Xsports avalia primeiro ano e mira expansão de grade
Emissora estruturou grade com foco em esportes, ampliação do jornalismo e projetos para marcas parceiras
A Xsports completa seu primeiro ano de operação no próximo dia 16 de agosto. Lançada pelo Grupo Kalunga com a proposta de atuar como um canal aberto 100% gratuito voltado ao esporte, a emissora faz um balanço do período de consolidação de sua grade, do relacionamento com o mercado anunciante e do desempenho de suas transmissões na TV e no ambiente digital.

Emissora celebra um ano no ar com alcance de 1 bilhão de pessoas, novos direitos de futebol e metas na TV e no digital (Crédito: Reprodução/Youtube)
Em entrevista ao Meio & Mensagem, Thiago Garcia, vicee-presidente de marketing e planejamento da Xsports, analisa que um dos principais desafios comerciais da operação foi o processo de aculturamento das agências e anunciantes diante de uma nova rede de TV aberta após duas décadas e meia sem concessões nacionais do gênero.
“Montar uma emissora de TV não é algo simples, não é algo tranquilo. Fazia 25 anos que não existia uma nova rede de televisão realmente nacional. A última foi a RedeTV!. Com o digital, houve uma explosão de veículos e de canais de esporte na TV paga. Somos o único canal 100% gratuito na TV aberta esportiva. O nosso maior desafio é justamente o mercado entender que somos uma TV aberta e que a TV aberta tem uma dimensão muito diferente das outras plataformas”, afirma Garcia.
Alcance na TV e métricas no digital
De acordo com o balanço divulgado pelo canal, a somatória de todos os eventos transmitidos ao longo dos 12 meses projeta atingir o acumulado de 1 bilhão de espectadores na TV.
No detalhamento por modalidades, o futebol lidera com mais de 500 milhões de impactos acumulados. O futebol feminino somou 55 milhões de espectadores em torneios como a National Women ‘s Soccer League (NWSL), a FA Women ‘s Super League (WSL), a Conmebol Libertadores Feminina e a Copa do Brasil Feminina. A cobertura de futsal, impulsionada pela Liga Nacional de Futsal (LNF), alcançou 50 milhões de pessoas, enquanto as transmissões de atletismo (incluindo Diamond League, T100 e maratonas) somaram 30 milhões.
“O esporte tem um poder único de criar memórias afetivas. Nosso compromisso, neste primeiro ano, foi garantir que qualquer pessoa pudesse ligar a televisão e vibrar ao lado de quem ama. Os números mostram que o público abraçou a proposta de um canal aberto, vibrante e verdadeiramente democrático”, avalia Garcia.
A distribuição de conteúdo repercutiu nas redes sociais, onde a emissora contabiliza 1,645 bilhão de impactos totais. No YouTube, o canal superou a marca de 1,6 milhão de inscritos, registrando 91,6 milhões de visualizações e 23,8 milhões de horas assistidas. Nas demais redes, o Instagram somou 594 milhões de impactos, o Facebook registrou 178,8 milhões e o TikTok alcançou 64,4 milhões.
Evolução da grade e do jornalismo

Thiago Garcia: “Números mostram que o público abraçou a proposta de um canal aberto, vibrante e verdadeiramente democrático” (Crédito: Divulgação)
A construção da programação combinou transmissões ao vivo com a ampliação gradual da faixa jornalística. Segundo a empresa, a estratégia seguiu um modelo de validação por etapas.
“Temos um espírito de startup e muito cuidado com a implementação das coisas. Vamos aos poucos e replicando o que dá certo. Entramos com o Central X antes da Copa do Mundo, com 1 hora e meia de duração, porque queríamos garantir que estava dentro do posicionamento de focar no entretenimento e na informação. Na Copa, partimos de 1 hora e meia de jornalismo diário ao vivo para quase 8 horas por dia”, explica o executivo.
Para o próximo ciclo, Xsports estabeleceu um volume fixo diário de informação na programação linear e prevê a transmissão simultânea dos programas no ambiente digital.
“No pós-Copa, vamos manter pelo menos de 4 a 5 horas de jornalismo fixo na grade, sem contar os pré-jogos. O Rodada X, nosso programa de debate, também ficou fixo. Além disso, vamos começar a usar o YouTube para transmitir nosso jornalismo, algo que não fazíamos, e potencializar o conteúdo na rede”, diz Garcia.
Portfólio de direitos e novidades na programação
Na reestruturação do portfólio de direitos para o ciclo 2026/2027, a Xsports confirmou a renovação da Bundesliga (Campeonato Alemão) e do NBB (Novo Basquete Brasil). Além disso, a emissora adicionou à sua grade a Ligue 1 (Campeonato Francês), a Premier League Russa, a Saudi Pro League (Campeonato Saudita) e a continuidade da Copa do Brasil Feminina.
O canal manteve como critério a aquisição das primeiras opções de escolha de jogos nas ligas internacionais, além de seguir exibindo competições nacionais como a Série B do Brasileirão.
“Reformulamos a estratégia de direitos esportivos para ter a primeira e a segunda escolha. Isso garante que teremos sempre os melhores jogos do campeonato alemão, do francês, do russo e do saudita. O evento ao vivo é maior do que tudo quando se fala de esporte, as pessoas vão assistir onde ele estiver”, analisa Garcia. Para acompanhar as modalidades, a emissora projeta lançar faixas de programas específicos.
“Já temos o Mundo Futsal, vamos começar em breve um programa da Série B e teremos também o do futebol feminino e o do NBB, no basquete. A ideia é criar programas específicos, seja no pré ou no pós-jogo, que falem de cada um desses territórios. “Entramos no segundo ano com ainda mais ambição. As renovações e as novas propriedades reforçam nossa estratégia de construir um portfólio esportivo mais forte, diversificado e relevante. Seguiremos investindo para levar grandes eventos ao público brasileiro”, reforça o VP.
Parcerias de mídia e mercado anunciante
A estratégia da Xsports contempla parcerias de sublicenciamento e cooperação com outros veículos do mercado audiovisual, a exemplo do acordo mantido com a ESPN para a exibição de partidas selecionadas.
“Particularmente acredito muito em parceria. Só sobrevive no mercado audiovisual, especialmente em momentos de mudança, quem faz parceria. Temos conversado com todos os players da TV aberta, TV fechada e plataformas digitais. Estamos abertos a parcerias e a ampliar modelos de sublicenciamento”, aponta Garcia.
Na área comercial, a emissora montou uma carteira de anunciantes privados e institucionais que inclui marcas como Goodyear, Shopee, Mitsubishi, Bem Brasil, Sebrae, Ministério da Saúde, Governo Federal, Caixa Econômica, Sportingbet, Novibet, Cielo, Bradesco, Gol, Penalty, Popeyes, Secretaria de Comunicação de SP, Assaí, Havan, Prefeitura de SP, Governo de SP, Kalunga, Disney e Epson.
“Estamos pensando a grade sem engessamento e com flexibilidade. Queremos ser vistos pelo mercado como uma plataforma esportiva criativa para testarem e criarem coisas novas. Tivemos a entrada de marcas recentes como Mitsubishi, Bem Brasil e o crescimento da Shopee, além de anunciantes como Assaí, Havan, Penalty, Gol e Bradesco. O que esperamos é manter essa entrega para entrar na esteira de novos anunciantes”, conclui o executivo.