DJ Aoki: IA não está preparada para substituir humanos
A inteligência artificial não é uma ameaça; a ameaça é um mundo sem regras, afirma o músico
O DJ, produtor internacional, empreendedor de tecnologia e pioneiro ao integrar inovação digital à música, Steven Hiroyuki Aoki é norte-americano e conhecido por lançar bolo e pulverizar garrafas de champanhe ao público.
Faz parte do grupo musical 3 Are Legend, composto por Dimitri Vegas & Like Mike. Em 2012, a Pollstar o nomeou como o artista de música eletrônica com maior arrecadação em turnês na América do Norte.
Em 2024, a Gold House o reconheceu como um dos asiáticos mais influentes do mundo.
Nesta segunda-feira, o Talent Arena, evento organizado pela Mobile World Capital Barcelona que ocorre paralelamente ao MWC, encerrou o dia com palestra de Steve Aoki, ou simplesmente DJ Aoki.
A apresentação do DJ foi focada na evolução da indústria musical e no impacto da inteligência artificial (IA) na criação.
Aoki: sem substituir humanos
Em sua palestra, Aoki enfatizou que a IA pode auxiliar artistas na criação, mas “que ainda não está pronta para substituir os humanos no processo criativo”, pois não consegue reproduzir sentimentos e experiências humanas: “A história é o mais importante, e a forma como você a conta faz toda a diferença”.
Aoki observou que a mudança pode surgir de novas ferramentas, da curiosidade pessoal ou das oscilações do mercado.
Ao avaliar como a IA pode trabalhar como ferramenta colaborativa na produção musical, levantou questões sobre o que torna uma obra verdadeiramente “humana”.
Aoki reconheceu que, às vezes, trabalha com IA e a considera útil, mas acrescentou: “Ainda não consegui criar uma música com o estilo Steve Aoki.”
Sobre como a IA tem redefinido a identidade artística e a relação entre criatividade e tecnologia, o DJ disse que a colaboração com a IA expande a capacidade de experimentação e expressão.
Para ele, portanto, a tecnologia aprimora a criatividade em vez de substituí-la.
Direitos autorais na música generativa
Um dos temas centrais de Aoki foi a propriedade intelectual na era da IA.
O músico afirmou que há a necessidade de criar estruturas de direitos autorais que protejam os artistas e, ao mesmo tempo, incentivem a inovação responsável.
“A IA não é uma ameaça; a ameaça é um mundo sem regras. Com cada avanço tecnológico, ferramentas de segurança são necessárias para proteger os direitos dos artistas. Regras e regulamentos são necessários”, enfatizou.
Aoki afirmou que, de fato, as pessoas querem fazer parte de experiência real: “Você vivencia a música quando vai a uma balada com seus amigos ou quando participa de um festival”.
Geração Z
E completou: “A Geração Z é uma geração que busca conteúdo genuíno, sem filtros e espontâneo. A IA está se tornando muito polida, e eles não querem isso. A experiência humana é o que é autêntico”.
De fato, a Talent Arena, realizada pela Mobile World Capital Barcelona em conjunto com o MWC Barcelona e a 4YFN, é o principal evento europeu para talentos digitais.
Localizada na Fira Montjuïc, conecta desenvolvedores, profissionais de tecnologia e empresas por meio de workshops, apresentações e hackathons para impulsionar o crescimento profissional.
O evento oferece, ainda, mais de 200 palestras, workshops práticos de 90 minutos e competições de programação (hackathons) ao longo de três dias.