Cimed nega acusação de fraude industrial
Suavetex acusa executivos da farmacêutica de usar fórmulas de higiene bucal obtidas em negociação de compra que não se concretizou; Cimed contesta as alegações

João Adibe, presidente e controlador do Grupo Cimed, é alvo de acusação (Crédito: Reprodução LinkedIn)
A Suavetex, indústria de produtos de higiene oral de Uberlândia, acusa o presidente e controlador do Grupo Cimed, João Adibe, a sua irmã e vice-presidente, Karla Marques, e mais cinco executivos da companhia, de fraude industrial e concorrência desleal.
A ação foi protocolada na última terça-feira, 3, no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, e a queixa-crime foi levada para a 1ª Vara Criminal de São Paulo, na quarta-feira, 4.
Na queixa-crime, a Suavetex alega que o executivo e outros integrantes do grupo farmacêutico se aproveitaram de uma negociação de aquisição da empresa para se apropriar da fórmula de seis produtos de higiene bucal, três géis dentais e três enxaguantes bucais.
Os produtos foram lançados em dezembro de 2025 pela empresa de Adibe, com o nome Super. O lançamento, inclusive, ocorreu com a estreia da Cimed no Big Brother Brasil 2026.
No entanto, a compra da Suavetex pela Cimed nunca aconteceu. Segundo informações do Notícias da TV, Adibe teria oferecido pagar R$ 120 milhões pela fabricante, Ronaldo Alves Andrello, dono da Suavetex, aceitou a proposta em 25 de setembro de 2025, porém, cinco dias depois não teve mais respostas do presidente da Cimed.
Segundo a queixa-crime, o próprio presidente da Cimed, João Adibe, fez o registro dos seis produtos junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na negociação, os itens seriam fabricados pela Suavetex, mas seriam vendidos e distribuídos pela Cimed, inclusive, levando o nome Carmed, uma das marcas da farmacêutica de Adibe.
Apesar disso, a Suavetex alega que Adibe cancelou a marca Carmed em agosto de 2025, e que, em outubro do mesmo ano, registrou na Anvisa os “mesmos seis produtos sob a marca Super”, porém, com outra fabricante.
Na petição, a fabricante mineira cita, ainda, uma projeção de Adibe que revela que a categoria de higiene bucal da Cimed poderia alcançar R$ 1 bilhão em vendas em 2026.
Na ação, a Suavetex pede uma indenização mínima de R$ 10 milhões por danos morais, além dos danos materiais, cujo valor deve ser apurado posteriormente. A fabricante também pede a condenação dos sete executivos por concorrência desleal, com pena de três meses a um ano de detenção, ou multa, para cada uma das infrações apontadas.
Em nota enviada à reportagem, a Cimed nega as acusações e afirma que a queixa-crime noticiada configura “mais uma tentativa da Suavetex de reverter, por outra via, as sucessivas derrotas que vem sofrendo na esfera cível”. A Cimed também diz que “confia que o Poder Judiciário, como já fez, reconhecerá a improcedência das alegações”.
Relação com a Globo
O processo ainda cita a Globo, um dos veículos de comunicação nos quais a Cimed anuncia e faz ações de publicidade.
Segundo informações do Notícias da TV, o CEO da Globo Ventures, vertical de investimentos da Globo, e o apresentador Luciano Huck foram relacionados como testemunhas no processo. Apesar não serem acusados de nada, eles poderão ter que explicar na Justiça a sociedade que mantêm com a Cimed.
Na petição, a Suavetex pede que Marinho Neto e Huck informem se sabiam da suposta manobra de Adibe para mudar o nome da linha de produtos para higiene bucal desenvolvida pela fabricante mineira.
De acordo com informações do Notícias da TV, a fabricante desconfia do fato de a mudança ter sido tomada em 5 de agosto de 2025, mesmo dia em que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou uma joint venture entre a Cimed, a Globo Comunicação e Participações e a Joatinga (de Luciano Huck). A empresa foi registrada como Cilab S.A.
A respeito da relação com a Globo, a Cimed afirma, em nota, que a linha Super se trata de marca de sua titularidade e que não integra a joint venture firmada com a Globo e não pertence à Cilab. A empresa ainda reforça que a campanha da Super veiculada no BBB 26 foi contratada e paga diretamente pela Cimed.
Confira o posicionamento da Cimed na íntegra abaixo:
“A Cimed esclarece que suas relações com fornecedores são conduzidas com base na boa-fé, no equilíbrio contratual e na transparência, sempre com diálogo aberto e respeito aos termos acordados no momento da contratação e estrito cumprimento à legislação.
Inclusive, esse posicionamento tem sido reconhecido de forma consistente pelo Poder Judiciário, tanto em decisões de primeira quanto de segunda instância, que vêm reiteradamente negando os pedidos apresentados pela Suavetex.
Nesse contexto, a Cimed acredita que a queixa-crime noticiada configura mais uma tentativa da Suavetex de reverter, por outra via, as sucessivas derrotas que vem sofrendo na esfera cível. A Cimed confia que o Poder Judiciário, como já fez, reconhecerá a improcedência das alegações.
Quanto à linha Super, a Cimed esclarece que se trata de marca de sua titularidade, que não integra a joint venture firmada com a Globo e não pertence à Cilab. A campanha da Super veiculada no BBB 26 foi contratada e paga diretamente pela Cimed.
Por se tratar de matéria em curso no Poder Judiciário e sujeita a segredo de justiça, a Cimed não comentará os demais pontos.
Por fim, a Cimed registra que considera especialmente grave a tentativa da Suavetex de transformar uma controvérsia comercial, marcada pelo insucesso das medidas adotadas na esfera cível, em uma verdadeira aventura jurídica de natureza criminal, com acusações levianas contra João e os demais sócios e representantes envolvidos. A Companhia não admitirá imputações falsas ou infundadas que atinjam a honra e a reputação de seus representantes. Acusações dessa natureza terão consequências jurídicas, e a Cimed adotará todas as medidas cabíveis, nas esferas cível e criminal, para responsabilizar seus autores.”
A defesa da Cimed pode alegar que o prazo de seis meses para a ação venceu, uma vez que a Suavetex notificou a companhia e entrou com uma interpelação judicial em outubro de 2025. A fabricante, no entanto, alegou que o prazo só começou a correr em julho de 2026, quando o laudo foi concluído.
