Streaming de conteúdo é tendência na educação digital

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Streaming de conteúdo é tendência na educação digital

Busca por vídeo-aula deve crescer 18% em 2019 impulsionando edtechs e demandando marketing

Luiz Gustavo Pacete
5 de julho de 2019 - 6h00

A junção de tecnologia e conteúdo de qualidade faz diferença no crescimento das edtechs (Crédito: Jan Vasek/ Pixabay)

Empresas de treinamento e ligadas ao universo educacional vêm sendo cada vez mais demandadas por oferta de conteúdo em streaming. Os formatos popularizados por plataformas de entretenimento como YouTube e Netflix tornaram-se ferramentas valiosas no meio educacional. De acordo com a consultoria Frosy & Sullivan a busca por conteúdo educacional e de treinamento via streaming deve crescer 18% no ano de 2019 e atingir uma receita de até US$ 40 bilhões no mundo até 2022. Esses movimentos vêm impulsionando as edtechs, startups de educação e treinamento.

Bernardo De Padua, CEO e co-fundador da Quero Educação, explica que a tendência do mercado de educação no Brasil e no mundo é evoluir para um modelo de “Blended Learning”, onde parte das aulas teóricas é ministrada por vídeo online (streaming). “Este tipo de conteúdo tem vantagens em relação ao modelo ‘cuspe e giz’ da sala de aula tradicional, pois os alunos podem seguir o conteúdo de forma a repetir pontos de dúvida ou acelerar os itens que já dominem, além de se adequar melhor à rotina”, afirma. Ele reforça que no modelo educacional onde parte do conteúdo é ministrado por vídeo, as aulas presenciais seguem o “project based learning”, onde os estudantes trabalham para a resolução de um problema ou projeto, com os professores atuando como mentores.

“É um uso bem mais nobre do tempo do professor, do que simplesmente repetir a mesma aula ministrada todos os semestres, sem ter tempo e oportunidade para interagir com seus alunos e acompanhar seu aprendizado”, diz De Padua. Leonardo Honório, da startup A³, idealizadora da plataforma de treinamento A-Cubed, explica que existe um momento de grande perspectiva para as edtechs tão promissor quanto o das fintechs. “Ainda pouco se fala sobre o boom das edtechs, mas talvez estejamos vendo o surgimento de um segmento tão transformador quanto o que aconteceu no mercado financeiro”, afirma.

Segundo o Mapeamento EdTech, 2018, realizado pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups) e o Centro de Inovação para a Educação Brasileira (Cieb), existe um crescimento exponencial dos cursos realizados via plataformas digitais, como os EAD. O crescimento nesta área foi de 15% em 2018 em relação a 2017, as graduações presenciais cresceram apenas 4%.

“As oportunidades de crescimento ainda são muito grandes para as startups deste setor, hoje a concentração maior das edtechs está na produção de conteúdo voltada para professores e escolas. Isso equivale a 60%. Porém, há outras camadas deste mercado ainda pouco exploradas”, afirma Honório. Ele destaca também o aumento nas demandas por plataformas que oferecem conteúdos de aperfeiçoamento ou desenvolvimento pessoal, de carreira ou busca de ajuda para aprovações em exames muito concorridos. “Também percebemos uma procura muito grande por conteúdos que ajudem a solucionar problemas pontuais da vida das pessoas, mas que estão impedindo o seu desenvolvimento em suas áreas de objetivo. Elas querem soluções sem ter de demandar muito do tempo que já não possuem”, diz ele.

Fábio Cassettari, fundador da Meu Entrevistador, entende que todas essas mudanças estão relacionados à nova dinâmica de oferta de informação e consumo de conteúdo. “Existe uma enorme procura de empresas em busca de streaming, pois é uma maneira barata e eficiente de escalar aprendizado. Outro fato é que o streaming permite rapidamente atualizar conteúdo em tempo real e em meio ao excesso de informação.”

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