Em carta, Apro questiona produtoras in-house de agências
Em parceria com a Aliança Mundial de Produtores Independentes, associação afirma que modelo de produção in-house das holdings afeta livre concorrência

(Crédito: Shulers Shutterstock)
A Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais (Apro), em parceria com a Aliança Mundial de Produtores Independentes, está endereçando uma carta aberta aos anunciantes, se posicionando a respeito da atuação das produtoras in-house das agências.
Nos últimos anos, cresceu o número de operações internas de produção nas agências, o que, segundo a entidade e boa parte do setor audiovisual, é algo que afeta a livre concorrência e a qualidade criativa do mercado brasileiro e global.
Hoje, agências como Africa Creative e W+K detêm produtoras internas, assim como a Galeria Holding e o Publicis Groupe, do lado das holdings.
Confira a carta na íntegra:
As empresas de produção e pós-produção independentes são um pilar vital para o sucesso de suas marcas.
Nossa capacidade de executar desafios criativos e tecnológicos individuais em todos os níveis é bem conhecida. O que talvez seja menos conhecido é que, no cerne dos nossos negócios, nós descobrimos e formamos — além de representar — os principais diretores, editores, especialistas em IA, artistas digitais e talentos de produção do mundo. Isso nos permite selecionar cuidadosamente os melhores talentos, local e globalmente, para cada briefing individual. Como empresas, nós os financiamos, desenvolvemos e os apoiamos para entregar campanhas e estratégias distintas e ousadas para suas marcas.
Somos seus parceiros mais competitivos, experientes, inovadores, executivos e prestadores de serviços no mundo. A oferta ampla e diversificada dos melhores talentos por meio de produtoras independentes cria um mercado perfeito para marcas que acessam seus serviços.
Nosso modelo é simples e comprovado: livre concorrência. Produtores independentes lutam por cada projeto com base em criatividade, expertise e preço. Por meio de licitações (biddings) transparentes, aplicamos toda a nossa engenhosidade para maximizar o potencial de um projeto, entregando o melhor valor possível, tudo a serviço da mensagem da marca. Vocês escolhem livremente, sabendo que obterão o melhor resultado: a entrega criativa mais forte pelo preço mais justo.
O sistema funciona porque somos julgados exclusivamente pelas entregas criativas finais. Investimos o máximo de valor criativo, valor de produção e engenhosidade — às vezes sob nosso próprio risco financeiro — porque nossa reputação e a confiança de vocês dependem inteiramente do trabalho que entregamos.
Hoje, este modelo está sendo prejudicado. À medida que as redes de holdings de agências se consolidam e perdem fatia de mercado para consultorias, agências independentes e agências in-house dos próprios anunciantes, muitas estão internalizando todos os elementos da produção como parte de seus próprios modelos de negócio e lucratividade.
Os melhores talentos de direção, montagem, produção e efeitos visuais estão em empresas independentes de produção e pós-produção; portanto, o que os departamentos internos das holdings de agências oferecem não possui o mesmo calibre. No entanto, a sobrevivência deles depende da lucratividade estrutural, deixando de colocar o papel de “agentes” criativos de longo prazo e parceiros de suas marcas como prioridade máxima.
Quando as agências produzem internamente (in-house), a concorrência é distorcida:
- Entidades in-house são majoritariamente protegidas da concorrência: a mesma concorrência que permite aos clientes obter o melhor preço pelo maior valor criativo através de seus parceiros independentes;
- Conflito de interesses: Quando a agência inclui sua própria produção interna contra o setor independente no processo de concorrência, a agência pode enfrentar um conflito entre escolher seus próprios interesses ou as necessidades de seu cliente;
- Legitimidade criativa: Frequentemente, agências de holdings buscam creditar produções como “coproduções” para inflar sua legitimidade criativa, embora o filme tenha sido verdadeiramente produzido pela produtora independente e seu talento de direção;
- Modelos de partilha de margem: Modelos propostos por produções in-house podem priorizar o lucro da agência em detrimento da qualidade da produção para suas marcas, enfraquecendo, em última análise, o resultado criativo.
Entendemos que muitas vezes lhes dizem que a produção interna é “mais rápida” ou “mais barata”. A história mostra o contrário: quando a ambição, a qualidade e o valor da marca importam, a concorrência transparente entrega resultados mais fortes. A única maneira de gerir custos e o valor real é através do diálogo aberto, licitações justas e circuitos de produção transparentes, com vocês no controle.
Não estamos pedindo que protejam nossos negócios. Estamos pedindo que protejam a força, a distinção e a credibilidade do processo que se desenvolveu ao longo de décadas no interesse dos seus negócios.
Quando os preços das ações das agências influenciam as decisões tomadas no trabalho realizado para vocês, isso deve gerar reflexão. Se a sua agência propuser produzir seu trabalho internamente, incentivamos que façam estas perguntas simples:
- Por que isso é melhor para minha marca do que trabalhar com produtores independentes que competem abertamente para entregar o filme de melhor qualidade pelo melhor preço?
- A agência está agindo prioritariamente no meu melhor interesse ou no dela?
Juntos, moldamos e produzimos conteúdos que tornam suas marcas famosas!