Deus abençoe o trabalho remoto
E nos livre de horas no trânsito (que significam dormir menos, se estressar mais, ter menos tempo e disposição pra se exercitar ou comer direito e um risco muito maior de adoecer) e dos pasteizinhos do quilo
Era Quarta-Feira de Cinzas e mandei a foto de um bar que tem o nome de uma amiga pra ela. A resposta foi uma pergunta sobre onde eu estava, que devolvi com “em Portugal, Deus abençoe o trabalho remoto”. Na hora, pensei que daria um bom nome para um artigo no Meio & Mensagem, mas não tinha certeza se queria entrar nessa polêmica. Ops, entrei.
Não trarei dados desta vez, vou fazer jus ao nome deste espaço e colocarei na roda a minha opinião. Voltei da pandemia direto pra um regime híbrido de três vezes por semana no presencial. Na sequência mudei para um modelo quase remoto, com uma ida obrigatória ao escritório por semana.
Eu até gosto do presencial, acho que agiliza certos processos, ajuda na integração e facilita algumas trocas. Adoro também o almoço com os amigos e o café com fofoca no meio da tarde. Mas meu assunto hoje é a benção do remoto, coisa linda de viver.
Vocês, meus caros híbridos acima de três dias presenciais na semana, já pensaram em tudo que poderiam estar fazendo se tivessem a chance de trabalhar de qualquer lugar? Trabalhando praticamente 100% de forma remota, eu consegui ter consistência nos treinos, porque tenho mais tempo e disposição, comecei a comer em casa comida de verdade gastando muito menos, passei a fazer tarefas como lavar roupa e lavar louça entre reuniões e ganhei tempo de noite e no final de semana pra fazer o que eu quiser.
E nem adianta vir com o discurso que tem gente que abusa do remoto. Pela minha experiência ou a pessoa tem comprometimento e responsabilidade, ou não tem. Se desaparece no remoto, certeza que no presencial finge que está trabalhando e não faz nada também.
Fui líder de dois times simultaneamente durante a pandemia com todo mundo remoto e nunca tive problema com nenhum dos meus liderados. Nunca. E ainda tive a oportunidade de trabalhar com pessoas que moravam em outros estados, além de eu mesma ter passado um bom tempo em casas do Airbnb no interior com o meu cachorro nos últimos anos de vida dele, momentos pelos quais eu sou muito grata.
Voltando para a Quarta de Cinzas, eu estava passando duas semanas em Portugal graças ao meu modelo de trabalho atual, que me permitiu cumprir expediente normalmente e também aproveitar o fuso, finais de semana e o próprio feriado do Carnaval para explorar um país novo. Me inspirei a escrever sobre esse assunto durante a troca de mensagens
com a minha amiga homônima ao bar, mas tive certeza de que precisava falar disso quando cheguei ao hotel e liguei o computador para a primeira reunião do dia.
Estava eu em Portugal, o planner na Irlanda e a gerente de projetos no Uruguai, e o time no Brasil dividido entre Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Cada um no seu fuso, mas todos comprometidos e responsáveis com o trabalho.
Já tive pessoas nos meus times que levavam até quatro horas entre ir e vir da empresa. Quatro horas. Isso significa dormir menos, se estressar mais, ter menos tempo e disposição para se exercitar ou comer direito e um risco muito maior de adoecer. Tem quem prefira presencial porque não tem uma estrutura adequada em casa? Claro! E eu sou a favor da livre escolha, se todo mundo organizar direito, vez em quando sai o café com fofoca de tarde.
Mas se eu trabalhasse em lugares em que o presencial é obrigatório na maior parte da semana ou que não permitissem alguma flexibilidade, não teria tido como dupla o Marcos, um diretor de arte incrível que mora no interior de Santa Catarina. Nem a Jana, outra diretora de arte talentosíssima que fica em Salvador. Muito menos a Vitória, planner que trabalhou comigo em duas agências diretamente de Roma, onde ela cursava um mestrado.
Deus abençoe o trabalho remoto, que a palavra dele seja levada a mais empresas e altas lideranças, que seus benefícios ecoem e inspirem, que continue substituindo o tempo que eu perderia no trânsito de São Paulo por tempo conhecendo o mundo. Amém.