Comunicação

Raiza Costa: “Não sinto que tenho concorrentes diretos”

Expandindo sua produtora no Brasil, diretora criativa usa gastronomia como base narrativa e estética

i 8 de maio de 2026 - 6h00

Raiza Costa na campanha Romeu e Julieta para L’Occitane au Brésil (Créditos: Divulgação)

Raiza Costa na campanha Romeu e Julieta para L’Occitane au Brésil (Créditos: Divulgação)

Raiza Costa acredita que a criatividade nasce da experiência humana, da observação do cotidiano e das vivências fora das redes sociais. Conhecida pelos programas Rainha da Cocada, Doce Califórnia e Fatias da Vida, do GNT, além de The Sweet Side of Life, do canal americano Food Network, também foi pioneira no YouTube ao criar, em 2010, o primeiro canal da plataforma dedicado à confeitaria.

À frente da Dulce Delight Production, produtora e estúdio criativo independente fundado em Nova York, nos Estados Unidos, há mais de uma década, ela agora expande a operação com a abertura de um escritório no Brasil, ao lado da produtora executiva Nicole Ignacio, responsável pela estruturação operacional e organização das produções.

Nascida no universo da gastronomia e da confeitaria, a produtora ampliou sua atuação ao longo dos anos para áreas como beleza, moda, comportamento e entretenimento.

Hoje, desenvolve campanhas e projetos autorais para TV, digital e mídia impressa, conectando storytelling, linguagem visual e narrativas sensoriais.

“A Nicole trouxe uma visão empresarial muito mais forte. A gente virou realmente uma empresa mais parruda, com capacidade de atender clientes em paralelo mantendo a mesma qualidade, sem deixar de ser boutique”, explica Raiza.

Entre os clientes, estão marcas como L’Occitane au Brésil, Bacio di Latte, Unilever e Renner, além de trabalhos para o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e o Senac.

Criatividade gourmand

A comida é a primeira linguagem criativa de Raiza e a base de suas narrativas. A diretora afirma que foi por meio dela que aprendeu a contar histórias, criar conexão e traduzir sentimentos de forma visual.

“Comida é uma coisa que todo mundo entende em algum nível, porque sempre existe uma memória afetiva, sensação ou experiência ligada à ela”, conta.

Para ela, o público é capaz de compreender narrativas e estéticas “menos óbvias” sem que isso se torne incompreensível. “É possível criar algo interessante, inteligente e pop ao mesmo tempo. Não trato o meu cliente como imbecil”, afirma.

“Prefiro criar uma história para você entender por que, para mim, isso faz sentido ser vendido a você. É respeito pelo consumidor”, completa.

Experiência como criação

A relação com marcas, por sua vez, também passa por critérios pessoais e criativos. Segundo ela, a escolha dos projetos envolve alinhamento com valores e com a forma como acredita que a publicidade deve se comunicar.

“Me posiciono muito mais pelos ‘nãos’ que eu dou do que pelos ‘sins’. Tem marcas que simplesmente não consigo representar porque não fazem sentido para aquilo em que acredito como pessoa e como criadora”, diz.

“Não sinto que tenho concorrentes diretos, porque ninguém tem a mesma trajetória, referências e maneira de enxergar o mundo que eu tenho. O trabalho criativo nasce muito da experiência de vida de cada pessoa”, destaca.

Essa estratégia também aparece quando está à frente das câmeras. Raiza afirma que essa presença está ligada ao processo criativo e à construção das narrativas, e não à ideia de influenciadora.

“É sobre dar corpo à história que está sendo contada. Em alguns projetos apareço porque aquilo faz parte da narrativa, do universo criativo, e não de uma dinâmica de exposição pessoal ou de influência digital”, compartilha.

Inteligência artesanal

Questionada sobre o avanço da inteligência artificial na publicidade e no audiovisual, Raiza frisa que, embora reconheça a presença crescente da tecnologia no mercado, prioriza processos manuais que valorizam produções com cenografia física e equipes multidisciplinares, o que define como “inteligência artesanal”.

“Não é que eu seja contra a IA. Eu acredito muito no processo humano e no valor das experiências reais dentro da criação. Não é uma negação da tecnologia, é uma escolha de método”, explica.

Ela afirma que esse modo de operação não é apenas uma preferência estética, mas uma forma de manter autenticidade no trabalho: “Você quer ser criador ou reprodutor? Para criar, você precisa dominar a sua própria história. Se não reconhece o que viveu, vai acabar só repetindo o que já existe”, finaliza.