O sarrafo
A cerimônia W2W não premia conjunto da obra, mas mulheres que já fizeram bastante e vão fazer muito mais

Women to Watch Homenagem 2025 (Crédito: Eduardo Lopes)
Na próxima quarta-feira, 5 de agosto, o Women to Watch realiza a sexta edição da cerimônia W2W. O evento reúne o mercado para entregar reconhecimento a mulheres que a curadoria acompanhou de perto ao longo do último ano.
O W2W não premia conjunto da obra. A plataforma escolhe mulheres que já fizeram muito e que vão fazer muito mais. A diferença parece sutil e não é. Conjunto da obra fecha uma história. O W2W aponta para o que vem.
“Muito mais” aqui não significa meta batida nem linha de resultado. Essas mulheres mexem no entorno. Formam gente que não teria sido formada. Abrem porta que estava emperrada. Mudam a economia de uma cidade, sustentam uma comunidade, reescrevem a regra de uma categoria inteira. O impacto aparece em cinco anos, não no próximo trimestre.
Elas chegam ao palco com muitos pratinhos no ar. Empresa, filho, mãe que envelhece, conselho, time que depende delas. Atravessaram água turbulenta antes de qualquer holofote. E mesmo assim guardam energia para construir o que ainda não existe.
É isso que o reconhecimento marca. Uma medida de altura, que passa a servir de referência para a indústria inteira.
Desde 2013, quando o W2W chegou ao Brasil, o mercado caminhou. Falta muito mais do que já andamos. As duas coisas convivem sem contradição, e é exatamente por isso que a cerimônia existe: para mostrar que essas mulheres existem em número suficiente para nos orgulhar e para incomodar quem se acomodou.
Uma pergunta para quem lê antes de quarta-feira: existe, na sua empresa, uma mulher que já entregou muito e que ninguém ainda apontou em voz alta? Quinta já é tarde para começar a apontar.
Nada disso acontece sozinho. O agradecimento do W2W à Almap, Chevrolet, Dermacyd, Globo/GNT, Grupo Boticário, Molico, NEOOH, Nubank e Uol. Essas marcas não compram visibilidade num palco bonito. Elas colocam investimento e reputação atrás de uma tese de transformação que leva anos para maturar, e sustentam essa aposta edição após edição. Sem essa mão, a curadoria fica no discurso. Com ela, vira reconhecimento de verdade, com palco, com plateia e com consequência.
Na quarta a gente sobe ao palco e chora. Vale a pena.