Marketing

Fim da seriedade e privilégio digital: as tendências de 2026

Relatório da WGSN destaca consumidor saturado buscando por mais leveza, proteção e sentido

i 5 de janeiro de 2026 - 6h01

Anualmente, a consultoria WGSN desenvolve um relatório com as 12 tendências que devem impactar o mercado, em diferentes segmentos, ao longo do ano. O estudo é fruto de um mapeamento que começa mais de dois anos antes da publicação do relatório.

As tendências de 2026

Capacidade de desconexão será cada vez mais vista como um símbolo de status (Crédito: Jack_the_sparow-shutterstock)

Segundo Marianna Nolasco, head de novos negócios da consultoria, as tendências para este ano de 2026 trazem uma narrativa unificada. “Estamos entrando em uma era em que o consumidor busca urgentemente leveza, proteção e sentido. Depois de anos de instabilidade e excesso de informação, de estímulos e de expectativas, as pessoas estão rejeitando o que é pesado e buscando experiências que regenerem o emocional, reativem a criatividade e devolvam a sensação de presença”, explica.

Dessa forma, três movimentos unem as tendências. O primeiro deles é uma busca por alegrias e microalegrias como antídoto à fadiga. Uma necessidade de proteção frente a um mundo que é percebido pelas pessoas como imprevisível e, por fim, o que a consultoria descreve como um hiper-individualismo funcional.

Nele, os produtos e serviços deixariam de ser definidos por idade, gênero ou nicho e passam a ser orientados pelas necessidades de cada indíviduo. Ao Meio & Mensagem, a consultoria adiantou com exclusividade três das 12 tendências apresentadas no relatório e uma análise para as marcas. Confira:

Fim da seriedade

Apresentada como uma evolução das microalegrias, essa tendência descreve o interesse crescente por tudo aquilo que é divertido e irreverente. Em um mundo de estresse excessivo e tensão constante, esses recursos seriam usados como ferramenta de liberação emocional e autocuidado, atravessando todos os setores.

Culto à fofura

Com uma influência lúdica e divertida, o culto à fofura pode ser associado ao movimento kawaii, estética japonesa que celebra a fofura, já muito presente na região da Ásia-Pacífico e que ganha força no Ocidente. Para a consultoria, ele estará nas narrativas de marca e nas experiências de varejo. A fofura se infiltra também na tecnologia e para além da funcionalidade com experiências tecnológicas que priorizem o bem-estar emocional.

“O Fim da Seriedade e o Culto à Fofura revelam um desejo global por escapismo saudável, ternura e espontaneidade. Ou seja, por experiências que suavizam o dia a dia e reencantam a rotina. Isso abre um campo fértil para marcas de todos os segmentos explorarem o lúdico como estratégia de conexão emocional”, explica Nolasco.

O risco para as marcas, no entanto, seria confundir diversão com infantilidade. “O lúdico precisa ser sofisticado, ter intenção e manter coerência com o posicionamento da marca. Se for apenas um adorno estético sem funcionalidade ou propósito, perde força. O segredo está em equilibrar alegria com inteligência”, aponta a head de novos negócios.

Privilégio digital

Para a WGSN, a capacidade de desconexão será cada vez mais vista como um símbolo de status. As marcas, por sua vez, podem pensar em experiências de detox digital, espaços que celebram o tédio e “santuários offline”, que favoreçam a criatividade e a presença.

“O Privilégio Digital sinaliza que chegamos ao limite da sobrecarga informacional e que a capacidade de desconectar, sem perder relevância ou desempenho profissional, tornou-se um símbolo de status contemporâneo”, descreve a executiva.

Essa tendência seria decisiva para o ano por redefinir os parâmetros de qualidade de vida. “Em um mundo onde tudo escala – inclusive, a ansiedade – o luxo passa a ser mais presente e sentir mais. Marcas que entenderem essa lógica e oferecerem espaços, produtos e narrativas que apoiem a desconexão intencional terão vantagem competitiva”, aponta Nolasco. Relembre as tendências do ano passado e os temas que marcaram 2025.