Futebol

Fifa se posiciona após crise com a Uefa

Entidade afirma reconhecer e respeitar o feedback e as preocupações das federações e reforça compromisso com a democracia

i 31 de julho de 2026 - 10h32

Fifa afirma que processo de consulta foi interrompido por informações incorretas da mídia (Crédito: ACHPF-shutterstock)

Fifa afirma que processo de consulta foi interrompido por informações incorretas da mídia (Crédito: ACHPF-shutterstock)

Após a Uefa (sigla de União das Associações Europeias de Futebol) e a Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) se posicionarem contra a criação uma subsidiária de propriedade, que seria controlada pela Fifa, para consolidar os direitos comerciais e as operações de eventos, a entidade máxima se posicionou.

Em comunicado enviado à imprensa, a Federação Internacional de Futebol Associação (Fifa) afirma reconhecer e respeitar o feedback e as preocupações manifestadas publicamente pelos membros associados, além de reafirmar seu compromisso com uma consulta aberta e democrática.

A entidade máxima do futebol diz, ainda, que reportagens errôneas na mídia interromperam o processo de consulta planejado.

Veja o comunicado da Fifa na íntegra:

“Ouvimos o feedback das respectivas confederações em relação à proposta de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE) e gostaríamos de abordar as questões que surgiram desde a divulgação inicial na mídia na terça-feira.

Respeitamos os comentários e as preocupações manifestadas publicamente e reafirmamos o nosso compromisso com uma consulta aberta e democrática.

Nosso processo de consulta planejado foi interrompido por informações incorretas da mídia. Prosseguiremos com este processo de consulta para garantir que cada município tenha a oportunidade de expressar seu voto com base em fatos.

A FFE foi proposta unicamente para garantir que todas as Associações Membro da FIFA (AMs) tenham a oportunidade de assumir uma responsabilidade significativa pela oportunidade comercial do futebol em seus respectivos países, e que isso não ocorra em detrimento do espírito ou da governança da FIFA ou do próprio futebol.

Ninguém está vendendo futebol. Isso é algo que a FIFA jamais consideraria.

Todos têm o direito de expressar sua oposição e buscar esclarecimentos adicionais, mas nenhuma entidade pode afirmar representar todas as 211 Associações de Futebol do mundo. Cada Associação de Futebol deve ter a oportunidade de analisar a proposta e participar da definição do seu próprio futuro. Esses são os princípios democráticos da FIFA.

Conforme a proposta:

A FFE transferiria as atividades comerciais e operacionais de realização de eventos da FIFA para uma organização subsidiária que a FIFA possuiria e controlaria permanentemente.

O valor comercial gerado seria compartilhado entre todas as 211 Associações de Futebol, permitindo que cada uma delas fizesse investimentos significativos no futebol em seus respectivos países.

Segundo a proposta, cada Associação de Futebol receberia US$ 20 milhões em financiamento do programa FIFA Forward Development nos próximos quatro anos (2027-2030), independentemente do apoio individual recebido.

Esse aumento de financiamento viria das receitas adicionais geradas pela FFE por meio de uma gestão mais eficaz das operações comerciais da FIFA, em benefício de todas as federações esportivas.

O Programa FIFA Fast Forward consiste em um financiamento único para o desenvolvimento, no valor adicional de 20 milhões de dólares americanos por Federação Australiana (FA) – a participação seria totalmente voluntária para todas as FAs, caso a proposta do FFE seja aprovada – e seria financiado por investimento externo, sem ceder o controle ou alterar a estrutura de governança da FIFA de qualquer forma.

Sem o apoio da maioria das federações nacionais, as atividades comerciais da FIFA permaneceriam inalteradas. A FFE não seria criada.

Esses componentes representam o ponto de partida do processo de consulta e estão abertos à discussão como parte desse processo. Isso pode incluir aprovação, rejeição ou alteração, total ou individualmente.

Esses princípios sustentam a proposta da FFE: financiamento de desenvolvimento sem precedentes, propriedade verdadeiramente global das oportunidades comerciais do nosso esporte e autodeterminação plena por meio de um processo democrático para todas as Associações Militares”.

Crise com a Uefa

A crise entre o órgão europeu e a Fifa se intensificou após a Uefa afirmar que suas 55 federações não participariam de torneios chancelados pela entidade, entre eles a Copa do Mundo feminina que acontece no ano que vem no Brasil, e não concordar com a entrega do torneio de seleções a investidores privados.

Em nota divulgada à imprensa e também em suas redes sociais, a entidade afirmou que a Copa do Mundo não está à venda e que é irresponsável e indefensável que uma proposta de tal importância para o futebol tenha sido concebida “em segredo” e levada à beira da aprovação sem qualquer consulta significativa com aqueles a quem foi confiada a gestão do desporto.

“Isto não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma renúncia ao dever da FIFA enquanto guardiã do futebol mundial”, completava o comunicado.

O que é a Fifa Forward Enterprise?

De acordo com documentos, o Fifa Forward Enterprise é uma adição às várias subsidiárias já existentes, estabelecidas ao longo dos anos, cada uma com suas próprias funções específicas e distintas e nasce com o objetivo de aumentar o valor dessas propriedades em benefício das 211 Associações Membro da FIFA e do futebol em geral, desbloqueando o valor comercial que antes não havia sido aproveitado.

O presidente da entidade, Gianni Infantino afirmou, em comunicação oficial, que a criação da subsidiária é uma oferta, parte de um processo democrático, uma consulta, e acima de tudo uma oportunidade, não uma obrigação.

“Capturar esse valor exige expertise adicional, insights adicionais distintos de governar e desenvolver o esporte”, comentou.

Os planos da entidade é que, com a venda de ações permitiria aumentar o repasse para cada federação filiada O valor cresceria de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões, enquanto a entidade arrecadaria US$ 4,2 bilhões.