Paramount resolve caso antitruste e acelera fusão com WBD
Empresa chegou a acordo com procuradores-gerais estaduais dos EUA e encurta a aquisição da Warner
A Paramount+, finalmente, teve uma boa notícia desde que anunciou a compra da Warner Bros. Discovery (WBD) em fevereiro deste ano.
A empresa fechou acordo na ação movida por 12 Estados norte-americanos que argumentavam que a união entre Paramount+ e WBD poderia ser prejudicial por inibir a concorrência do setor.
O acordo ocorre pouco antes da empresa começar a acumular a “taxa de registro” diária no valor de US$ 7 milhões a partir de em 1º de outubro, o que foi visto como um marco importante no caso.
Fusão suspensa
De fato, a fusão entre Paramount+ e WBD estava suspensa enquanto se aguardava o resultado do processo antitruste dos estados, que estava marcado para julgamento em 2 de março de 2027.
Os detalhes do acordo ainda não foram divulgados e se espera anúncio oficial ainda nesta segunda-feira, 21.
Na verdade, segundo os envolvidos, as duas partes, Paramount e procuradores, passaram o fim de semana em debates sobre os compromissos da Paramount de permanecer na Califórnia e sobre as garantias relativas aos níveis de produção.
Essas conversas focaram, ainda, na supervisão editorial da CBS News e da CNN, uma preocupação central para os procuradores-gerais.
Contudo, fontes disseram que o acordo não exige que a Paramount faça grandes desinvestimentos.
O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, liderou a coalizão de 12 estados, que processou para bloquear o acordo em julho deste, apesar da aprovação prévia do Departamento de Justiça dos EUA.
“Somos gratos ao procurador-geral Bonta e seus colegas procuradores-gerais por encontrarem um caminho para uma resolução que beneficie todas as partes”, disse o CEO da Paramount, David Ellison, em comunicado.
Termos do acordo com os procuradores
Bonta detalhou os termos do acordo durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira, mas observou que “o acordo não é um voto de apoio a essa fusão.Isso não é uma bênção da fusão mais ampla”, disse.
“De modo geral, acreditamos que uma maior consolidação em mercados que são centrais para a vida econômica americana não serve bem à economia, aos consumidores ou à concorrência americana”, ressaltou.
O procurador-geral afirmou que a Paramount concordou em aumentar sua produção doméstica, inclusive o aumento dos investimentos com produção nos EUA em, pelo menos, US$ 300 milhões anuais.
A empresa também concordou que, se um crédito federal de filmes for aprovado, garantirá que 20% de seus filmes sejam produzidos internamente nos primeiros dois anos após o fechamento do acordo e 30% de todos os filmes nos três anos seguintes.
Atualmente, cerca de 5% da produção cinematográfica da Paramount é doméstica, disse Bonta.
Dessa forma, a empresa deve manter tanto os estúdios da Paramount quanto da WBD em Los Angeles.
30 filmes
O estúdio também lançará 30 filmes nos cinemas em seus dois primeiros anos e 32 nos três anos seguintes, disse Bonta.
Quatro desses filmes devem ser produções independentes e a Paramount deve estabelecer um fundo de cinema independente dedicado à compra de filmes independentes.
Há também a estipulação de que a Paramount seria obrigada a se desfazer da produtora Miramax caso a empresa não alcance essa meta de lançamento, disse Bonta.
Paramount e WBD também são obrigadas a continuar a negociar pacotes de cabos separadamente.
Se a empresa não cumprir essa cláusula, Bonta disse que será forçada a se
Além disso, a Paramount deve estabelecer novo conselho para a CBS News e a CNN para garantir a independência editorial.
“Juntos, escolheremos um curador para monitorar o cumprimento da Paramount com esses termos”, disse Bonta. “E se algum dia eles não cumprirem os muitos termos críticos que temos em nosso acordo, podemos ir à justiça.”
De fato, a Paramount sempre argumentou que o acordo é pró-competitivo e resultará em mais produção de conteúdo.
Um dos pontos da Paramount, na verdade, é enfrentar empresas do streaming como Netflix e Amazon.