Como construir as Organizações do Futuro
A internet acelerou a noção corporativa de que o engajamento verdadeiro nas causas de bem comum são hoje indispensáveis, mas muitas empresas ainda acreditam que se trata apenas de uma questão de mudar o discurso e ocupar espaços de comunicação e marketing com posições apenas aparentes. E boas. Não vai rolar.
Vou ter que confessar a você que, durante anos, achei essa história de empresas terem propósito uma baboseira. Explico porque.
Fui nascido e criado em um ambiente corporativo que, na minha infância, adolescência e parte da fase adulta, jamais, de fato, deu a menor bola para propósito algum. A não ser seus resultados, óbvio.
À partir de um determinado momento, na história global, e aqui no Brasil também, isso começou a mudar, porque, aos poucos, o consumidor e os cidadãos começaram a perceber o que deveria ter sido óbvio desde sempre, que é o fato de que eles têm, diante de qualquer instituição e/ou organização, pública ou privada, nas sociedades regidas pela livre empresa e pela democracia, direito de terem seus direitos respeitados por elas.
E aí, aos poucos, a posição da sociedade frente a essas organizações foi mudando e, aos poucos também, elas tiveram que começar a dar alguns satisfações diante de pleitos, direitos e propósitos dos grupos sociais.
A internet acelerou isso, mas muitas empresas ainda creditavam (algumas ainda acreditam), que era só uma questão de mudar o discurso e ocupar espaços de comunicação e marketing com posições apenas aparentes. E boas. Foda-se.
Mas isso começou também a ruir, porque a sociedade conectada contemporânea, cada vez mais não atura, nem aturará, desaforas. Ou mentiras vestidas de neo-verdades.
E eu fui mudando também.
Não apenas porque vi tudo isso acontecer, como hoje tenho a mais profunda convicção de que empresas sem propósito perderão seu lugar na sociedade e no mercado. Começarão a ser trocadas por outras de fato mais comprometidas e verdadeiramente engajadas em causas que levem em conta o bem comum.
Não vejo muita saída para elas fora disso.
Sobre esse assunto, separei para sua leitura este excelente artigo de Umair Haque, denominado exatamente (How To Bulid) The Organizations of The Future.
Umair Haque é um cientista social e pesquisador acadêmico, professor das universidades de Londres e Oxford, autor do livro The New Capitalist Manifesto.
Nosso amigo é ferrenho defensor de um novo capitalismo, em que o bullshit corporativo dê lugar a propósitos verdadeiros. Sem que isso implique em que as empresas deixem de ser empresas, muito menos que deixem de ser Capitalistas.
E para isso ele propõe que as lideranças corporativas tenham em mente um mantra muito simples: construam as corporações para as sociedades que vocês gostariam de viver.
Por trás desse aparentemente ingênuo pressuposto, está o fato de que gestores corporativos, quando estão fora de suas corporações e vivendo a vida em comunidade, têm propósitos e adotam conceitos muito mais verdadeiramente engajados com o bem comum do que quando sentam a bunda na cadeira em suas posições corporativas.
Contrasenso.
Em minha opinião, mera burrice.
Leia o artigo aqui. É curtinho, mas denso em raciocínio consistente.