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Custo-benefício e microalegrias: o consumidor em 2026

Segundo a Capgemini, sete em cada dez consumidores buscam pequenos prazeres para aliviar as preocupações

i 10 de janeiro de 2026 - 9h50

Um dos assuntos centrais da NRF Big Show, que começa neste domingo, 11, é o comportamento do consumidor no varejo no ano de 2026. De olho nesse interesse, a Capgemini desenvolveu o estudo global” O Que Importa Para o Consumidor de Hoje 2026: Como a IA está transformando a percepção de valor”, com 12 mil consumidores entre outubro e novembro do ano passado.

O consumidor em 2026

Com orçamento apertado, consumidor busca aliviar preocupações com indulgências (Crédito: matt-matic-shutterstock)

O principal achado do estudo foi o fato de que, à medida que os consumidores se preocupam com a diminuição do seu poder de compra, tornam-se mais criteriosos com a maneira como decidem poupar ou não seu dinheiro.

No levantamento, quase metade dos consumidores afirmaram estar comprando em quantidades menores ou buscando alternativas mais baratas para controlar seu orçamento.

No entanto, ele exige transparência. 74% dos respondentes disseram que trocariam de marca por um preço mais baixo ou se o tamanho ou a qualidade da embalagem fossem reduzidos sem aviso claro.

“O que percebemos é que os consumidores seguem buscando a melhor relação entre custo e benefício. Ele troca para marcas mais baratas em itens essenciais e rejeita práticas que são percebidas por ele como injustas, como reduzir o tamanho para tentar manter o preço artificialmente de uma mercadoria. E, óbvio, no Brasil, as promoções continuam sendo um forte motor de consumo”, explica Mauricio de Paula, diretor de varejo na Capgemini.

Em contrapartida, a indulgência assume um papel central nas compras. De acordo com a pesquisa, sete em cada dez consumidores buscam pequenos prazeres para aliviar as preocupações com o dinheiro. “Ele começa a buscar alternativas mais baratas para aquilo que é básico, para poder fazer caber um pouco da indulgência ou das microalegrias”, destaca Paula.

Para o executivo, um dos caminhos para os varejistas aproveitarem essa tendência está na arquitetura de embalagem e preço, com a criação do conceito de “luxo acessível”. Ele descreve: “Se o consumidor está buscando sustentabilidade, saudabilidade ou o que quer que seja, você precisa ter opções ou extensões dentro da sua linha de sortimento que atendam a esses novos atributos”.

A IA na jornada de consumo

A pesquisa ainda investigou a relação dos clientes com a inteligência artificial generativa. Um em cada quatro respondentes disseram já ter usado ferramentas de Gen AI em 2025 e outros 31% pretendem adotar no futuro. Porém, apenas 19% se dizem dispostos a pagar por assistentes virtuais de compra.

Além disso, quase dois terços querem que a IA forneça conteúdo e personalizado e 65% dizem que a tecnologia tornou as compras menos estressantes. Ainda assim, a maioria dos respondentes diz valorizar a assistência humana durante compras mais complexas.