Mídia

Da crise à Warner: a ascensão de poder da Paramount

Com a Skydance, companhia se fortaleceu e está perto de adquirir a Warner Bros. Discovery, formando uma nova gigante global de mídia

i 27 de fevereiro de 2026 - 18h01

paramount

(Crédito: Shutterstock)

Quem olhava para a situação da Paramount no início de 2024 não imaginaria que, dois anos depois, a companhia de mídia conseguiria derrubar a Netflix na disputa pela compra de outra gigante do segmento do entretenimento global: a Warner Bros. Discovery.

Na época, a companhia, que é dona de marcas como Paramount Pictures, MTV, Nickelodeon, CBS, Comedy Central e outras, vinha um prejuízo de US$ 1,6 bilhão com seu streaming, o Paramount+, em 2023.

Para tentar sair da situação, a empresa já olhava o mercado tentando encontrar alguma solução. Em abril daquele ano, Bob Bakish foi demitido da função de CEO. Ele liderava a Paramount desde 2016, ainda pela Viacom, e passou por duas fusões: a primeira, entre Viacom e a CBS, em 2019, e a segunda dessa companhia resultante com a Paramount, em 2022.

A Paramount não procurou outro CEO para substituir Bakish porque, na época, a companhia já estava à venda. O fundo de capital Apollo Global chegou a oferecer US$ 11 bilhões para compras as divisões de cinema e TV. O negócio, porém, não foi aceito.

A Paramount só definiria seu futuro no ano seguinte, em julho de 2025, quando se uniu à Skydance Media, em uma fusão que movimentou US$ 8 bilhões. Desde então, a Paramount passou a ser liderada por David Ellison, filho do bilionário da tecnologia Larry Ellison, fundador da Oracle.

A fusão entre Paramount e Skydance Media foi aprovada pela Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos.

Na época, a Skydance prometeu injetar novo capital e investir em nova tecnologia para a Paramount, que vinha perdendo espectadores e verbas publicitárias.

O início da disputa pela Warner Bros. Discovery

Em setembro de 2025, logo após a fusão, a Paramount Skydance preparou a primeira oferta pela Warner Bros. Discovery, que já buscava um comprador.

O Wall Street Journal acompanhou os bastidores das ofertas iniciais e já apontava o grande interesse de Ellison em fazer negócio com a WBD. Na época, a imprensa internacional já calculava que o possível negocia criaria uma gigante global do entretenimento, com um portfólio de marcas que ia desde redes de notícias como CBS e CNN até ícones como HBO Max e os estúdios da Paramount e Warner Bros.

Inicialmente, as conversas entre os dois lados não fluíram. Em outubro de 2025, o conselho da WBD rejeitou a oferta inicial da Paramount, de cerca de US$ 20 por ação. As duas empresas, porém, nunca deixaram de dialogar e de tentar evoluir nos negócios.

Em novembro, a Paramount começou a lidar com concorrentes de peso na disputa pela Warner Bros. Discovery, que também fizeram propostas formais: a Netflix e a Comcast.

Netflix quase levou

Tudo parecia perdido para a Paramount no dia 5 de dezembro, quando a WBD e a Netflix divulgaram um comunicado afirmando um acordo para a fusão das duas companhias.

A transação, feita em dinheiro, envolveria o pagamento de US$ 27,75 por ação, sendo que o valor total da empresa ficará em torno de US$ 82,7 bilhões. Desse montante, o valor patrimonial de US$ 72 bilhões.

Até mesmo os assinantes da Netflix foram informados, através de um e-mail, que em breve o portfólio das duas gigantes de streaming (Netflix e HBO Max) seria unificado.

A Paramount, porém, não desistiu diante do que já parecia definido. Logo depois, no dia 8 de dezembro, a Paramount fez uma oferta hostil pela WBD, ampliando os valores oferecidos.

A oferta da Paramount foi e US$ 30 por ação, o que equivale a US$ 108,4 bilhões – mais do que a Netflix havia acordado.
Pouco mais de uma semana depois, os conselheiros da Warner recomendaram à rejeição à oferta hostil da Paramount, sinalizando a preferência pela manutenção da negociação com a Netflix.

Já em janeiro, a Paramount abriu um processo contra a Warner, pedindo detalhes sobre informações financeiras detalhadas nas quais a empresa teria se baseado para se decidir pela Netflix.

Os ânimos se acalmaram um pouco e, no último dia 10, a Paramount melhorou sua oferta, adicionando a “taxa de marcação” (ticking fee) para sinalizar confiança regulatória, entre outros novos elementos. O valor, no entanto, permaneceu o mesmo já oferecido antes: US$ 30 por ação, em dinheiro, o que equivale a US$ 108,4 bilhões.

As conversas seguiram e, na segunda-feira, 23, a Paramount apresentou novamente sua proposta, melhorando a quantia inicial de US$ 108,4 bilhões, chegando a US$ 31 por ação, e deixando claro o objetivo de sanar as eventuais preocupações da Warner Bros. a respeito do financiamento.

A reviravolta

Nessa quinta-feira, 26, tudo mudou quando a Warner Bros. Discovery, em comunicado, afirmou estar analisando a proposta da Paramount e deu à Netflix quatro dias para apresentar uma nova proposta.

Surpreendendo quem acompanhava as negociações, a Netflix, via comunicado, declarou que não apresentaria uma nova oferta e que preferia deixar a negociação.

Os coCEOs da Netflix, Ged Sarandos e Greg Peters, divulgaram que o acordo “não é mais financeiramente atraente” e que “sempre foi bom se fosse pelo preço certo, e não obrigatório a qualquer preço.”

Disseram, ainda, que “a transação que negociamos teria criado valor para os acionistas com um caminho claro para a aprovação regulatória. No entanto, sempre fomos disciplinados e, pelo preço exigido para igualar a última oferta da Paramount Skydance, o acordo não é mais financeiramente atraente, então estamos recusando igualar a proposta da Paramount Skydance.”

“A Warner Bros. é uma organização de classe mundial, e queremos agradecer a David Zaslav, Gunnar Wiedenfels, Bruce Campbell, Brad Singer e ao Conselho da WBD por conduzir um processo justo e rigoroso”, acrescentaram. “Acreditamos que teríamos sido fortes guardiões das marcas icônicas da Warner Bros., e que nosso acordo teria fortalecido a indústria do entretenimento e preservado e criado mais empregos de produção nos EUA”, completaram.

A saída da Netflix abre caminho para que WBD e Paramount finalmente firmem o acordo, criando, assim, uma nova gigante do entretenimento global.

A Paramount também concordou em pagar a taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões de dólares que a Warner Bros. teria que pagar à Netflix para encerrar o acordo de fusão existente.