The Longevity Academy: como o envelhecer impacta os negócios
Plataforma criada por Miguel Caeiro tem como objetivo preparar empresas e instituições para o aumento da expectativa de vida global
Ao longo dos últimos anos, a sociedade vem sendo atravessada por uma série de transformações — da revolução dos agonistas do receptor de GLP-1 à inteligência artificial e ao envelhecimento da população — que impactam diretamente o comportamento de consumo e estruturas públicas e econômicas.
As mudanças têm conferido relevância à economia da longevidade. Em linha com a tendência, Miguel Caeiro, egresso da VidMob, que encerrou operação na América Latina em 2025, apresenta seu novo projeto, profissional e de vida: a The Longevity Academy, sob o conceito “Not just adding years to your life. Adding life to your years” (Não apenas adicionando anos à sua vida. Adicionando vida aos seus anos, em tradução livre).

Miguel Caeiro, fundador e CEO da The Longevity Academy (Crédito: Divulgação)
A iniciativa nasce da vontade de viver uma vida ativa pelos próximos anos e visa preparar líderes, empresas e instituições para a chamada Era das Vidas de 100 Anos, em que alcançar o centenário deverá ser um feito mais comum. “É uma transformação do modelo de saúde que deixa de estar centrado no médio e no hospital, na fase do gatilho inicial de uma dor ou sintoma, e passa a olhar para nós como pessoas e cidadãos”, cita Caeiro.
Há um gargalo, segundo ele, de componentes centrados em conteúdo, comunicação, pedagogia e acessibilidade para desmistificar e simplificar a temática. A proposta é construir uma plataforma isenta, agnóstica e imparcial para incentivar debates em eventos, podcasts e webinars, por exemplo. A conscientização deverá acontecer em torno de cinco grandes eixos: nutrição, sono, exercícios, saúde mental e conexões sociais.
“O projeto nasce como uma plataforma, de fato, de debate, de construção e de trazer essa aceleração necessária para que tenhamos mais qualidade de vida por mais tempo. Esse é o grande de propósito”, declara.
O CEO e fundador atenta para o fato de que a longevidade não é uma conversa restrita àqueles com mais de 50 anos, atravessados pelo etarismo como tema geracional, sobretudo no mercado de trabalho. “Existe uma defasagem entre a realidade biológica e a realidade da sociedade que foi formatada por contratos desenhados há 40 anos”, exemplifica. Há espaço, defende, para abordar a temática junto a todas as faixas etárias.
Informação e ciência
O conselho da The Longevity Academy reúne especialistas em medicina, longevidade, saúde pública, inovação e negócios para garantir o aprofundamento holístico da atuação.
Participam do Advisory Board nomes como o professor Márcio Abrahão; a médica Vânia Assaly; além dos executivos Bruno Pina, CEO do European Longevity Hub – do qual Vânia também é conselheira – e Maria Laura Nicotero, CEO da nico.ag e Chairman da Women to Watch, à frente das estratégias de comunicação e hospitalidade.
Segundo Caeiro, a atuação conjunta e diversificada garante não somente a isenção de seriedade dos projetos, mas também o componente científico. “Trazemos toda essa experiência acumulada, com uma parceria estratégica gigante, porque não adianta promover ações só no online. Precisamos tangenciar nos contratos e nos encontros com as pessoas, seja a nível gerencial ou da população em geral”, diz.
Apesar do foco de implementação inicial no Brasil e em Portugal, a iniciativa não tem fronteiras e é preparada para a atuação global a longo prazo.
Relação com o mercado
As transformações da sociedade tem impacto direto, consequentemente, no portfólio das companhias, que devem acompanhar e se adaptar aos diferentes momentos de vida dos consumidores.
A The Longevity Academy prevê duas portas de entrada para o mercado. A primeira delas será voltada para a estrutura interna das corporações e melhoria da qualidade de vida dos colaboradores. “Não venderemos soluções e produtos, mas conhecimento e ajuda na consultoria de montagem de um dashboard para diminuir o absenteísmo”, compartilha. Na outra ponta, miram a área de marketing, recrutando marcas para patrocinar e apoiar conteúdos, eventos, conferências, entre outros.
O conselho vem trabalhando na definição de territórios e cartas de princípios para parcerias e patrocínios. “Precisamos estabelecer um limite e defender nossa isenção nessa plataforma como um caminho para a saúde. Obviamente, alguns produtos e marcas não terão fit com isso”, pontua Caeiro, citando, a nível de ilustração, empresas de tabaco.