Conexão Austin

A Era do Re-humanismo. O que sobra quando a IA faz o resto?

Onde a automação devolve o tempo, a humanidade retorna ao que foi destinada a ser

Rodrigo Tavares

Advisor & Fractional CX na IN Digital 14 de março de 2026 - 12h49

O primeiro dia de SXSW 2026 em Austin superou minhas expectativas. Não sou um cara que surfa em qualquer “hype”, mas desta vez, não tem como não se deixar levar.

Se eu pudesse resumir o que foi o primeiro dia em poucas palavras, seria: o que significa ser humano na era pós-IA?

No ano passado, a conversa aqui foi sobre a potência dos algoritmos. Este ano, o evento aponta para uma direção muito mais profunda, que é o resgate da nossa essência como pilar de sobrevivência estratégica.

A percepção clara deste início de festival é que as competências técnicas estão sendo niveladas pela automação. Entramos definitivamente na Era Pós-IA, onde o sucesso não depende mais de quem processa informações mais rápido, mas de quem domina habilidades que as máquinas não podem replicar. Estamos falando de imaginação, improviso, curiosidade profunda, intuição estratégica e adaptabilidade emocional.

Um dos conteúdos mais potentes que acompanhei, apresentado com maestria pela Jennifer B. Wallace, trouxe o conceito de “mattering” (sentir-se importante). Mesmo em um mundo hiperconectado, estamos emocionalmente desconectados. A necessidade humana de se sentir valorizado e de agregar valor hoje é uma variável crítica de gestão.

Outra provocação disruptiva foi a conexão direta, comprovada cientificamente, entre gentileza e longevidade. Raramente incluímos a empatia como um indicador de saúde organizacional ou pessoal, né? No entanto, os dados evidenciam que a gentileza e o cuidado com o outro são “hacks” reais para a perenidade dos líderes e das empresas. Liderar com humanidade é o que garante que teremos fôlego para os ciclos de mudança cada vez mais e mais curtos.

Como mencionei ao descer de um carro autônomo aqui em Austin, conforme as máquinas assumem as tarefas, sobra mais tempo para sermos o ser humano que sempre fomos destinados a ser.

A essência humana e a coragem de ser gentil em um mundo automatizado nunca estiveram tão no “hype” como agora.

Em breve, volto com as notícias e descobertas mais “hypadas” pra vocês!