União Europeia aprova acordo de livre comércio com o Mercosul
Documento deverá ser assinado na próxima semana pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; tratado deve passar pelo Parlamento Europeu e congressos nacionais dos países do Mercosul
Os países que compõem a União Europeia aprovaram, nesta sexta-feira, 9, o acordo com o Mercosul.

Tratado entre Mercosul e União Europeia estava sendo negociado desde 1999 (Crédito: Beto Gomes/Shutterstock)
O sinal verde provisório foi dado por embaixadores das nações em reunião em Bruxelas, na Bélgica. No entanto, a maioria dos 27 estados-membros ainda precisam realizar a confirmação formal dos votos por escrito. O movimento deve acontecer até o início da tarde, pelo horário de Brasília.
O documento deverá ser assinado na segunda-feira, 12 pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Paraguai. Mas o acordo ainda precisa passar pela aprovação do Parlamento Europeu e pelos Congressos brasileiros, argentinos, paraguaios e uruguaios para que, de fato, entre em vigor.
O tratado é o maior do tipo na história do bloco econômico e prevê a redução, ou até mesmo a eliminação, de tarifas em relações comerciais entre UE e Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Também inclui mudanças nas regras comerciais e padrões regulatórios.
Entre os principais benefícios para o mercado brasileiro estão a ampliação da diversificação comercial e o acesso a um mercado potencial de mais de 450 milhões de consumidores. No agronegócio, produtos como carne bovina, soja, café, celulose, açúcar, etanol e suco de laranja figuram entre os segmentos que tendem a ser diretamente favorecidos pelo acordo.
O avanço acontece mesmo com a resistência de opositores como a França. O presidente francês Emanuel Macron havia dito que votaria contra a aprovação, dada a resistência do setor agrícola do país.
Os produtores rurais temem a entrada de produtos da América Latina não apenas por um preço mais barato aos consumidores, mas também seguindo padrões ambientais diferentes dos da UE. Caso do uso de pesticidas, por exemplo, que acabam de ser proibidos no país.
Em postagem no X, Macron declara que a França é favorável ao comércio internacional, mas alerta que o acordo começou a ser negociado em outra época — há quase 26 anos — baseado em princípios antigos. O presidente pede por condições como uma espécie de freio de emergência caso haja desestabilização do mercado europeu, medidas recíprocas sobre condições de produção e controle para garantir a segurança alimentar.
Países como Polônia e Itália também declararam resistência. Apoiadores como Alemanha e Espanha acreditam que o tratado seja oportuno para amplia exportações e reduzir dependência da China, por exemplo. Também é favorável diante do cenário tarifário imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.