Você trabalha com fãs ou haters?
Poucas coisas são tão tóxicas quanto trabalhar em um ambiente em que as pessoas podem puxar o seu tapete a qualquer momento
Vou começar dizendo que não acho que as empresas sejam um playground que se frequenta pra brincar e fazer amigos, mas também não acho que está tudo bem ter medo do seu colega te jogar do topo do escorregador pra você dar de cara no tanque de areia em uma quarta-feira às 15h. Se relações já são difíceis dentro da própria família, que tem a mesma cultura e a mesma criação, imagina com um monte de desconhecidos com formas de ver o mundo tão diferentes. É difícil, eu sei.
Mas eu vivi meia dúzia de experiências em que o time era realmente unido e não tem salário que pague você trabalhar na santa paz que é um ambiente em que se incentiva a colaboração e não a competitividade. Já ouvi “a produção que se vire” de uma colega diretora de arte, “o erro foi dele e não meu” de uma redatora se isentando da entrega que ela fez duplando com a pessoa que estava “errada”, e já vi gestor culpando o time pelo próprio erro.
Acordar todos os dias sabendo que vamos passar as horas seguintes com pessoas legais, parceiras e que podem até virar grandes amigas deixa tudo mais leve. Criar com risadas, dividir os desafios, saber que não estamos sozinhos, poder errar e usar isso de forma construtiva.
Eu fiz amigos de infância no trabalho, de verdade. Que continuaram sendo parte da minha vida mesmo depois de seguirmos rumos profissionais diferentes. Amigos que frequentam a minha casa, que sabem tudo que acontece comigo, que me aconselham, celebram minhas vitórias, que estão comigo segurando a minha mão quando nem tudo vai bem.
E é pra essas pessoas que eu dedico este artigo. Pra quem fez do trabalho não um lugar pra brincar, mas um lugar em que a brincadeira tivesse seu espaço. Pra quem me fez rir em uma entrega de concorrência às 02h com a apresentação marcada pras 08h. Pra quem deixou bilhetinhos carinhosos no meu monitor em uma semana que eu tava com o coração despedaçado. Pra quem me lembrou de quem eu era em cada crise de impostora que bateu. Pra quem passou o horário do almoço comigo em casa cantando parabéns no aniversário do meu cachorro.
A gente tende a ver o trabalho como um lugar escuro e gelado, o terror das segundas-feiras, uma selva cheia de predadores. E sim, por vezes ele é tudo isso mesmo, mas com as pessoas certas do seu lado isso tudo pode virar um filme B que a gente assiste na sexta de noite comendo pipoca e dando risada.
Aquela frase que diz que quem caminha sozinho chega mais rápido, mas quem vai acompanhado chega mais longe é muito real. Eu cheguei a lugares que jamais imaginei com o incentivo dos meus colegas. Líderes, liderados, pares, não importa. (Quase) todos tiveram participações fundamentais no meu caminho.
Escrever artigos, por exemplo, começou pelo incentivo de um gestor. Eu achava que ninguém se interessaria em ler minhas opiniões sobre o mercado, e olha eu aqui, anos depois, colhendo frutos e novos amigos a cada artigo publicado. Amo vocês, pessoas que viram em mim potências que eu não enxergava. Gestores que mesmo tristes com a minha partida, ficaram felizes por eu estar indo em direção a algo melhor pro meu futuro profissional.
E como é gostoso ter pessoas que torcem por você, que te elogiam quando você está conduzindo uma sala cheia e quando você não está por perto também. Podemos nos decepcionar? Sempre. Mas estar aberto ao que boas relações no mundo corporativo podem trazer sempre vai ter mais bônus do que ônus.
Que artigo puxa-saco esse, eu sei. Pode até parecer uma grande romantização, mas não é. Só quem fez amigos de verdade no trabalho sabe a diferença que faz pra vida inteira, todos os cantinhos dela. Porque o dia a dia não é fácil, não é simples, não é brinquedo, não. Mas com as pessoas certas ele se torna possível.