O áudio digital nos EUA já vale o digital inteiro do Brasil
Os relatórios de 2025 do IAB nos EUA e no Brasil, somados ao CENP Meios, escancaram um descompasso que já não cabe mais ignorar
O IAB US junto com a PwC publicou mês passado seu Internet Advertising Revenue Report referente a 2025, marco dos 30 anos do estudo. O mercado americano de publicidade digital cresceu 13,9% e fechou o ano em quase US$ 300 bilhões. Dentro desse total, o áudio digital faturou US$ 8,4 bilhões (+10,2%) e o podcast, que ganha cada vez mais espaço no relatório, chegou a US$ 2,9 bilhões com crescimento de 17,6%. Em 2015, o podcast americano movimentava US$ 105 milhões. Em dez anos, multiplicou por 27 vezes.
Para colocar em perspectiva: convertendo a câmbio, o áudio digital americano sozinho, só áudio, sem vídeo, search ou social, movimentou em 2025 praticamente o mesmo valor que toda a publicidade digital brasileira no ano. Sim, a categoria que aqui ainda aparece de forma pouco consolidada nos levantamentos do mercado lá já equivale ao bolo inteiro do digital brasileiro.
Na semana passada, o IAB Brasil divulgou seu Digital Adspend ano-base 2025: o digital brasileiro atingiu R$ 42,7 bilhões (USD 8.68 bilhões), com crescimento de 12,7%, o segundo maior salto da série histórica. O ritmo é parecido com o americano. O retrato do mix, não.
No estudo brasileiro, o áudio simplesmente não é uma categoria. As fatias estão divididas entre vídeo (que já beira 50% do digital), display, search, texto e social. E quando olhamos para o CENP Meios, painel que reporta os gastos das 330 maiores agências do país, o áudio digital aparece com modestos 0,3% do bolo total. Nos EUA o share do áudio digital, considerado baixo por muitos analistas locais, é cerca de dez vezes maior. Em paralelo, o Inside Áudio 2025, da Kantar IBOPE Media, mostra que 92% dos brasileiros consomem algum formato de áudio todos os meses.
Existe um descompasso difícil de ignorar: o consumo está disseminado, mas o investimento ainda é restrito. E esse cenário tem pelo menos três fatores principais.
O primeiro é estrutural. Durante muito tempo, o áudio digital foi percebido como um ambiente fragmentado demais: dezenas de aplicativos, milhares de rádios e plataformas dispersas. Faltava infraestrutura para escalar. Hoje, redes premium e tecnologias de Dynamic Ad Insertion (DAI) sincronizam um spot a um catálogo de podcasts, streamings e rádios digitais com a mesma precisão de uma campanha display. A escala existe.
O segundo é o mito da mensuração. “Áudio não dá para medir.” Essa frase fazia sentido em 2010. Em 2026, simplesmente não. Pixel de conversão, teste de incrementalidade e pesquisa de brand lift possibilitam comparar o áudio com os mesmos KPIs hoje usados nas campanhas de vídeo, display e social.
Dá para saber quem ouviu, visitou o site, comprou, e qual parte da venda só aconteceu por causa do áudio. O ROAS médio das campanhas de podcast monitoradas pelo Podscribe em seu último benchmark do Q4 de 2025 que inclui o Brasil é de 4,2x, ou seja, para cada real investido em podcasts, o retorno é de R$ 4,20. Não é estimativa. É atribuição.
O terceiro fator é a herança cultural. O rádio brasileiro possui mais de cinco mil emissoras, métricas escassas e cobertura nacional difícil. Por isso, muita marca grande nem tem budget de áudio. O áudio digital resolve esse problema na origem: oferece alcance nacional mensurável, segmentação por contexto, formatos host-read com índice de confiança de 82% (Edison Research) e integração ao mix programático via DV360, The Trade Desk, Amazon ou sua DSP preferida.
A boa notícia é que basta pouco para mexer o ponteiro. Estudos de mix modeling da Nielsen mostram que adicionar entre 3% e 5% do budget em áudio digital eleva vendas em até 31% e recall em 18%, reduzindo o custo por conversão em 12% no mix total. É menos do que muita marca gasta hoje testando um novo formato em rede social.
O áudio digital é, provavelmente, um dos últimos oceanos azuis disponíveis no marketing. São 92% dos internautas escutando, ROAS comprovado, infraestrutura tecnológica madura e um mercado que cresce 12% ao ano e ainda assim com pouca concorrência publicitária. A marca que entra agora não disputa atenção com banner cego nem feed saturado: ela ocupa um espaço novo, fala diretamente no ouvido do consumidor em momentos que nenhuma tela alcança, e move os próprios ponteiros do mix de mídia: alcance, frequência, recall e o ROI de cada real investido nos outros canais.
E aí, sua marca está pronta para escutar e falar pelo áudio digital e mover os ponteiros, tanto os do mercado quanto os do seu próprio resultado de mídia?