Marcas próprias avançam e miram público jovem
Categoria teve crescimento 3,8 vezes maior do que marcas tradicionais, no 1º semestre segundo a NielsenIQ
No primeiro de semestre de 2026, as marcas próprias registraram um crescimento 3,8 vezes maior que as marcas tradicionais na cesta do consumidor brasileiro. De acordo com o estudo da NielsenIQ, o volume de vendas das marcas próprias cresceu 10,9% em comparação ao ano anterior.

(Crédito: Drazen Zigic/Shutterstock)
Do lado das marcas tradicionais, no mesmo período, o crescimento registrado foi de apenas 0,7%. Já em termos de faturamento, as marcas próprias avançaram 11,9%, contra 5,7% das demais opções disponíveis. A pesquisa ainda apontou um avanço de 9,8% no ticket médio da categoria e um crescimento na frequência.
Diretora de marketing, vendas e eventos da Amicci, plataforma de execução para marcas próprias e realizadora do evento PL Connection, Michele Zitune, explica que, com a inflação pressionando o orçamento das famílias, o consumidor se torna mais seletivo e as marcas próprias respondem à essa necessidade de custo-benefício.
No entanto, ela defende que o consumidor tende a permanecer na categoria depois da migração. “Não é um movimento de ocasião, é a formação de um hábito novo de compra e isso muda o tamanho da oportunidade para o varejo brasileiro nos próximos anos”, aponta Zitune.
Historicamente, no entanto, os preços mais baixos e o posicionamento focado em acessibilidade das marcas próprias foram associados a uma qualidade inferior nos produtos.
Para a diretora de marketing da Amicci, a virada na percepção do consumidor já aconteceu. “O nosso papel agora, na comunicação com o mercado, é reforçar esse patamar de confiança e mostrar que marca própria não é mais sinônimo de segunda opção. Quando o consumidor já confia no produto, o próximo passo natural é ele confiar também na marca por trás dele”, explica.
Entre as varejistas, além de um canal para aumentar a margem de lucro, as marcas próprias são uma ferramenta de fidelização frente à concorrência crescente no setor com a entrada dos players digitais porque são um ativo próprio da rede.
A comunicação pode influenciar o ponteiro de vendas. Segundo Zitune, produtos de marca própria com identidade visual e sem o nome da varejista estampado na embalagem crescem 18,5% em vendas, enquanto os que carregam só o nome da rede recuam 4,9%.
Quando o assunto são as tendências para os próximos anos, a executiva destaca categorias como mercearia, produtos para o lar e laticínios, assim como um movimento global de premiumização.
“O motor de crescimento hoje é o consumidor mais jovem, que já compra marca própria com naturalidade e vai levar esse hábito para categorias cada vez mais sofisticadas nos próximos anos”, defende Zitune.
