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As estratégias da China para impulsionar o varejo com IA

Com a tecnologia evoluindo de forma rápida, varejistas querem incrementar a experiência de compra e redefinir a estratégia de descoberta de consumo

i 12 de janeiro de 2026 - 8h21

Varejistas chinesas aproveitam evolução da IA para impulsionar vendas e desenvolver estratégias (Crédito: Valeria Contado)

Varejistas chinesas aproveitam evolução da IA para impulsionar vendas e desenvolver estratégias (Crédito: Valeria Contado)

A inteligência artificial já deixou de ser um teste para se tornar  realidade para muitas empresas, principalmente no segmento de varejo. Com uma evolução e desenvolvimento rápidos, a implementação da IA em larga escala tem transformado a jornada de compra dos consumidores, especialmente no ambiente digital.

Na China, por exemplo, clientes das lojas do grupo Alibaba já podem fazer perguntas sutis para os assistentes dentro das plataformas a fim de encontrar produtos que resolvam a sua necessidade, além de simular a aquisição de uma peça de roupa com mais precisão, através dos provadores digitais, que agora exibem texturas hiper-realistas, com gradientes, dobras, elasticidade e caimento.

Esse já foi um dos grandes diferenciais da companhia em seu maior festival de compras que aconteceu no ano passado, o Double Eleven (11/11). Pela primeira vez a varejista aplicou em larga escala esses recursos para aprimorar a jornada do consumidor.

Para Feiran Liu, head de beleza e cuidados pessoais da Tmall Global e Alibaba Group nos Estados Unidos, a inteligência artificial, no mercado chinês, é mais do que uma palavra da moda: já é algo real, tangível e que tem sido usada amplamente mudando a forma como o consumo é feito. A companhia falou sobre o assunto em um painel, na Expo da Retail’s Big Show, nesse domingo, 11.

Investimento concentrado

Com a ampliação do uso de recursos de inteligência artificial no comércio chinês, algumas tendências emergem, se tornando facilitadores nesse ambiente. Uma delas é em relação a captação e análise de dados. Por meio de recursos de IA, as equipes de marketing e vendas conseguem, por exemplo, entender com mais facilidade o comportamento de seu consumidor.

Isso já aconteceu durante o Double 11 de 2025, em que, segundo dados da companhia, a equipe virtual de IA descobriu oportunidades de marketing ocultas e conectou vendedores a consumidores potenciais, gerando um aumento de 12% no retorno sobre o investimento.

O Alibaba confirmou que o seu consultor de IA trabalhou como um estrategista, produzindo 5 milhões de relatórios analíticos durante o evento. Isso melhorou a eficiência operacional dos mercadores em 150%.

“Nos últimos anos houve uma mudança de como olhamos os nossos dados. Solidificamos a nossa camada de sistemas e registros para chegarmos as tomadas de decisão em tempo real”, disse Nishant Agrawal, arquiteto de soluções de indústria no Alibaba Cloud.

Para ele, isso faz com que a empresa seja capaz de construir um sistema de feedback que pode pegar todos os dados, alimentá-los em um modelo e então criar uma experiência que é gerada quase em tempo real.

Essa novidade é parte de uma mudança de como as varejistas se conectam com os dados. As informações costumavam ser sobre fluxo de cliques, ou o histórico transacional do cliente. Mas agora, as marcas lidam com imagens, vídeos, áudios. Isso muda até mesmo o modelo de linguagem a ser incorporado pela plataforma, que tende a ser mais diverso.

“Um dos nossos colegas está trabalhando em um modelo de linguagem grande que é capaz de usar e criar dialetos. Apenas para a China são 19 dialetos diferentes. Ser capaz de criar uma experiência diferenciada para alguém em Shenzhen e outra em Xangai é algo realmente poderoso”, completou.

Evolução dos meios de pagamento

Outro aspecto que as marcas globais devem levar em consideração quando pensam em se estabelecer em território chinês é que os meios de pagamentos por lá já estão evoluídos.

Feiran aproveitou a sua experiência como moradora do Estados Unidos para comparar a posição dos dois países nesse sentido. “Vivendo aqui, sinto que ainda estou carregando uma bolsa ou carteira comigo o tempo todo, mas ninguém faz isso na China desde talvez uma década atrás”, disse.

A executiva explicou que lá já é muito comum o pagamento via celular por meio de QR Code e que essa evolução é muito rápida. Isso acontece, pois os chineses estão abertos a descoberta de novas tecnologias e de experiências digitais mais densas e ricas em informação.

“O que se pode aprender da China é que todas as empresas, os players, as plataformas e as marcas estão realmente integrando a tecnologia de IA hoje em dia nas operações reais ou no trabalho do dia a dia”, explica.

Como se preparar para empreender na China?

Tendo em vista essas tendências, empreender em território Chinês tem suas peculiaridades para quem visa garantir a atenção dos consumidores construindo uma relação de confiança com eles.

Embora, a inteligência artificial esteja avançada por lá, existem modelos como Anthropic ou OpenAI que não estão disponíveis. Por isso a escolha para o modelo que deve ser usado nessas plataformas é crucial.

Além disso, é preciso pensar como elevar o nível de personalização dos canis para aprimorar a experiência do cliente. De acordo com Agrawal, essa ação está diretamente associada a como a marca utiliza os o seu canal primário (first party) e como constrói a camada de dados.

“Temos que começar pelo conceito de entender qual é o objetivo de negócio. Por lá, garantir que tenhamos a atenção (mind share) do cliente, e uma das decisões críticas será qual modelo específico usar”, afirmou.

Já para Feiran, as marcas que têm um roteiro de expansão que incluem o país já devem se aproximar de plataformas que conheçam e entendam o mercado. “Encontre um ponto de contato dedicado para a China. Alguém que fique por dentro de todas as atualizações, de todos os desenvolvimentos. Isso é realmente muito importante”, disse.