
Para chegar nesses resultados, a i-Cherry entrevistou mais de 50 profissionais de marketing de empresas que representam os principais motores da economia brasileira, com maior engajamento de setores dinâmicos como: tecnologia, financeiro e varejo. As respostas foram coletadas por meio de um formulário, entre outubro e novembro de 2025.
