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Que bela sacada

O tênis virou o esporte do momento

Leonardo Lazzarotto

CEO da Tailor Media 1 de julho de 2026 - 6h00

No último dia 29 de junho, começou Wimbledon, o mais charmoso, tradicional e elegante dos Grand Slams. Disputado na grama, com sua estética própria e uma atmosfera que mistura esporte, tradição e sofisticação, Wimbledon talvez seja a melhor tradução do momento que o tênis vive no mundo.

O tênis voltou ao centro da conversa. Não apenas pela ascensão de nomes brasileiros nos rankings internacionais, como João Fonseca, mas também porque passou a ocupar um lugar especial no imaginário das marcas, dos consumidores e dos executivos.

Como mostrou recentemente o Meio & Mensagem, o esporte virou alvo de grandes marcas por reunir atributos muito desejados: sofisticação, bem-estar, disciplina, respeito e conexão com um público muitas vezes mais nichado e de alta renda. Itaú, com sua plataforma dedicada ao tênis, e Stella Artois, com campanhas e ativações ligadas ao esporte, entenderam que a quadra também é território de marca, experiência e relacionamento.

Até na moda, o conceito tenniscore virou tendência ao adaptar roupas e a estética clássica do tênis para o uso diário, unindo sofisticação e conforto. O estilo mistura peças esportivas tradicionais com um toque casual e urbano, reforçando uma elegância atemporal.

Mas o fenômeno vai além do marketing e da moda.

Para as crianças, o tênis desenvolve coordenação, disciplina, autoestima e convivência. Como qualquer esporte, também ajuda a criar uma relação mais saudável com o tempo fora das telas. Em uma infância cada vez mais disputada por celulares, games e algoritmos, colocar uma criança em quadra é oferecer movimento, concentração, confiança e contato real.

Para os adultos, é exercício físico, mental e social. Um esporte que exige corpo, mas também cabeça. Técnica, mas também leitura. Força, mas também controle emocional.

Talvez por isso tenha tanta conexão com o mundo dos negócios. Uma pesquisa exclusiva da Deloitte para a Confederação Brasileira de Tênis revelou que 350 dos 500 principais CEOs do Brasil praticam tênis. O esporte superou outros favoritos no ambiente corporativo e passou a ser visto como muito mais do que um exercício físico.

No tênis, a decisão é solitária. Você está sozinho em quadra, com o adversário do outro lado, sem técnico para pedir timeout, sem time para dividir a culpa e sem desculpa pronta para terceirizar o erro. Em uma partida, são centenas de decisões, muitas tomadas em menos de um segundo. Liderança, no fundo, também é isso: responsabilidade total diante da pressão.

O tênis ensina a mentalidade ponto a ponto. Você pode estar perdendo por 5 a 0 e ainda virar o jogo. Para isso, precisa esquecer o erro anterior, zerar a mente e jogar o próximo ponto com clareza. Nos negócios, acontece da mesma forma. O passado ensina, mas não pode paralisar. Em um mercado cada vez mais veloz, nem sempre o maior vence. Muitas vezes, vence quem decide mais rápido, se adapta melhor e mantém a cabeça no lugar.

Também há uma escola silenciosa de comportamento dentro da quadra. O tênis ensina a ler a linguagem corporal do adversário, identificar fraquezas, adaptar a estratégia em tempo real e manter a compostura mesmo quando o jogo parece escapar. Ensina que perder faz parte. Nos negócios, cada derrota também carrega informação, aprendizado e ajuste de rota.

A quadra ensina postura quando se perde e elegância quando se vence.
Para quem busca um esporte que trabalhe o físico, o mental e o social, o tênis talvez seja uma das escolhas mais completas do nosso tempo. Mais do que um jogo, ele é uma aula sobre decisão, resiliência, responsabilidade e equilíbrio.