Mídia

Bastidores da Copa: como N Sports e SBT se uniram

Canais aproveitarão as janelas de TV aberta e por assinatura em transmissão em simulcast para espectadores

i 29 de abril de 2026 - 6h03

André Barros, da N Sports, conta bastidores da parceria com SBT para a Copa do Mundo (Crédito: Arthur Nobre)

André Barros, da N Sports, conta bastidores da parceria com SBT para a Copa do Mundo (Crédito: Arthur Nobre)

Pela primeira vez em muitos anos, a Copa do Mundo será exibida por três players diferentes no Brasil.

Esse formato fragmentado, de fato, marca o retorno do SBT à competição após 28 anos.

O investimento, portanto, reforça a consolidação da emissora no esporte.

A entrada de mais um canal de TV aberta na disputa pela atenção do fã de esporte durante a principal competição de futebol do mundo somente é possível graças à parceria com a estreante no torneio, a N Sports.

De fato, o canal tem entre seus executivos Galvão Bueno, voz de 13 Copas do Mundo pela Globo.

O canal de TV paga já tinha o objetivo de trazer uma grande competição para a sua grade.

Por isso, procurou as entidades esportivas para entender quais direitos estariam disponíveis para negociação a fim de encontrar um que se encaixasse no seu portfólio.

Copa não estava no radar

“A Copa não estava no nosso radar, não sabíamos que existia a oportunidade. Fomos ao mercado conversar com os players e com as ligas para entender o que que tinha disponível”, recorda André Barros, coCEO da N Sports e CEO da NWB.

Assim, foi durante um bate-papo com a Federação Internacional de Futebol (Fifa) que a empresa de mídia descobriu que ainda existia a possibilidade do sublicenciamento de um direito para o torneio de seleções.

“Tenho uma boa relação com o pessoal da LiveMode e nos oferecemos para entrar na concorrência”, diz.

Na ocasião, Meio & Mensagem teve acesso a informações que apontavam que esse pacote foi debatido com SBT e Record, mas as conversas não foram para frente.

Barros afirma que a Fifa queria um diferencial para conseguir competir.

“O nosso diferencial foi fazer essa parceria com players de TV aberta e ganhar abrangência de mídia”, diz.

Ao mesmo tempo, a emissora paulista já procurava Galvão para o desenvolvimento de um programa de Copa do Mundo.

O que, de fato, se materializou no Galvão FC e nessas conversas.

Portanto, a N Sports e o SBT fecharam a parceria para a exibição do torneio.

Ocupação de janelas

Na parceria com o SBT, a N Sports passa a ocupar uma janela à qual ainda não tinha acesso: a TV aberta.

Para a Copa, as empresas optaram por transmissão em simulcast, ou seja, a replicação do conteúdo nos dois canais.

Ainda, desenvolveram  um plano de mídia robusto para os anunciantes ocuparem os dois espaços.

Barros assegura que esses dois espaços não se canibalizam, pois aproveitam a clusterização para oferecer um bom conteúdo em janelas que não seriam ocupadas por cada um dos lados.

“Conseguimos compartilhar custos e receitas a partir de janelas que não são diretamente concorrentes”, explica.

Além da TV aberta, a N Sports está no YouTube, no canal proprietário, e por outros canais que fazem parte da NWB, hub de conteúdo digital controlado pela companhia, que oferece o conteúdo de seus criadores.

“Estamos nas plataformas que gostaríamos de estar. Além da TV aberta e por assinatura, estamos nos canais Fast e no digital. Acreditamos muito no crescimento das TVs conectadas”, completa.

Conteúdo compartilhado

Embora, atualmente, a Copa do Mundo seja o principal conteúdo e fontes de esforços dos veículos que cobrem esportes, a N Sports tem em sua grade outras parcerias para a distribuição de jogos.

É o caso do acordo com a Globo para a transmissão do Brasileirão feminino.

Esse é um dos efeitos da fragmentação e encarecimento dos direitos de transmissão e da moeda – especialmente o dólar – que precisam ser feitos para acomodar os diversos esportes.

O executivo, portanto, acredita que essas parcerias são tendência, tendo em vista que o modelo solitário pode não se sustentar.

“Cada vez mais o mercado vai se acomodar para entender como fazer essas parcerias e como não gerar conflito de audiência”, diz.