Compras Calmas: como o varejo está avançando em inclusão?
Embora emergentes, iniciativas, como a da Sephora, ajudam a materializar transformação do segmento
A partir da terça-feira, 18, as lojas da Sephora passam a oferecer no Brasil o Compras Calmas, iniciativa que promove um ambiente que de compras mais tranquilo para pessoas que precisam de uma experiência com menos estímulos.

Compras Calmas acontecerá todas as terças-feiras, das 10h às 12h e das 20h às 22h, e aos sábados, das 10h às 12h (Crédito: jarretera-shutterstock)
O projeto já faz parte da estratégia global da marca e a chegada ao Brasil foi anunciada ainda em julho. O Compras Calmas acontecerá todas as terças-feiras, das 10h às 12h e das 20h às 22h, e aos sábados, das 10h às 12h.
Na prática, durante o período, as unidades terão a música ambiente desligada, iluminação reduzida, suspensão da aplicação de fragrâncias e ajustes em telas e outros estímulos visuais.
Para Marcela Carvalho, especialista no segmento de beleza e gerente de projetos da Gouvêa Consulting, além de um compromisso individual de Sephora com a inclusão e a experiência dos consumidores neurodivergentes, o movimento ajuda a materializar o início de uma transformação no varejo físico.
As lojas, historicamente pensadas em uma perspectiva de padronização, estariam começando a incorporar uma lógica mais individualizada, que considera as necessidades e particularidades dos consumidores. Ela cita o conceito de design universal, cunhado pelo arquiteto Ron Mace, que visa garantir a criação de produtos, ambientes e serviços que possam ser usados por todas as pessoas e garantam a autonomia.
E outros exemplos, como as embalagens da marca de beleza Rare Beauty, que focam na acessibilidade e o design anatômico, ou a rede holandesa de supermercados Jumbo que criou um caixa de atendimento mais lento para consumidores que desejam conversar e interagir com os operadores.
“Isso não é benéfico só para quem é neurodivergente. Você consegue acolher muitos perfis e pessoas. Ainda são iniciativas emergentes, mas acho que é um movimento que tende a ser, cada vez mais, percebido e reconhecido como um diferencial no varejo à medida que você sai dessa lógica de padronização e começa a pensar o consumidor no centro e reconhecer diferentes consumidores”, defende Carvalho.
Luiz Alberto Marinho, fundador da Leading an Advanced Mallscape (LAM), enxerga a iniciativa mais como uma expressão do posicionamento de Sephora do que como uma tendência para o varejo. Mas, reconhece como uma vantagem competitiva.
“Do ponto de vista objetivo, ele vai ter um espaço para consumidores que buscam ou precisam desses ambientes mais calmos. De outro lado, tem um ganho de imagem bacana porque mostra uma marca preocupada com a inclusão e com todos os consumidores. Então, nesse sentido, sim, é uma vantagem competitiva”, opina Marinho.
Os analistas também concordam que, do ponto de vista operacional, a medida é replicável em outros segmentos. “Você, hoje, já tem shoppings com salas sensoriais, cinemas que fazem sessões exclusivas para pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Ela é replicável”, aponta o fundador da LAM.