SXSW

“O homem que sabe que sabe”

Meu plano é dar uma forcinha para a biologia e tentar dar mais um passo evolutivo na direção do homo sapiens non-sapiens

Vinicius Malinoski

Fundador, CEO e CCO da Feito.ai 1 de março de 2019 - 16h55

Muita gente não sabe, mas a nossa espécie hoje é a homo sapiens sapiens. “O homem que sabe que sabe”, do latim. A evolução do simples sapiens foi nosso maior salto cognitivo, pois adquirimos a capacidade de não apenas saber as coisas, mas analisar nosso próprio conhecimento. Ganhamos metaconhecimento e toda a noção do eu.

Na expectativa desse SXSW, meu segundo festival, meu plano é dar uma forcinha para a biologia e tentar dar mais um passo evolutivo na direção do homo sapiens non-sapiens. “O homem que sabe que não sabe”. Pois se tem uma coisa que hoje eu sei, pois aprendi a duras penas no meu primeiro SXSW, é a inutilidade de tentar saber tudo, de tentar ver tudo.

Não sou dado ao FOMO (fear of missing, medo de ficar por fora). Sou mais da turma do JOMO mesmo (joy of missing out, prazer de ficar por fora), gostando cada vez mais de ter meus momentos de isolamento preservados. Mas a verdade é que nunca senti FOMO como no SXSW. É muita coisa interessante acontecendo ao mesmo tempo por todos os lados de tudo que é jeito com tudo quanto é tipo de gente que a tentação de tentar abraçar o mundo é irresistível. E fútil.

Uma semana é muito pouco e os assuntos são muito vastos. Dessa vez, vou fazer diferente. Vou usar o SXSW para tentar ter um vislumbre de tudo que eu não sei. Porque eu não sei o que não sei. Talvez, saindo de lá, eu consiga ao menos ter uma noção superficial de todas as coisas que eu não sei e escolher algumas para estudar mais ao longo do ano, com tempo e calma.

Na prática, isso significa escolher temas sobre os quais sei nada ou muito pouco. E poucos temas. Tentar ver várias palestras dentro do mesmo assunto. E também focar naquelas que eu realmente quero ver, montando minha agenda ao redor delas e por proximidade, evitando perder tempo com deslocamentos.

Ao menos, é o que eu espero. Juro que vou tentar, apesar de ainda ser o mesmo homo sapiens sapiens falível de uns anos atrás.