COMPORTAMENTO

Eleições 2026: como a polarização impacta o consumo?

Estudo do IBDP revela que apoio aos candidatos pode gerar queda na intenção de compra de uma marca

i 1 de setembro de 2026 - 6h00

Falta pouco mais de um mês para os brasileiros irem às urnas escolher o presidente da República, governadores, senadores e deputados. Nesse contexto, o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBDP) investigou o impacto da polarização política no consumo com o estudo “A política entrou no carrinho – O que o consumidor brasileiro realmente faz quando a marca se posiciona”.

Mão segurando título de eleitor com urna eletrônica da Justiça Eleitoral ao fundo.

(Crédito: Rafael-Henrique-stockadobecom)

Ao todo, foram coletadas as respostas de 1,1 mil pessoas, das cinco regiões do País, em um modelo experimental. Ao invés de perguntar se o consumidor boicotaria determinada empresa, os participantes foram apresentados a diferentes cenários envolvendo uma marca fictícia e o estudo mediu as alterações na sua intenção de compra.

A metodologia simulou o impacto de um boato de que o executivo da marca em questão apoiava o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o candidato Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais. O resultado foi que, para ambos os candidatos, houve uma queda na intenção de compra da marca.

Para Lula, a queda na intenção de compra na comparação com o anúncio neutro – ou seja, sem o boato sobre o apoio – foi de 14%. Já para Flávio Bolsonaro a redução foi de 16%.

O estudo também revela uma assimetria. Isso porque, no contexto de polarização, a marca perde mais consumidores entre os adversários políticos do que consegue conquistar entre os aliados.

No cenário pró-Lula, há um ganho de7% de consumidores com alta intenção de compra no próprio campo político. Porém, no campo oposto, a perda é de 19%. No universo pró-Flávio Bolsonaro, o apoio chega a 23%, mas o boicote alcança 44% no campo oposto.

Na base geral do estudo, 44% dos respondentes dizem aprovar o governo atual, enquanto 56% desaprovam. A análise do IBDP traça um paralelo entre o nível de desaprovação e a situação econômica.

Na pesquisa, duas em cada três pessoas que diziam desaprovar o governo se veem financeiramente limitadas. Outras 20% julgam estar razoáveis e 14% confortáveis. Entre os entrevistados que aprovam o governo, 34% estão limitados, 33% razoáveis e 33% confortáveis.

Porém, a aprovação ao governo impacta pouco a decisão do consumidor. De acordo com o levantamento, a intenção média de compra no grupo favorável foi de 7,3/10, na comparação com 6,8/10 registrados pelo grupo desfavorável.

O estudo indica, ainda, que o alinhamento com causas, como a sustentabilidade, não é lido como um posicionamento político explícito e a reação na intenção de compra varia pouco entre favoráveis e desfavoráveis ao atual governo.