Comunicação

Diego Alonso: “Crescer de forma consistente exige método”

Equilibrar novos negócios com resultados consistentes requer revisão constante, diz presidente da BETC Havas

i 22 de janeiro de 2026 - 6h00

Diego Alonso, presidente da BETC Havas

Presidente da BETC Havas, Diego Alonso,

A BETC Havas aparece em quarto lugar entre as melhores agências em novos negócios, conforme ranking anual de Meio & Mensagem. Diego Alonso, presidente da operação, afirma que “talento, com atitude e resiliência” foi o principal motor de crescimento no ano passado, período em sete novos clientes chegaram ao portfólio.

A agência, que tem Erh Ray como CEO, passou por uma mudança importante em sua liderança. Isso porque, até o início deste ano, Alonso compartilhava a presidência com Carol Boccia, recém anunciada como CEO da nova operação Lola\TBWA, fruto da junção entre Lew’Lara e DM9, do Omnicom.

Ao fazer um balanço, o executivo explica que, além de cuidar, reter e expandir em clientes atuais e novos, o período exigiu rapidez para lidar com a perda de contas relevantes em setores prioritários, como o Santander. Entre os novos clientes, a BETC Havas passou a atender marcas como PicPay, AliExpress, Mercedes-Benz (caminhões e ônibus), L’Occitane, Estrella Galicia (mídia) e H2OH!, da PepsiCo.

“Também buscamos complementar nosso portfólio com clientes por projeto e modelos mais ágeis de contratação, especialmente, em áreas onde as conversas são mais rápidas e os ciclos são mais curtos”, diz. Tais movimentações, segundo o executivo, partem da compreensão de que esse modelo está cada vez mais presente na seleção de agências por parte dos anunciantes.

Além desses pontos, na entrevista abaixo, o presidente da BETC Havas fala sobre o momento atual da agência e analisa o quanto fazer parte de uma holding impacta na vantagem competitiva em um mercado em constante transformação.

Meio & Mensagem – O que esse mix de novos negócios revela sobre o momento atual da agência?

Diego Alonso – As contas conquistadas mantêm o perfil de clientes que sempre buscamos adicionar ao nosso portfólio, especialmente vinculadas a setores estratégicos onde temos expertise e credibilidade. Ao mesmo tempo, refletem a evolução das demandas do mercado, em que os clientes esperam que sejamos parceiros de transformação, capazes de atuar de forma ágil, flexível e estratégica. Em um cenário em que 55% do conteúdo não é pago e 78% das pessoas descobrem produtos por vídeos curtos, não basta comunicar, é preciso construir ecossistemas de conteúdo, experiências e relacionamento. No entanto estas mudanças permanentes nos obrigam também a sermos abertos a nos adaptar tanto no modo de contratação como de participação dos resultados e objetivos de nossos clientes.

M&M – Como equilibrar a pressão por crescimento em novos negócios com a manutenção da qualidade criativa, cultura interna e resultados consistentes para os clientes que já integram o portfólio?

Alonso – Crescer de forma consistente exige método, cultura e propósito. Nossa abordagem é guiada por princípios muito claros: client centricity, pessoas no centro, criatividade humana, dados como aceleradores e resultados mensuráveis. O equilíbrio não é estático, precisa de revisão constante para que os diferentes pesos se compensem de forma lógica, com foco em crescimento com disciplina, excelência como padrão, cultura como ativo estratégico e criatividade como motor de diferenciação.

M&M – Em um mercado cada vez mais competitivo, de que forma fazer parte de um grupo internacional tem se traduzido em vantagem concreta na disputa por novos negócios?

Alonso – É muito difícil imaginar que a médio prazo uma agência consiga acompanhar sozinha os desafios tecnológicos, de automação, dados, inteligência artificial e inovação que estão transformando o nosso mercado. Então, fazer parte do Grupo Havas e da rede BETC nos permite acesso a plataformas globais de dados e tecnologia; metodologias proprietárias de crescimento; troca contínua de conhecimento e talento; e escala para investir em inovação aplicada. A Converged.AI, plataforma de inteligência artificial, é um exemplo claro dessa vantagem competitiva.

M&M – Para 2026, o crescimento virá mais da conquista de novas contas ou da ampliação de parcerias existentes?

Alonso – Temos três grandes apostas estratégicas para 2026. Uma delas é manter e crescer dentro da nossa base atual de clientes, ampliando escopos, mercados e disciplinas, ajudando a nossos clientes a ser cada vez marcas mais desejadas. A segunda é complementar nosso portfólio em setores onde ainda não atuamos, trazendo novas verticais estratégicas para a operação. Por fim, queremos lançar novas operações/soluções especializadas, que complementem nossa oferta atual e antecipem as necessidades futuras dos nossos clientes e prospects. Nosso foco é trabalhar ainda mais do lado de nossos clientes, e continuar consolidando a agência como um verdadeiro parceiro de crescimento de longo prazo, capaz de unir criatividade, tecnologia, dados e inteligência de negócio em uma única plataforma. Hoje, não competimos apenas por campanhas, mas por transformação, relevância e crescimento.