Indonésia começa a restringir redes sociais a adolescentes
Regulamentação foi aprovada no início de março; país é mais um a banir o acesso de menores de 16 anos a plataformas digitais
A Indonésia junta-se oficialmente ao grupo de países que vêm implementando restrições ao acesso de adolescentes a redes sociais.
Neste final de semana, o país passou a proibir de forma gradual que menores de 16 anos criem contas em plataformas como TikTok, Facebook, Instagram. A medida vale também para jogos como o Roblox e deverá se aplicar a cerca de 70 milhões de crianças localmente.

Governo da Indonésia quer proteger crianças e adolescentes do vício causado pelas redes sociais (Crédito: Arief Permana/Shutterstock)
A regulamentação foi aprovada no início do mês, e a Indonésia é o primeiro do sudeste asiático a implementar a medida. À época, Meutya Hafid, ministro das Comunicações e Assuntos Digitais do país, defendeu a proteção de crianças è exposição à pornografia, ao cyberbullying, à fraude online e, especialmente, ao vício causado pelos algoritmos.
A regulamentação segue os passos da decisão tomada pelo governo australiano em dezembro de 2025, tornando-se a primeira nação a oficialmente proibir o acesso de menores de 16 anos às plataformas digitais. O movimento resultou na suspensão de mais de 4,7 milhões de contas.
O tema vem ganhando atenção crescente entre líderes globais desde o ano passado. Em janeiro, o presidente francês Emmanuel Macron, que já vinha abordando a temática, demonstrou urgência em banir o acesso a redes sociais a adolescentes. “O cérebro de nossas crianças e adolescentes não está à venda. Suas emoções não estão à venda, nem por plataformas americanas, nem por algoritmos chineses”, pontuou Macron em declaração.
Outros países, como a Dinamarca, Grécia, Espanha e Irlanda também consideram seguir os mesmos passos da Austrália.
Big techs no radar
Na última semana, a Meta e o Google foram condenadas pelo vício de crianças e adolescentes em redes sociais. As empresas foram consideradas culpadas em julgamento em Los Angeles, nos Estados Unidos, fruto de ação aberta por uma jovem de 20 anos, que alegava que atribuiu ao vício em redes sociais questões como ansiedade, dismorfia corporal e depressão.
Com a decisão, as gigantes da tecnologia deverão pagar US$ 3 milhões em indenização compensatória à autora.
Anteriormente, na terça-feira, 24, a companhia de Mark Zuckerberg já havia sido condenada pelo júri do Novo México. Concluiu-se que a Meta teria violado a lei de proteção ao consumidor ao permitir a exploração sexual infantil por meio de suas plataformas. A condenação foi inédita por uma ação do tipo e implicou em uma multa de US$ 375 milhões.
Conforme apontou a Reuters, a Meta afirmou agir com transparência a respeito do fato de não conseguir monitorar todo o conteúdo prejudicial que circulam em suas plataformas.
