Fim da seriedade e privilégio digital: as tendências de 2026
Relatório da WGSN destaca consumidor saturado buscando por mais leveza, proteção e sentido
Anualmente, a consultoria WGSN desenvolve um relatório com as 12 tendências que devem impactar o mercado, em diferentes segmentos, ao longo do ano. O estudo é fruto de um mapeamento que começa mais de dois anos antes da publicação do relatório.

Capacidade de desconexão será cada vez mais vista como um símbolo de status (Crédito: Jack_the_sparow-shutterstock)
Segundo Marianna Nolasco, head de novos negócios da consultoria, as tendências para este ano de 2026 trazem uma narrativa unificada. “Estamos entrando em uma era em que o consumidor busca urgentemente leveza, proteção e sentido. Depois de anos de instabilidade e excesso de informação, de estímulos e de expectativas, as pessoas estão rejeitando o que é pesado e buscando experiências que regenerem o emocional, reativem a criatividade e devolvam a sensação de presença”, explica.

Os 10 temas que dominaram o ano de 2025
Dessa forma, três movimentos unem as tendências. O primeiro deles é uma busca por alegrias e microalegrias como antídoto à fadiga. Uma necessidade de proteção frente a um mundo que é percebido pelas pessoas como imprevisível e, por fim, o que a consultoria descreve como um hiper-individualismo funcional.
Nele, os produtos e serviços deixariam de ser definidos por idade, gênero ou nicho e passam a ser orientados pelas necessidades de cada indíviduo. Ao Meio & Mensagem, a consultoria adiantou com exclusividade três das 12 tendências apresentadas no relatório e uma análise para as marcas. Confira:
Fim da seriedade
Apresentada como uma evolução das microalegrias, essa tendência descreve o interesse crescente por tudo aquilo que é divertido e irreverente. Em um mundo de estresse excessivo e tensão constante, esses recursos seriam usados como ferramenta de liberação emocional e autocuidado, atravessando todos os setores.
Culto à fofura
Com uma influência lúdica e divertida, o culto à fofura pode ser associado ao movimento kawaii, estética japonesa que celebra a fofura, já muito presente na região da Ásia-Pacífico e que ganha força no Ocidente. Para a consultoria, ele estará nas narrativas de marca e nas experiências de varejo. A fofura se infiltra também na tecnologia e para além da funcionalidade com experiências tecnológicas que priorizem o bem-estar emocional.
“O Fim da Seriedade e o Culto à Fofura revelam um desejo global por escapismo saudável, ternura e espontaneidade. Ou seja, por experiências que suavizam o dia a dia e reencantam a rotina. Isso abre um campo fértil para marcas de todos os segmentos explorarem o lúdico como estratégia de conexão emocional”, explica Nolasco.
O risco para as marcas, no entanto, seria confundir diversão com infantilidade. “O lúdico precisa ser sofisticado, ter intenção e manter coerência com o posicionamento da marca. Se for apenas um adorno estético sem funcionalidade ou propósito, perde força. O segredo está em equilibrar alegria com inteligência”, aponta a head de novos negócios.
Privilégio digital
Para a WGSN, a capacidade de desconexão será cada vez mais vista como um símbolo de status. As marcas, por sua vez, podem pensar em experiências de detox digital, espaços que celebram o tédio e “santuários offline”, que favoreçam a criatividade e a presença.
“O Privilégio Digital sinaliza que chegamos ao limite da sobrecarga informacional e que a capacidade de desconectar, sem perder relevância ou desempenho profissional, tornou-se um símbolo de status contemporâneo”, descreve a executiva.
Essa tendência seria decisiva para o ano por redefinir os parâmetros de qualidade de vida. “Em um mundo onde tudo escala – inclusive, a ansiedade – o luxo passa a ser mais presente e sentir mais. Marcas que entenderem essa lógica e oferecerem espaços, produtos e narrativas que apoiem a desconexão intencional terão vantagem competitiva”, aponta Nolasco. Relembre as tendências do ano passado e os temas que marcaram 2025.