OPINIÃO: ANA CÉLIA BIONDI

Dá para ser empreendedor dentro de uma empresa?

Como assumir protagonismo e ir além das metas transforma a trajetória profissional das mulheres

Ana Célia Biondi

CEO da JCDecaux Brasil 30 de julho de 2026 - 9h20

(Crédito: Shutterstock)

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Dá, sim, para ser empreendedor dentro de uma empresa, especialmente sendo mulher. Considero essa uma das competências mais valiosas para quem quer construir uma carreira sólida e relevante.

Empreender internamente não significa abrir um CNPJ, mas assumir uma postura diferente diante dos desafios, das metas e das oportunidades. Para muitas mulheres, isso passa por ocupar espaços, propor caminhos e se posicionar em ambientes que nem sempre foram pensados para ouvir suas vozes.

Cumprir o objetivo fixado é o mínimo. É o contrato básico entre profissional e empresa. A atitude empreendedora começa quando, em vez de apenas “entregar o combinado”, buscamos entender o porquê daquela meta, questionamos o caminho, propomos alternativas e enxergamos oportunidades que ainda não foram mapeadas. É sair do lugar de “cumpridor de tarefas” e ocupar o lugar de protagonista — algo que é especialmente desafiador, mas também transformador, para as mulheres dentro das organizações.

Ser empreendedora dentro da empresa é olhar para o negócio como se fosse seu: cuidar dos recursos, pensar no longo prazo, antecipar riscos e defender ideias com dados e coragem. É também saber mobilizar pessoas, construir alianças e conectar áreas que normalmente não se falam. Muitas vezes, a inovação não vem de um grande projeto disruptivo, mas de uma mudança de processo, de uma pergunta incômoda, de uma insistência em fazer melhor.

Empreender dentro ou fora de uma empresa não traz garantias. Não há certeza de reconhecimento, de rápida ascensão ou de sucesso em cada iniciativa. Ideias podem ser recusadas, projetos podem não sair do papel, resistências podem aparecer. Mas há recompensas importantes: o aprendizado acelerado, a construção de confiança em si, a sensação de autoria sobre a própria trajetória e a percepção, por parte dos outros, de que você é alguém que faz acontecer. Com o tempo, essa consistência em “puxar” temas, resolver problemas e criar caminhos se transforma em reputação.

No fim, a pergunta que me faço não é apenas “qual é a meta deste ano?”, mas “que tipo de impacto quero gerar aqui?”. A atitude empreendedora começa exatamente aí: quando deixamos de ser apenas parte da engrenagem e passamos a ser agentes ativas na construção do futuro da empresa e do nosso próprio futuro profissional.