IA passa de ameaça para oportunidade para a Open English
Andrés Moreno, CEO da companhia, revela como a IA está sendo incorporada na sua plataforma e planos da empresa

Andrés Moreno, fundador e CEO da Open English (Crédito: divulgação)
Andrés Moreno, fundador e CEO da Open English, plataforma 100% online de ensino de inglês, revela que, inicialmente, a inteligência artificial foi vista como uma ameaça pela companhia. “Quando a IA surgiu, ficamos com medo porque somos um dos maiores provedores de aulas de inglês online do mundo. Ministramos quase 10 milhões de aulas no ano passado com nossos professores, que são o coração do nosso negócio”, destaca.
No entanto, com o tempo, a IA se tornou uma “grande oportunidade”, uma aliada da plataforma, segundo Moreno. Neste sentido, na semana passada, a Open English anunciou o lançamento da FluentIA by Open English, metodologia que combina aulas ao vivo com professores nativos e inteligência artificial (IA).
Basicamente, a metodologia conta com uma tutora virtual, chamada Jenny, desenvolvida internamente pela companhia para auxiliar os alunos na prática da pronúncia em um chat 24 horas por dia. A Jenny também foi programada para enviar feedbacks personalizados após as aulas.
Por meio da nova ferramenta AI+Teacher da Open English, o aluno conta com o professor nativo e com a tutora de IA durante a aula, podendo acioná-la a qualquer momento para dúvidas ou praticar pronúncia.
“Isso é incrível porque podemos ter mais pessoas na sala, todas recebendo aulas personalizadas com Jenny. Mas ainda tem o humano, tem o professor guiando os alunos durante todo o processo, ao vivo. Essa combinação do melhor da IA com o melhor dos humanos está criando algo muito especial”, enfatiza o CEO.
Inclusive, a metodologia FluentIA foi testada em um projeto-piloto com 1.000 estudantes do estado de São Paulo e, segundo Moreno, teve 98% de taxa de satisfação. “Os alunos realmente gostam porque às vezes ficam um pouco constrangidos de falar com um humano”, salienta.
Prontos pro mundo
Moreno revela que a companhia está animada com as possibilidades da IA, uma vez que ela permite que a Open English reduza custos vinculados ao ensino. “Ao reduzirmos o custo do ensino, podemos oferecer inglês para muito mais pessoas e, com isso, conseguimos chegar a um custo muito baixo para o estado de São Paulo e outros governos”, revela o executivo.
Neste sentido, além de parceira oficial de universidades em El Salvador, de escolas públicas em Medellín, na Colômbia, e do governo nacional da Costa Rica, a plataforma venceu uma licitação do governo do estado de São Paulo para oferecer sua metodologia a 70 mil estudantes de rede pública estadual a partir da próxima quarta-feira, 11.
Os alunos terão aulas ao vivo de 50 minutos, duas vezes por semana, durante 40 semanas, além atividades complementares assíncronas para reforçar o aprendizado.
Por meio de contratação realizada pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), a iniciativa integra as ações do “Prontos pro Mundo”, programa de intercâmbio gratuito do governo do estado, lançado em 2023, que leva alunos do Ensino Médio do estado para estudar em países como Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Irlanda e Reino Unido. “Esperamos poder fazer muito mais disso não só em São Paulo, mas em todo o Brasil”, reforça Moreno.
Investimento milionário
Em 2026, a Open English investirá R$ 60 milhões em marketing no Brasil. E a primeira comunicação do ano da companhia estreia nesta segunda-feira, 9.
Com conceito e o roteiro desenvolvidos internamente e com produção executiva da F5 Creative Films, a campanha conta com três filmes: “Modo Avião” (veja abaixo), “Pronunciation Fail” e “Entrevista”, que mostram, por meio de situações cotidianas e engraçadas, que o uso da tecnologia sozinha não garante, nem substitui a fluência em inglês.
Apesar de reconhecer a eficácia de plataformas 100% virtuais como o Duolingo, o CEO da Open English destaca a importância do humano no processo de ensino. “O Duolingo é uma plataforma incrível e fez um ótimo trabalho em manter as pessoas engajadas por muito tempo, mas é mais focada no usuário básico que quer aprender algumas palavras-chave. Se você tem uma necessidade maior, como uma entrevista de emprego, se sua carreira profissional depende do seu inglês, você provavelmente vai frequentar uma escola presencial ou vai comprar o Open English e fazer aulas online com professores”.
O plano de mídia contempla TV a cabo, serviços de streaming, TV conectada, canais digitais como Meta, Google e YouTube, além das redes sociais da Open English.
Futuro dos negócios
Com mais de 3 milhões de estudantes matriculados até hoje e presença em 26 países de três continentes, a Open English está trabalhando em uma expansão em três áreas neste ano: B2C, B2B e B2G.
No B2C, a companhia planeja entrar em novos mercados internacionais, além de lançar na Turquia a Open English Junior, curso para crianças de 8 a 14 anos, já oferecido na América Latina.
Para o B2B, segundo Moreno, a empresa está trabalhando com contratos de empresas maiores e implementando todas as ferramentas de IA dentro do pacote B2B para que as empresas também possam ter acesso a elas.
“E estamos muito focados em B2G. É incrível a rapidez com que o negócio B2G está se desenvolvendo. Esta semana estive em quatro cidades diferentes me reunindo com ministros da educação, conversando sobre as possibilidades que temos. Essa será uma área que se desenvolverá muito rapidamente para nós”, finaliza.
