Comunicação

Giovanni Rivetti assume como CEO de nova operação do Grupo Dreamers

Context Creative Tech quer elevar a experiência do usuário com hiper personalização, geoespacialidade e content commerce

i 7 de agosto de 2023 - 7h53

Giovanni Rivetti passa a ser sócio da Context Creative Tech, nova operação do Grupo Dreamers, além de assumir a posição de CEO da vertical.

Voltada para parcerias com clientes e aos próprios serviços das Dreamers, a Context desenvolverá as potencialidades das tecnologias de geoespacialidade, personalização e content marketing.

Com experiência em growth e desenvolvimento de produtos, o executivo esteve por quatro anos na Accenture Song. Nos primeiros anos, como managing director e, até o começo do 2023, como head of growth.

Rivetti também fundou a New Content, adquirida pela Accenture num movimento interno para ampliar serviços de content marketing. O executivo também participou da criação do Comitê de Melhores Práticas em Conteúdo de Marca da Associação Brasileira de Anunciantes.

Rodolfo Medina e Giovanni Rivetti

Rodolfo Medina, presidente do Dreamers, e Giovanni Rivetti, novo sócio e parceiro do grupo (Crédito: Divugação)

À frente da nova marca, Rivetti detalha na entrevista a seguir como a operação pretende ampliar os horizontes da personalização dos produtos da Dreamers, assim como de clientes e parceiros.

Meio e Mensagem – Como foi esse convite para integrar a Dreamers a partir da Context Creative Tech?
Giovanni Rivetti – Mais do que o convite, foi um encontro. Venho de um histórico bastante consistente nessa busca por conseguir engajar audiências e traduzir o universo de conteúdo de marcas em algo que gera valor. Além de ter uma crença inabalável de que isso só funciona se a gente juntar com tecnologia. Passei a vida na New Content atrás disso, vendi a New Content para Accenture comprando essa hipótese de juntar a tecnologia, como costumo brincar. Depois de cumprir todas as minhas obrigações de quando se vende uma empresa, houve feliz encontro entre essa cresça inabalável de união entre criatividade e tecnologia para geração de valor na ponta com um grupo, como a Dreamers, materializado aqui na figura do Rodolfo Medina [presidente executivo]. Um grupo que tem a cultura que não só acredita e compartilha essa ideia, mas com espírito empreendedor, porque tem uma parcela de serviços, mas tem muito sentimento empreendedor. Foram duas conversas para dizer ‘isso aí, vamos nessa’ e cá estamos. Resumindo, é um encontro de valor e crença.

M&M – Na prática, como a Context Creative Tech vai funcionar para fomentar as potencialidades do grupo?
Rivetti – Se você perguntar o que é a Context, o que ela se propõe a ser, quase que didaticamente podemos definir como uma produtora de tecnologia criativa. Foi assim que expliquei para minha mãe, que não é do ramo, mas é curiosa. Isso significa que vamos desenvolver e integrar tecnologias em prol do desenvolvimento criativo. Então, iremos desenvolver nesse começo as habilidades em três áreas, sendo campos de negócio com geração de valor.

M&M – Pode explicar quais são?
Rivetti – O primeiro deles tem uma ligação muito forte com o grupo Dreamers, que é a geoespacialidade ou a realidade expandida. Já temos alguns meses de construção de integrações que pudessem surfar nesse âmbito e, aqui, estamos falando de plataformas como Google, Adobe e Unity. O que faz muito sentido para um grupo com tradição e potência em entretenimento e que, justamente, tem a capacidade de polinizar esses grandes bolsões de audiência e gerar ondas de engajamento. Temos um mundo que no Brasil ainda não explorado. Claro, se olharmos para um Coachella [Valley Musica And Arts Festival], no ano passado nos Estados Unidos, já teve uma grande camada de tecnologia espacial sendo trabalhada na experiência das pessoas nos eventos. Em um segundo espectro, vamos olhar para a hiper personalização através das tecnologias e serviços dos quais já dispomos, mas que precisam ser construídos numa arquitetura funcional. Principalmente, quando olhamos para canais e metadados proprietários que cada vez mais grandes clientes passam a ter quando falamos de universo de CRM, endomarketing, universos de e-commerce, ou seja, audiências logadas. Temos um campo de importante geração de valor na medida em que saímos do modelo de campanha e programação de volume de engajamento e migramos para outro momento de centralização de dados e da interpretação dos mesmos. Aí sim, conseguimos ter uma capacidade contextual de interação com o usuário, as marcas passam a dialogar nos momentos certos com as pessoas. As grandes empresas estão nesse movimento de estruturação da próprias bases de dados e saírem dos modelos intermediários. Isso traz mudanças muito grandes do ponto de vista estratégico, de habilitadores e no operacional. Por fim, nesses 27 anos de trabalho com conteúdos customizados e ajudando as marcas a se relacionarem melhor, de mais conversacional e menos “campanheira”, foi apenas mais recentemente que a terceira possibilidade passou a ser possível. O content commerce é a possibilidade de monetizar o conteúdo de forma direta com o consumidores através dessas estruturas de e-commerce voltado a distribuição de conteúdo, o melhor exemplo disso é a Hotmart. É possível ajudar as marcas que tenham franquias e serviços a desenvolverem o conteúdo de marca ou até acelerar infocriadores, que é um mercado imenso e que só cresce, mas ainda é baseado no super talento, nos fenômenos que conseguem juntar a hiper capacidade de estratégia, criação, performace e engajamento de audiências.

M&M – Para construir esse processo a Context trabalha com algumas marcas parcerias?
Rivetti – A gente vai trabalhar em causa própria e para grandes marcas que tenham essa complexidade de negócio que exijam esse tipo de serviço. No quesito de geolocalização, temos estudados as tecnologias da Unity, Adobe e Google para desenvolver tecnologias, mas não só, estamos conversando com a Niantic – a desenvolvedora de Pokémon Go – também. Ainda não podemos abrir com quais clientes estamos falando, mas são empresas de business com audiência proprietária, como bancos, telecom, varejo.

M&M – Como o histórico na Accenture Song, uma empresa de consultoria, e como empreendedor na New Content podem contribuir para essa nova fase?
Rivetti – Bem, qualquer semelhança não é mera coincidência. Em 2007, quando abri a empresa de produção de conteúdo, todo mundo me questionava sobre minha sanidade. Ainda estamos num começo de onda, mas com adoção muito mais rápida pelas marcas. Um exemplo disso é a Adobe com Firefly, que já está no Photoshop, já está indo para o editor de vídeo e, dentro dos próximos meses, vai estar disponibilizando o uso dentro dos assets de marcas. Por outro lado, os anos de consultoria na Accenture ajudaram muito a criar o olhar estratégica do todo, porque a situação de uma consultoria é como estar fora do campo. Como head de growth, eu tive uma visão muito privilegiada dessa tempestade perfeita entre o aumento de capacidade computacional, a infraestrutura de conectividade 5G que muda o jogo completamente e toda a ideia dos micro serviços em nuvem. Quando junta essas três coisas, muita coisa que não era possível se torna prática.

M&M – Como um dos fundadores do Comitê de Melhores Práticas da Associação Brasileira de Anunciantes, quais devem ser os cuidados para lidar com tamanha quantidade de dados?
Rivetti – A relação entre plataformas e marcas com os consumidores será sempre uma troca baseada numa equação de valor, acho que esse é o princípio. Na criação do Comitê da ABA levamos em conta como o princípio das boas práticas de marcas perpassava as dimensões éticas da transparência. Se você tem lugar de fala e propriedade para isso, porque não usar desses dados em favor dessa relação? O que é completamente diferente das tentativas de propaganda disfarçada, como compra de editorais. Então, os princípios de se ter uma base de dados – dentro da lógica da Lei Geral de Proteção de Dados – é conseguir propor ao usuário algo que seja útil a ele. Não precisamos ir longe: a feitiçaria algorítmica que a Amazon fez a vida toda, e que quando eu entrava na minha página havia indicações para mim, isso era ótimo. Então, acho que seja uma troca justa.