Mundial de 2030: começam as disputas pelos direitos
Transmissão é a maior fonte de receita da Fifa, estimada entre US$ 3 bi a US$ 4 bi a cada ciclo da competição
A Copa do Mundo deste ano está prestes a terminar e, no mundo todo, empresas de TV aberta, paga, streaming e plataformas digitais já estão nas conversas iniciais com a Fifa sobre os direitos de transmissão do Mundial de 2030, que acontece daqui a quatro anos.
Como nesta edição, a Copa de 2030 acontecerá em três países-sede: Espanha, Marrocos e Portugal.
Da mesma forma, o maior evento esportivo do mundo deve fragmentar, novamente, a atenção do espectador globalmente.
A previsão é que, até o próximo domingo, 19, quando acontece a final desta Copa, a audiência global chegue, no acumulado, entre 5 bilhões e 6 bilhões de pessoas.
Audiência massiva
Por conta dessa audiência global massiva, as empresas de mídia se preparam para investir, novamente, bilhões pelos direitos tanto da Copa de 2030 quanto pelo Mundial de 2034 (que acontecerá na Arábia Saudita).
Nos EUA, além da Fox (transmissão em inglês) e Telemundo (espanhol), que transmitem a Copa este ano, entram na disputa das duas próximas Copas a Netflix, a Disney e a Alphabets, por meio do YouTube.
A Amazon, que detém os direitos da UEFA Champions League no Reino Unido, e a Apple, que detém os direitos globais da Major League Soccer (MLS), liga mais importante de futebol dos EUA, também podem entrar na disputa.
De qualquer forma, as conversas entre Fifa e potenciais parceiros de mídia devem acontecer nos próximos três meses.
No entanto, já se sabe que, pelo menos nos EUA, haverá alterações em relação ao modelo deste ano.
De fato, a própria Fifa alertou as empresas de mídia durante as negociações preliminares, iniciadas no início deste ano, que os direitos dos EUA em inglês e espanhol, provavelmente, serão vendidos juntos, em vez de separadamente como ocorreu até agora.
Na edição deste ano da Copa, a Fox pagou US$ 485 milhões pelos direitos em inglês e a Telemundo, da NBCUniversal, pagou US$ 600 milhões pelos direitos em espanhol.
Pausas de hidratação
A Fifa implantou, na edição deste ano, as pausas de hidratação (cooling break ou hydration break).
Essas pausas são paradas de 3 minutos aos 22 minutos, aproximadamente, do primeiro e segundo tempos – pelas quais os jogadores param para se hidratar, descansar e conversar com os respectivos treinadores.
A pausa, de fato, é determinação da organização, está no regulamento da competição deste ano e abrange todos os jogos, sem exceção.
Para as empresas de TV e streaming que adquiriram os direitos, as pausas de hidratação, pelo menos nos EUA, geraram para a Fox e a Telemundo algo entre US$ 200 milhões e US$ 250 milhões em receita publicitária.
Direitos globais
É importante observar que a Fifa não comercializa os direitos globais do torneio porque, conforme o país, há regulamentos que exigem que se comercialize a Copa para transmissão em TV, ou broadcasting.
Tanto a Copa do Mundo de 2030 quanto a de 2034 estão em fusos horários menos atraentes para a audiência da TV dos EUA. E do Brasil.
A Copa do Mundo de 2030 acontecerá no Marrocos, Portugal e Espanha, onde há diferença de fuso horário de cinco ou seis horas em relação ao fuso horário do leste dos EUA.
Já a de 2034 terá como sede a Arábia Saudita, onde a diferença horária é ainda maior.
TV versus streaming
A TV tradicional continua a ser a principal forma pela qual a maioria dos torcedores assiste à Copa do Mundo, mas os direitos de streaming avançam.
Muitas emissoras, agora, agrupam os direitos de TV e os digitais.
Isso permite, dessa forma, que as pessoas assistam às partidas por meio de aplicativos oficiais e plataformas online.
A Fifa também ampliou parcerias com plataformas digitais, inclusive por acordos que permitem que emissoras licenciadas distribuam conteúdo selecionado por meio de serviços como YouTube e TikTok em determinados mercados.
No Brasil, é o caso da CazéTV (da LiveMode), que tem acordo com o YouTube.
Preços diferentes conforme o país
Na prática, os direitos de transmissão são negociados separadamente para cada país.
Esse fato ocorre porque o preço depende de fatores como o tamanho da audiência, a popularidade no futebol naquele país, o valor de mercado publicitário, o potencial de receita por assinaturas e a concorrência de emissoras rivais.
Isso explica por que os direitos em países com enormes audiências de futebol podem valer centenas de milhões de dólares.
Por outro lado, mercados menores negociam valores também menores.
Brasil
No Brasil, este ano, a transmissão acontece pela Globo, CazéTV (com YouTube) e SBT, em parceria com N Sports.
Como nos mercados globais, as empresas de mídia do País já começaram as negociações com a Fifa para a Copa de 2030.
Portanto, além das três empresas deste ano, pode haver mais interessados em transmitir o Mundial de 2030.