É preciso combater as verdades absolutas?
Diretor-geral de criação da NBS, Carlos André Eyer acredita que uma visita à Bienal de Veneza é mais rica para um publicitário do que ir ao Festival de Cannes
Formado em desenho industrial pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Carlos André Eyer, conhecido como Dedé, diretor-geral de criação e operações da NBS, teve o Estúdio Portinari como trajeto para a publicidade. Convidado por um professor para fazer um teste na empresa, herdou sua cadeira na Casa da Criação. “Ela abriu meu universo”, afirma.
Dedé passou pela Giovanni+DraftFCB, Africa, Santa Clara e chegou à NBS há dois anos. O carioca recorda com saudade da antiga geração da publicidade, mas acha a propaganda atual mais legal. “Minha crença final é que a essência é a mesma desde sempre: contar boas histórias que façam as pessoas se engajar.”
Ele não trabalha com consumidores. Os clientes são, antes de tudo, pessoas que devem ser atraídas para se tornarem potenciais consumidores, diz. O publicitário avalia que é monumental o número de formatos para as campanhas e a interatividade. “É tudo mais rico e divertido.” Um criativo, argumenta, deve oferecer soluções para o problema do cliente, seja no online, no papel, na TV ou no rádio. “Não consigo entender quem acha ruim ter mais disciplinas”, reclama.
A função da publicidade é criar relações profundas entre marcas e pessoas, defende. Por isso, o alinhamento de contas chega a ser injusto em alguns casos. “É impossível olhar para a Nike sem a Wieden + Kennedy. É uma relação sólida e não dá para opor-se contra isso.” Mas é nas campanhas integradas que Dedé vê a inteligência da propaganda. “Quando entra um break comercial, a relação das pessoas já é suspeita. Elas sabem que tem alguém ali querendo vender um produto. Não são bobas.”
E é preciso buscar novas influências. “Sempre bebemos da mesma fonte, a publicidade é autoinfluenciada e não concordo com isso”, afirma. “É mais necessário enviar um profissional da agência para a Bienal de Veneza do que ao Festival de Cannes. É preciso ver que existem diferentes formas de lidar com a vida e combater as verdades absolutas. Há outras formas de encarar a vida. E a publicidade também”, aconselha.











