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Alibaba e Amazon: qual a presença dos maiores do mundo no Brasil?

Chineses investiram US$ 30,2 bilhões em 2025 em publicidade ante US$ 23,5 bi da americana, mas, no País, posições são diferentes

i 20 de outubro de 2026 - 6h00

Alibaba Group lidera o ranking global de anunciantes, à frente da Amazon (Créditos: Reprodução/Instagram)

Alibaba Group lidera o ranking global de anunciantes, à frente da Amazon (Créditos: Reprodução/Instagram)

O Alibaba Group ultrapassou a Amazon e assumiu a liderança mundial entre os maiores anunciantes, encerrando uma sequência de quatro anos da companhia norte-americana na primeira posição.

O levantamento faz parte do Relatório de Marcas de 2026, publicado pelo Ad Age, que detalha os investimentos publicitários das maiores empresas dos Estados Unidos e do mundo.

Segundo a análise anual do Ad Age Datacenter, o grupo chinês investiu US$ 30,2 bilhões em publicidade em 2025, alta de 91,7% em relação ao ano anterior.

A Amazon aparece em segundo lugar, com US$ 23,5 bilhões, crescimento de 9,8%, seguida pela PDD Holdings, dona das plataformas Pinduoduo e Temu, que destinou US$ 16,3 bilhões à publicidade, aumento de 15,5%.

A L’Oréal ocupa a quarta posição, com US$ 16 bilhões, alta de 5,6%, seguida pela Procter & Gamble, com US$ 13,5 bilhões, crescimento de 8,9%. A disputa entre empresas chinesas de comércio eletrônico também aparece em outras posições do ranking: a JD.com passou do 16º para o sétimo lugar depois de quase dobrar seus investimentos publicitários.

Nos EUA, a Amazon manteve a liderança entre os anunciantes, com US$ 16,1 bilhões investidos naquele país. Apenas três empresas aparecem entre as dez maiores anunciantes tanto no ranking norte-americano quanto no global: Amazon, Procter & Gamble e Alphabet, controladora do Google. Mas, no Brasil, a líder e a vice-líder ocupam posições distintas de investimento e presença.

O que é o Alibaba Group?

Fundado em 1999, em Hangzhou, na China, o Alibaba Group surgiu com a proposta de conectar pequenas empresas chinesas a compradores de outros países pela internet. A companhia foi criada por 18 pessoas lideradas por Jack Ma, então professor de inglês, e começou com o Alibaba.com, plataforma de comércio eletrônico entre empresas (B2B).

Em 2003, o grupo lançou o Taobao, marketplace voltado ao consumidor chinês, e, em 2008, o Tmall, direcionado à venda de produtos de marcas e varejistas. Em 2009, criou a Alibaba Cloud, divisão de computação em nuvem, e, em 2013, a Cainiao, rede de logística. O AliExpress, lançado em 2010, ampliou a atuação internacional do grupo ao conectar vendedores, principalmente chineses, a consumidores de outros países.

O portfólio inclui, ainda, plataformas internacionais de comércio eletrônico, como Lazada e Trendyol, e operações voltadas ao mercado chinês, como o portal atacadista 1688.com e o Xianyu, marketplace de produtos usados.

Na área de tecnologia, o grupo desenvolve os modelos de inteligência artificial Qwen e mantém o DingTalk, plataforma de comunicação e colaboração corporativa, e o Quark, que oferece ferramentas de busca e outros serviços digitais.

A atuação também abrange mídia e entretenimento, com a plataforma de streaming Youku e a Damai Entertainment, antiga Alibaba Pictures; serviços locais, como o Ele.me, de delivery, o Amap, de mapas e navegação, e o Fliggy, de turismo; além do varejo alimentar, com a Freshippo, e da saúde digital, com a Alibaba Health. O Alipay, criado pelo grupo em 2004, passou a integrar o Ant Group, empresa afiliada.

Presença no Brasil

A operação brasileira do Alibaba Group é conhecida principalmente pelo AliExpress, que chegou ao País em 2010, com plataforma em português e opções de pagamento locais, como boleto bancário. Em 2021, o marketplace passou a aceitar vendedores brasileiros. Em 2023, aderiu ao programa Remessa Conforme, do governo federal, que estabelece regras para a importação de produtos vendidos no comércio eletrônico.

Em 2024, o grupo firmou um acordo comercial com o Grupo Magalu para vender produtos da linha Choice nos canais digitais da varejista e disponibilizar itens do estoque próprio da Magazine Luiza  no AliExpress.

Ainda neste ano, a Alibaba Cloud expandiu sua operação direta no Brasil com dois data centers em São Paulo, oferecendo serviços de computação em nuvem e inteligência artificial para empresas e desenvolvedores.

Amazon: posição estável no Brasil

Apesar de ter perdido a liderança global em investimentos publicitários, a Amazon manteve a quarta posição no ranking dos 300 maiores anunciantes do Brasil em 2025, publicado pelo Meio & Mensagem em maio deste ano. A companhia investiu R$ 1,13 bilhão em publicidade no País, alta de 13% em relação a 2024.

O Alibaba Group, por sua vez, caiu da 125ª posição, em 2024, para a 142ª, em 2025. Os investimentos publicitários da holding chinesa no Brasil somaram R$ 95,2 milhões, recuo de 12% na comparação anual. Os números mostram uma diferença entre o desempenho global das empresas e suas posições no ranking brasileiro.

Fundada em 1994 por Jeff Bezos, em Bellevue, no estado de Washington, nos EUA, a Amazon começou como uma livraria on-line, que entrou em operação no ano seguinte.

Atualmente, o grupo reúne negócios como a Amazon Web Services (AWS), a Twitch, os estúdios Amazon MGM Studios, a rede de supermercados Whole Foods Market, a Audible, as empresas Ring e Blink e a desenvolvedora de veículos autônomos Zoox. Também controla as linhas de dispositivos Kindle, Fire TV e Echo, que inclui a assistente virtual Alexa.

No Brasil, a Amazon iniciou suas operações em 2012, com a venda de livros digitais e do aparelho Kindle. Em 2017, expandiu a atuação para outras categorias de produtos físicos e, em 2019, lançou o Amazon Prime, que oferece frete grátis em produtos elegíveis e acesso a serviços como Prime Video e Amazon Music Prime.

Em 2025, a companhia informou ter investido R$ 55 bilhões em sua operação brasileira nos dez anos anteriores, dos quais R$ 13,6 bilhões em 2024. Os recursos incluem a expansão da estrutura logística, com centros de distribuição como o inaugurado em Cajamar (SP), em 2025, além da infraestrutura de data centers da AWS, que atende empresas e órgãos públicos.

Neste ano, a Amazon iniciou ainda o acesso antecipado à Alexa+, nova geração da assistente virtual baseada em inteligência artificial generativa, com recursos de personalização e adaptação aos hábitos e à cultura dos brasileiros e também começou a testar o Ads Agent, ferramenta de inteligência artificial generativa da Amazon Ads que automatiza tarefas de criação, segmentação e otimização de campanhas na Amazon DSP e no Amazon Marketing Cloud.