Um método para organizar ideias em tempos de excesso de conteúdo
Desde então tento seguir esse ritual sempre que participo de grandes eventos, e aqui em Austin não tem sido diferente
Em 2014 participei de um curso na Singularity University com Salim Ismail e ouvi uma “fórmula” curiosa sobre como realmente aproveitar eventos intensos de conteúdo. Ele explicava que, quando estamos imersos em ambientes com muitas palestras, encontros e ideias, não basta apenas consumir informação. É preciso criar momentos para que esse conteúdo se organize mentalmente.
A proposta dele era essa: durante o dia, absorver o máximo possível. Assistir palestras, conversar com pessoas novas, expor-se a perspectivas diferentes.
À noite, socializar. Ele dizia, em tom bem-humorado, algo como “focus on alcohol”, com moderação, claro. O ponto não era a bebida em si, mas o relaxamento. Conversas informais, encontros inesperados e trocas de experiências ajudam a reorganizar o que foi visto ao longo do dia.
E então vem a parte mais interessante do método: bem cedo na manhã seguinte, fazer exercício. Salim sugeria uma corrida. Segundo ele, é justamente nesse momento que muitas ideias começam a se conectar. O corpo entra em movimento e a mente passa a organizar o excesso de estímulos recebidos.
Desde então tento seguir esse ritual sempre que participo de grandes eventos, e aqui em Austin não tem sido diferente.
Entre várias conexões, um ponto é comum: estamos entrando em uma fase em que a inteligência artificial passa a atuar cada vez mais como colaboradora dentro das organizações. Pode parecer algo óbvio, mas isso está exigindo mudanças culturais, tecnológicas e estruturais importantes. E, ao mesmo tempo, mais posicionamento, coragem e intencionalidade das lideranças, que precisam se adaptar rapidamente ao novo papel que lhes é exigido.
Em uma das sessões que acompanhei, Leandro Barreto, Chief Marketing Officer da divisão Beauty & Wellbeing da Unilever, trouxe uma discussão interessante sobre a construção de marcas. Em vez de campanhas pontuais, ele falou sobre worldbuilding: criar universos narrativos consistentes, capazes de manter a consistência ao longo do tempo. Nesse contexto, trabalhar em ecossistema passa a ser fundamental. Estratégia global com leitura local, combinada com coragem para assumir posicionamentos contundentes, como a Dove vem fazendo há anos.
Em outra sessão (What AI Agents Are Doing While You’re Not Watching) a discussão girou em torno da nova geração de agentes de inteligência artificial, que executam tarefas, conectam sistemas e, em muitos casos, tomam decisões operacionais dentro de determinados limites.
Isso cria três desafios importantes para as empresas.
O primeiro envolve confiança e segurança. Quanto mais tarefas são delegadas a agentes digitais, maior se torna a responsabilidade de proteger dados e garantir integridade nas interações.
O segundo está relacionado à forma de trabalhar. A inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e passa a compor fluxos de trabalho nos quais humanos supervisionam agentes que executam processos.
O terceiro desafio é organizacional. Estruturas empresariais foram desenhadas para pessoas. À medida que agentes digitais passam a assumir partes do trabalho, processos e modelos de gestão precisam ser reconfigurados.
O que fica disso tudo? Algumas organizações avançarão rapidamente nessa adaptação. Outras levarão mais tempo, muitas vezes presas a estruturas que só fazem sentido em um mundo anterior.