A revolução prateada também é inovação
O Rio Innovation Week mostrou que discutir o futuro é falar sobre como vamos viver mais e melhor

NAM Atlântico no Rio Innovation Week de 2026 (Crédito: Arquivo Pessoal)
Na última semana, estive no Rio Innovation Week e saí de lá com algumas imagens na cabeça. O Píer Mauá cheio, auditórios lotados, gente circulando com curiosidade, entrando em simuladores, testando tecnologias, participando de dinâmicas e interagindo com marcas.
Uma das experiências mais surpreendentes estava, literalmente, atracada ao Píer Mauá. O NAM Atlântico, maior embarcação militar do Brasil, recebeu parte da programação e proporcionou uma experiência incrível com games, simuladores, tecnologia e atividades interativas dentro de um navio da Marinha.
Em sua sexta edição, realizada de 4 a 7 de agosto, o RIW reuniu milhares de palestrantes, startups, investidores e empresas em dezenas de palcos. Sob o conceito “Simbiose, o futuro não acontece isolado”, a programação transitou por ciência, tecnologia, educação, cultura, comportamento e transformação social.
Entre os nomes estavam Malala Yousafzai, Prêmio Nobel da Paz; Edvard Moser, Prêmio Nobel de Medicina; Vik Muniz e Djamila Ribeiro. Mas em meio a uma programação dessa dimensão, uma escolha me chamou especialmente a atenção. Na quinta-feira, 6 de agosto, um palco inteiro foi dedicado à economia prateada e longevidade.
Isso diz muita coisa. Quando um dos principais eventos de inovação do país reserva um dia todo para discutir longevidade, há um sinal importante: essa conversa definitivamente deixou de ser periférica.
A curadoria ficou a cargo de Fernando Potsch, referência em economia prateada, estudioso e CEO do SeniorHub, que reuniu dezenas de especialistas para discutir a longevidade sob diferentes perspectivas.
Tive a oportunidade de ser recebida pelo próprio Fernando, que generosamente dedicou parte do seu tempo para falarmos sobre o Ecossistema Prateados, socialização e longevidade ativa. Conversamos sobre mercado, oportunidades e desafios, e ele ainda promoveu conexões valiosíssimas com pessoas desse ecossistema.
É também para isso que eu e tantos outros executivos e empreendedores frequentamos eventos como o RIW. Claro que vamos consumir conteúdo, conhecimento e dados. Porém, vamos também encontrar pessoas, trocar ideias, apresentar projetos, construir pontes e criar oportunidades.
Às vezes, inovação começa em um painel. Outras, em uma conversa no corredor ou simplesmente com alguém dizendo: “vocês precisam se conhecer”.
No palco, a longevidade foi abordada por investidores, jornalistas, pesquisadores, médicos, empreendedores, influenciadores e especialistas em comportamento e mercado. Nomes como Kika Gama Lobo, Cléa Klouri, Jotta Júnior, Raul Gazolla, Roberto Shinyashiki e Mirian Goldenberg ajudaram a construir uma conversa que passou por investimento, ciência, inteligência artificial, trabalho, protagonismo feminino e os desafios de uma vida de 100 anos.
Para quem trabalha com marcas, comunicação e negócios, uma das provocações da programação merece atenção especial: “O consumidor mais desejado do século: como fidelizar o cliente 50+?”.
A pergunta é relevante porque estamos diante de uma transformação demográfica que é também cultural e econômica. Estamos vivendo mais, consumindo por mais tempo e construindo novas etapas da vida que gerações anteriores não experimentaram da mesma maneira.
Mas talvez o dado mais interessante daquele dia não estivesse na programação, mas na plateia. Não sobravam cadeiras vazias. Havia gente querendo ouvir, perguntar e continuar a conversa nos corredores. E isso mostra que, além de existir uma quantidade enorme de profissionais qualificados construindo essa pauta, existe muita gente querendo participar dela.
Por muito tempo, o mercado olhou para o envelhecimento quase exclusivamente pela lente da perda: limitações, doenças, aposentadoria e dependência. A longevidade contemporânea aponta para outro lugar. Novos consumidores, comportamentos, relações familiares e novas formas de morar, aprender, trabalhar, viajar, empreender, amar, se divertir e pertencer.
Foi justamente outra pergunta da programação que resumiu boa parte dessas discussões: Estamos preparados para envelhecer?
Depois de passar por inteligência artificial, simuladores, games, startups e até um navio transformado em espaço de inovação, encontrar um auditório lotado discutindo essa questão me pareceu especialmente simbólico.
Porque o futuro não será construído apenas pelas tecnologias que estamos inventando, mas também pelas pessoas que terão cada vez mais tempo para usá-las.
Talvez essa seja a principal provocação que trouxe comigo do Rio: inovação também é perceber como a sociedade está mudando e como as pessoas estão começando a viver.
E você, já parou para pensar qual será o impacto da revolução prateada na sua vida?