Marketing

Estudo mapeia virada cultural no brasileiro na área de saúde

Público está com menos tolerância a promessas vazias e tem maior demanda por experiências humanas apoiadas pela tecnologia

i 28 de janeiro de 2026 - 7h09

Médica atendendo paciente

Brasileiro quer menos promessa e mais coerência das marcas da área da saúde, indica pesquisa Branding Brasil, desenvolvida pela Valometry (crédito: Studio Romantic/Shutterstock)

Se antes o brasileiro encarava a saúde como um serviço técnico e transacional, agora enxerga o setor como um ecossistema de relações e confiança. Essa é uma das conclusões da nova edição da pesquisa Branding Brasil – Segmento Saúde e Bem-Estar 2025, desenvolvida pelo Valometry, ferramenta proprietária da agência anacouto que mensura o valor e a força das marcas no País.

A partir de entrevistas com quase dois mil brasileiros, o estudo identificou uma virada cultural no setor: menos tolerância a promessas vazias e maior demanda por experiências humanas apoiadas pela tecnologia. O brasileiro quer menos promessa e mais coerência, além de valorizar marcas que unem tecnologia, empatia e propósito.

O levantamento indica, ainda, que a confiança se consolidou como o principal ativo das marcas de saúde, que inclui hospitais, planos de saúde e farmacêuticas. Boas avaliações de pacientes/usuários (65%) e clareza e boa comunicação (60%) são os pontos mais citados pelos respondentes como alavancas de confiança na marca. Confiança é mais determinante que preço ou inovação e surge, sobretudo, da coerência entre discurso e entrega, da empatia e da capacidade de gerar segurança emocional.

O que aumenta sua confiança numa marca de saúde (resposta múltipla)

pesquisa Branding Brasil – Segmento Saúde e Bem-Estar 2025, desenvolvida pelo Valometry

“A saúde está deixando de ser técnica para se tornar simbólica. As marcas que entendem o poder do vínculo constroem algo que vai além da cura: constroem confiança”, afirma Ana Couto, CEO da agência anacoluto.

De acordo com a pesquisa, 39% dos brasileiros acreditam que a inteligência artificial (IA) transformará a área, desde que contribua para simplificar o cuidado e tornar a experiência mais humana. Ferramentas de triagem, diagnóstico e agendamento são bem avaliadas quando ajudam a reduzir barreiras, mas a opinião dos profissionais da medicina segue sendo valorizada. Ainda assim, o público rejeita tecnologias que substituam o olhar humano ou tratem o paciente como um número.

A coerência se tornou o novo indicador de reputação. “O público reconhece valor das marcas que cumprem o que prometem, sem exageros ou contradições. Transparência, simplicidade e linguagem acessível se tornaram tão importantes quanto qualidade técnica”, avalia ana couto.

Houve um avanço na confiança, condicionado à existência de uma contrapartida clara. Os entrevistados afirmam que compartilhariam seus dados médicos caso houvesse benefício concreto, como prevenção personalizada ou melhorias coletivas.

Disposição para compartilhar dados (resposta múltipla)

pesquisa Branding Brasil – Segmento Saúde e Bem-Estar 2025, desenvolvida pelo Valometry

A maior disposição do brasileiro em compartilhar dados mediante benefícios concretos exige ética e transparência digital, atributos que passaram a definir as marcas mais admiradas do setor. Segundo o estudo, empresas que comunicam claramente o uso de informações e oferecem experiências personalizadas têm maior fidelidade e percepção de valor.

“O paciente de hoje quer participar, decidir, opinar. Marcas que o tratam como parceiro, e não como número, criam relações de pertencimento e retenção. O conceito de ‘cuidado compartilhado’ também se estende às próprias instituições: integrar médicos, farmacêuticos e tecnologia tornou-se essencial para gerar experiências mais coerentes e humanas”, explica Ana.

O levantamento mostra que a noção de saúde está cada vez mais associada à qualidade de vida, ao equilíbrio emocional e à autonomia no cuidado, deslocando o foco da longevidade isolada para uma experiência mais integrada e significativa. Viver bem passa a significar manter energia, propósito, bem-estar mental e participação ativa nas decisões sobre a própria saúde.

Essa mudança amplia o papel das marcas do setor, que deixam de atuar apenas como prestadoras de serviço para se tornarem parceiras no cotidiano das pessoas. Organizações que conseguem integrar inovação, atendimento humanizado e propósito se destacam no Branding Value Score (BVS) da Valometry, ranking que mede a força e o valor das marcas de saúde no país.

Branding Value Scores dos planos de saúde

Pesquisa Branding Brasil – Segmento Saúde e Bem-Estar 2025

Branding Value Scores dos hospitais

pesquisa Branding Brasil – Segmento Saúde e Bem-Estar 2025, desenvolvida pelo Valometry