Copa do Mundo

As apostas das emissoras pela atenção durante a Copa do Mundo

Delay entre as transmissões segue sendo um dos assuntos que gera discordância entre as empresas de mídia que exibirão o torneio

i 12 de junho de 2026 - 6h03

CazéTV, Globo e SBT (com a N Sports) disputam atenção do torcedor durante a Copa do Mundo (Crédito: Celina Filgueiras e Divulgação)

CazéTV, Globo e SBT (com a N Sports) disputam atenção do torcedor durante a Copa do Mundo (Crédito: Celina Filgueiras e Divulgação)

Pela primeira vez em muitos anos, os brasileiros poderão acompanhar a Copa do Mundo em três veículos diferentes, acirrando ainda mais a disputa pela atenção do espectador.

E para sair à frente dessa competição, as empresas de mídia apostam, cada uma à sua maneira, em diferenciais que são capazes de atrair a atenção do fã de esporte.

A CazéTV é, hoje, o player que detém mais partidas do torneio. Todos os 104 jogos estarão disponíveis para os espectadores do canal, que tem uma parceria com o YouTube para esses direitos.

No caso do veículo, a aposta para garantir a presença da audiência é um investimento na pulverização de seu conteúdo, por isso fechou parcerias com Prime Video e Disney+ para exibição do torneio em simulcast, além de ter criadores de conteúdo expandindo a cobertura para nichos que vão além do futebol, como é o caso da parceria com a Mauricio de Sousa produções e com o PodDelas.

Já para o SBT, que tem uma parceria com a N Sports, a aposta é em nomes expressivos no meio esportivo, como é o caso de Galvão Bueno, que vai para a sua 14º transmissão de Copa do Mundo, Tiago Leifert, que é um dos responsáveis pela criação da programação e da grade do canal, Mauro Betting, Mauro Naves e outros nomes conhecidos do público.

A Globo, por sua vez, tem um investimento expressivo em tecnologia como seu principal atrativo para essa Copa. A empresa de mídia, estreou nesta quinta-feira, 11, um estúdio com 300 metros quadrados de painel de Led, desenvolvido junto com a Sony, utilizando um painel de Crystal LED, que tem mais brilho e fidelidade de cores.

Com esse recurso, a produção alterna as perspectivas da arquibancada e do cenário, tornando as análises mais visuais e imersivas, além de contar com interatividade.

O tempo é rei na Copa do Mundo

Em meio a essas estratégias, o delay entre as transmissões abre um precedente para uma disputa silenciosa entre as emissoras. Assim como já aconteceu com a corrida pelas métricas — envolvendo YouTube, streamings e TVs — a velocidade de transmissão também está gerando discussões.

Enquanto nesse caso os veículos brigavam para ver quem tinha os melhores e mais corretos dados para os anunciantes, agora a conversa é sobre os segundos de atraso em relação ao lance no estádio.

De acordo com dados divulgados pelo UOL, a rádio FM é o veículo que mantem o menor tempo de atraso entre todas as emissoras, com 1 a dois segundos de diferença em relação ao estádio.

Já a TV, com a antena digital, tem, segundo a publicação, de dois a seis segundos, a TV por assinatura apresenta de quatro a 10 segundos, enquanto o streaming e YouTube podem chegar de 10 a 40 segundos de diferença.

Veículos atacam o atraso

E é justamente na velocidade que as empresas de mídia querem ganhar a atenção dos espectadores durante os jogos, tendo em vista que metade deles são exclusivos da CazéTV — que, nesse caso, não disputará em delay com nenhum veículo — e a outra metade será exibida por pelo menos dois detentores, incluindo os jogos da seleção brasileira.

A Globo e o SBT estão apostando nesses dois fatores para levar vantagem na disputa pela atenção do espectador.

Esse, inclusive, é o ponto que a Globo vem reforçando com o movimento “Fique Antenado”, que busca ampliar o acesso à TV aberta no Brasil. De acordo com a empresa de mídia, essa iniciativa nasceu após a observação de que milhões de pessoas ainda enfrentam dificuldade no acesso ao sinal de televisão.

O canal reforça, ainda, em sua campanha, o mote “Com a antena o grito do gol é na hora certa”, fazendo referência ao delay das outras plataformas.

Além disso, a empresa de mídia afirma que desenvolveu uma tecnologia de baixa latência, para reduzir o atraso nas partidas exibidas no Globoplay, plataforma de streaming da Globo.

Já a CazéTV aposta na sua linguagem e estilo característicos, além da expansão de seu conteúdo, como um diferencial competitivo.