Afropunk Brasil quer ser mais do que um festival
Sexta edição em Salvador confirma Banco do Brasil, Heineken, Coca-Cola e GOL Smiles como patrocinadores

Rose Sousa, diretora de negócios da IDW Company, responsável pelo Afropunk Brasil (Créditos: Divulgação)
O Afropunk Brasil amplia sua presença com a realização de edições do Experience no Terreirão do Samba, no Rio de Janeiro, em 15 de agosto, e, pela primeira vez, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife, em 12 de setembro, com patrocínio da Visa BB, Heineken e Coca-Cola.
A expansão antecede a sexta edição principal, realizada nos dias 7 e 8 de novembro, no Parque de Exposições, em Salvador, com patrocínio de Banco do Brasil, Heineken, Coca-Cola e GOL Smiles. Outras marcas ainda estão em fase de negociações para participar.
A força da economia negra
Com essa movimentação, a IDW Company, responsável pela plataforma, projeta um crescimento de 15% a 20% em público e impacto econômico neste ano, na comparação com 2025.
Para Rose Sousa, diretora de Negócios da agência, um dos principais desafios para ampliar o festival ainda é fazer o mercado compreender a real dimensão financeira da população negra.
“O mercado ainda precisa fazer a leitura da população negra enquanto consumidora e enquanto potencial econômico que move a economia do Brasil. Não é um projeto de nicho. É um projeto feito para a maioria da população brasileira”, disse.
Em 2025, o Afropunk impactou mais de 12 milhões de pessoas em suas frentes digitais e presenciais. Desse total, a plataforma reuniu 75 mil pessoas em seus eventos presenciais.
Apenas a edição de Salvador recebeu 63 mil participantes e movimentou R$ 130 milhões na economia formal da cidade, segundo levantamento da organização.
Cerca de 65% do público da capital baiana veio de fora da cidade, atraindo visitantes de todos os estados brasileiros e de 36 países. Entre os turistas internacionais, Estados Unidos, Reino Unido e França lideraram o fluxo.
Experience amplia atuação da plataforma
Criado em 2024, o Afropunk Experience já passou por Belém, São Luís, São Paulo e Rio de Janeiro.
Neste ano, a capital fluminense se torna a primeira cidade a receber uma segunda edição, contando com atrações como Rachel Reis, Ciça, Carlos do Complexo, Afrolai, Psirico e Slipmami.
Já a estreia em Recife trará encontros como Lia de Itamaracá com Daúde, além do show da rapper Ebony.
“É a oportunidade de gerar um intercâmbio mais próximo com cada cidade. O visual dá espaço a um designer negro local, priorizamos fornecedores da região e contratamos talentos da cidade. Com isso, garantimos autenticidade, fortalecemos a circulação econômica com empresários negros e geramos uma troca cultural onde todo mundo aprende”, destaca Rose.
Curadoria e marcas
Segundo a executiva, os pedidos do público são considerados na escolha das atrações, ao lado de critérios como acompanhar artistas em ascensão, representar diferentes regiões do País, equilibrar nomes consagrados e novos talentos e manter uma programação majoritariamente feminina.
A distribuição dos shows entre os dias também é planejada para criar diferentes fluxos de circulação ao longo do festival.
“A comunidade do Afropunk é fortíssima e muito engajada. A experiência ao vivo é o momento ápice, mas essa troca acontece o ano inteiro. É essa comunidade que contribui ativamente para o desenho da nossa line-up. A relação é tão forte e horizontal que o público deu um apelido ao festival e o chama de AFRY. O público é o nosso ator principal.”
A edição de Salvador reunirá Kehlani, Kelela, FLO, Jorja Smith, Gilberto Gil, Emicida, Criolo, Gaby Amarantos, Lazzo Matumbi, AJULIACOSTA, Fantasmão e NandaTsunami, entre outros artistas, além de mudanças na estrutura física.
Segundo a executiva, Kehlani, Kelela, FLO e Jorja Smith farão suas primeiras apresentações no Brasil fora da região Sudeste, enquanto Gilberto Gil, Fantasmão e NandaTsunami estreiam no festival.

Apresentação em um dos palcos Afropunk Brasil 2025 (Créditos: Anne Kar)
A preocupação em preservar a identidade do Afropunk também orienta a estratégia comercial. Segundo a executiva, a IDW não estabelece parcerias com casas de apostas e exige que patrocinadores e fornecedores sigam um manual de diretrizes antirracistas.
“Uma marca precisa ter abertura e respeito pela comunidade para a qual o evento serve. Existe uma preocupação para que as ativações criem algo memorável e gerem algum benefício para o público”, fala.
Ingressos disponíveis
A venda geral dos ingressos para o Afropunk Experience Rio já está disponível com 20% de desconto para clientes do Banco do Brasil com cartões BB Visa.
Também foi iniciada a pré-venda para as edições de Recife e Salvador, com 30% de desconto para o mesmo público. A venda geral será aberta em 6 de agosto.
Entre os benefícios oferecidos aos clientes BB Visa estão parcelamento em até seis vezes sem juros, acesso via Fast Pass e 10% de desconto na loja oficial do festival.
“Mais do que perseguir recordes de audiência, queremos consolidar o Afropunk Brasil como uma plataforma cultural e econômica de referência na América Latina, capaz de gerar valor para toda a cadeia da economia criativa e fortalecer Salvador como um dos principais destinos de grandes festivais do país e do mundo”, completa Rose.
