OPINIÃO: ANA CÉLIA BIONDI

O valor das férias na vida de uma líder

Por que desconectar virou parte da minha responsabilidade na gestão de times e negócios

Ana Célia Biondi

CEO da JCDecaux Brasil 10 de julho de 2026 - 8h47

(Crédito: Unsplash)

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Adoro tirar férias. E não é um gosto superficial, de quem apenas quer “parar tudo”; é justamente o contrário: valorizo profundamente as férias porque trabalho. Quanto mais mergulho na intensidade da agenda, das entregas e das responsabilidades, mais compreendo a importância dos momentos em que posso, de fato, me desconectar.

No meu dia a dia profissional, vivo em função de pautas que exigem foco, energia e presença. Gosto disso, me realizo assim. Amo trabalhar, construir, decidir, liderar. Mas aprendi que, para continuar fazendo tudo isso bem, preciso reconhecer os meus limites e respeitar o meu próprio tempo. As férias, para mim, não são um luxo, são uma ferramenta de sustentação da minha performance e, sobretudo, da minha sanidade.

Nas férias, eu vivo outro estilo de vida, deliberadamente diferente. É quando eu desacelero, me descolo da agenda cronometrada, mudo a paisagem, a rotina e até o tipo de preocupação que ocupa a mente. Troco a urgência dos e-mails pela urgência de escolher um livro — este ano li “Loving Frank”, de Nancy Horan, maravilhoso! –, uma caminhada, uma conversa sem hora para acabar. É nesse “outro modo de vida” que eu me reconecto comigo mesma, com a minha família, com coisas simples que, no dia a dia, correm o risco de ficar em segundo plano.

Também é nas férias que me permito conectar com pessoas fora do contexto do trabalho, o que é extremamente enriquecedor. Este ano, por exemplo, passei férias com uma das minhas irmãs. Ela tem outro estilo de vida, outras preocupações, outro ritmo. Ouvir suas histórias, seus dilemas e suas escolhas me traz perspectivas diferentes, amplia meu repertório e me lembra que existem muitas formas legítimas de viver, e que a nossa identidade não se resume ao cargo que ocupamos ou aos resultados que entregamos.

Por isso, esse intervalo é fundamental para recarregar as baterias, mas também para algo ainda mais importante: reorganizar o olhar. Quando volto das férias, não retorno apenas descansada; retorno mais consciente, mais criativa e mais estratégica.

Distância gera perspectiva e perspectiva é um ativo raro para quem está o tempo todo no “fazer”. Passei a enxergar esse tempo como parte essencial da minha responsabilidade profissional: cuidar de mim para poder cuidar melhor do time, do negócio e das decisões que preciso tomar.