SXSW

A fórmula do BuzzFeed para o futuro da mídia

Para Jonah Peretti, CEO do veículo, empresas de mídia devem criar valor a partir de curadoria, comunidade e cultura

i 14 de março de 2026 - 10h22

A mídia vive um cenário de erosão de seus modelos tradicionais, apontou o co-fundador e CEO do BuzzFeed, Jonah Peretti, no South by Southwest (SXSW) 2026. Se antes as empresas do segmento lucravam com a distribuição de conteúdo, como em cinemas, jornais impressos que chegavam ao leitor e demais formatos, atualmente, com a proliferação do digital, o custo de distribuição e os consumidores dispostos a pagar por ele diminuiram.

Jonah Peretti, fundador e CEO do BuzzFeed

Para Jonah Peretti, fundador e CEO do BuzzFeed, IA barateou o custo de produção e diminuiu o valor do conteúdo de publishers (Crédito: Thaís Monteiro)

Assim, segundo o executivo, os publishers se viram diante da necessidade de mudar o foco, que passou a ser o de produção de conteúdo de altíssima qualidade. Já o modelo econômico passou a ser adquirir receitas a partir da comercialização dessa propriedade intelectual, seja para streamings ou em produtos licenciados.

No entanto, mais recentemente, o desenvolvimento veloz da inteligência artificial também começou a colocar em cheque essa estratégia, uma vez que modelos se tornam mais habilidosos em produzir conteúdo de qualidade e que não parece um subproduto da IA. Os creators também se tornaram parte da produção em larga escala.

O custo da produção, antes alto, começa a baratear e isso destrói o valor da mídia, disse. Enquanto isso, o engajamento dos vídeos produzidos pela IA sobe, porque o usuário para de diferenciar o que é o real. Para as empresas de mídia, sobrou a responsabilidade cultural e social sobre o conteúdo que produzem e a intenção de criar algo interessante para o público, apontou.

Gosto, cultura e comunidade

Mesmo diante da ascensão do digital, Peretti afirmou que a maioria do público preferia que as redes sociais não existissem. Isso gera o que economistas chamam de valor negativo. “Se as redes sociais não têm mais valor, o valor se move para o que é escasso: gosto, cultura e comunidade”, disse.

Peretti defende uma fórmula com esses pilares essenciais para veículos que enfrentam esse cenário disruptivo. Gosto é descrito por ele como plataformas que apresentam serviços e designs com “great vibes”, que possuem curadoria de conteúdo e experiências originais e autênticas. Ele citou como exemplo o NYT Games, a estética do Midjourney e o design de jogos como Monument Valley.

Cultura se baseia no fomento a experiências compartilhadas, às vezes para fandoms de nicho, e que não estão subjugadas a algoritmos de recomendação e personalização que torna a vivência de cada usuário com uma plataforma ou veículo única. Eventos como o Super Bowl e a estratégia do jornal HuffPost, também do BuzzFeed, foram exemplos citados para essa categoria.

Já comunidade se trata de aplicativos ou plataformas cujo objetivo é fomentar conexão ou formação de grupos por interesses comuns, como clubes de corrida, redes sociais de nicho, entre outros.

Conforme Peretti, o HuffPost observou aumento de receita e leitores ao fortalecer sua identidade e valores, transformando até ataques políticos em campanhas de assinatura. “As pessoas querem ser parte de uma comunidade, não é só sobre o conteúdo e distribuição. É menos sobre o conteúdo e mais sobre o senso de valor”, afirmou.

BuzzFeed apresenta incubadora e novos aplicativos

A publicação aproveitou sua sessão no SXSW para introduzir lançamentos da empresa. O BuzzFeed introduziu o Branch Office, uma incubadora que tem como objetivo usar a IA para fomentar os três pilares citados em novos aplicativos de nicho que promovem conexão e diversão. “Queremos conectar humanos”, disse Bill Shouldis, fundador do Branch Office.

A empresa também apresentou novos aplicativos. O Island é focado na comunidade. Ele promove conversas em grupo pelas quais a IA é usada para edição e alteração de fotos do grupo. A ideia do BuzzFeed é promover interação e co-criação, fomentando um consumo ativo e não passivo da mídia.

O Conjure se trata de uma experiência coletiva de IA com realidade aumentada em que os usuários devem tirar fotos com base em instruções dadas pelo aplicativo, que é representada por uma entidade misteriosa.

Já o Quiz Party é um aplicativo que possibilita que grupos de amigos compartilhem quizzes do BuzzFeed para descobrirem mais sobre o perfil um do outro e se divertirem na interação.

Conforme Peretti, esses aplicativos devem funcionar no modelo freemium, ou seja, no qual o usuário tem acesso ao aplicativo gratuitamente, mas paga para utilizar algumas ferramentas.