Eleições 2026: como a polarização impacta o consumo?
Estudo do IBDP revela que apoio aos candidatos pode gerar queda na intenção de compra de uma marca
Falta pouco mais de um mês para os brasileiros irem às urnas escolher o presidente da República, governadores, senadores e deputados. Nesse contexto, o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBDP) investigou o impacto da polarização política no consumo com o estudo “A política entrou no carrinho – O que o consumidor brasileiro realmente faz quando a marca se posiciona”.

(Crédito: Rafael-Henrique-stockadobecom)
Ao todo, foram coletadas as respostas de 1,1 mil pessoas, das cinco regiões do País, em um modelo experimental. Ao invés de perguntar se o consumidor boicotaria determinada empresa, os participantes foram apresentados a diferentes cenários envolvendo uma marca fictícia e o estudo mediu as alterações na sua intenção de compra.
A metodologia simulou o impacto de um boato de que o executivo da marca em questão apoiava o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o candidato Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais. O resultado foi que, para ambos os candidatos, houve uma queda na intenção de compra da marca.
Para Lula, a queda na intenção de compra na comparação com o anúncio neutro – ou seja, sem o boato sobre o apoio – foi de 14%. Já para Flávio Bolsonaro a redução foi de 16%.
O estudo também revela uma assimetria. Isso porque, no contexto de polarização, a marca perde mais consumidores entre os adversários políticos do que consegue conquistar entre os aliados.
No cenário pró-Lula, há um ganho de7% de consumidores com alta intenção de compra no próprio campo político. Porém, no campo oposto, a perda é de 19%. No universo pró-Flávio Bolsonaro, o apoio chega a 23%, mas o boicote alcança 44% no campo oposto.
Na base geral do estudo, 44% dos respondentes dizem aprovar o governo atual, enquanto 56% desaprovam. A análise do IBDP traça um paralelo entre o nível de desaprovação e a situação econômica.
Na pesquisa, duas em cada três pessoas que diziam desaprovar o governo se veem financeiramente limitadas. Outras 20% julgam estar razoáveis e 14% confortáveis. Entre os entrevistados que aprovam o governo, 34% estão limitados, 33% razoáveis e 33% confortáveis.
Porém, a aprovação ao governo impacta pouco a decisão do consumidor. De acordo com o levantamento, a intenção média de compra no grupo favorável foi de 7,3/10, na comparação com 6,8/10 registrados pelo grupo desfavorável.
O estudo indica, ainda, que o alinhamento com causas, como a sustentabilidade, não é lido como um posicionamento político explícito e a reação na intenção de compra varia pouco entre favoráveis e desfavoráveis ao atual governo.